Logos λόγος

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XIV

16.2.20

Momentum: "Carpe Diem" (1 362)


Ao perder com o FC Porto, no Dragão, por 3 – 2 , na anterior jornada e com o Sp. Braga em casa, ontem, por 0 – 1, o Benfica perdeu uma preciosa vantagem para o segundo classificado, o rival FCP, de sete pontos. Nas conferências de imprensa, Bruno Lage continua com um discurso negacionista, refugia-se em tecnalidades, fala em "profundidade", em "largura", "na ocupação de espaços interiores" e outras balelas. A verdade é que a equipa não tem aproveitamento nenhum nas bolas paradas; cantos e livres são bolas para o pinhal. Os golos de cabeça são raros numa equipa que tem nos convocados dois centrais como Rúben Dias (1,86m) e Ferro (1,91m), dois pontas-de-lança como Vinícius (1,90m) e Seferović (1.89m) um médio-defensivo suplente como Samaris (1,89m) e reforçou-se em Janeiro com o ponta-de-lança Dyego Sousa (1,90m). Os responsáveis pela marcação de cantos, Pizzi e Grimaldo, cruzam mal ou raramente acertam a centrar para a pequena área, caindo inevitavelmente a bola no canto superior mais distante da grande área. A grande aposta do Benfica de Bruno Lage nos jovens da Academia do Seixal vai gradualmente sendo relegada para o esquecimento com a compra do médio-defensivo alemão Julian Weigl, ao Borussia de Dortmund, que raramente será acusado de ter comprometido porque, no metro quadrado da sua área de conforto onde se movimenta apenas com passes curtos laterais, raramente falha. Entretanto, o jovem médio Gedson Fernandes foi emprestado e Florentino Luís relegado para o banco. Um médio-defensivo como Fejsa no seu auge faz imensa falta, e as duplas de médios não têm resultado quando se joga com dois médios de transição ("oitos") que podem ou já foram "dez", como é o caso de Gabriel e Taarabt. O defesa-central Ferro precisa nitidamente de concorrência – tão defendida por Bruno Lage –, mas a alternativa repousa num Jardel em final de carreira, enquanto Kalaica e Morato da equipa B parecem não se revelar à altura, ao contrário do que aconteceu no passado com Lindelöf lançado por... Rui Vitória (tal como Renato Sanches e Gonçalo Guedes). Ainda líder, a um ponto do primeiro (admitindo que o FCP ganha hoje ao Vit. Guimarães), na disputa da cada vez mais complicada Liga Europa e já apurado para a final da Taça de Portugal no Jamor contra o FCP, a quem nunca conseguiu ainda ganhar esta temporada, é acreditar na desesperada opção de meter três pontas-de-lança de raiz, gigantes, em campo, quando se vê a perder nos últimos dez minutos de jogo, numa equipa que não sabe fazer "chuveirinho" para a área, mas apenas "largura" e "profundidade", para os três ficarem a ver passarinhos.

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15.2.20

Momentum: "Carpe Diem" (1 361)


Isto da eutanásia é muito complicado, mas merece um referendo, nem que seja para os indecisos poderem abster-se. Não se percebe esta constante desvalorização do referendo em simultâneo com a excessiva valorização da representação parlamentar. No berço da democracia parlamentar, no Reino Unido, o referendo parece legítimo, fundamental e, mais importante, vinculativo. Em Portugal, os políticos parecem ter fraca opinião do povo e têm consciência disso, pois fazem promessas eleitorais que não cumprem e colocam coisas nos programas que pouca gente lê. É certo que o sucesso do Preço Certo e da Cristina Ferreira deixam muitas dúvidas sobre as capacidades cognitivas do povo português, mas, se lhes retiram matéria para pensar, muito contribuem para isso. Não incentivam nem elevam o debate, puxam para baixo. Se não é útil, oportuno ou viável um referendo sobre temas de consciência pessoal e tão importantes e com intervenção tão directa na sociedade, querem fazer referendos sobre o Tratado de Maastricht, de Nice ou Lisboa? Ou os nossos deputados são de uma categoria superlativa?

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10.2.20

Momentum: "Carpe Diem" (1 360)


Paulo Portas disse tudo sobre os #Oscars2020, um bom filme tem de saber contar uma história – seja pela narrativa ou argumento –, tem de ter um bom acting, uma boa direcção/realização e uma boa fotografia. O filme "1917" tem apenas uma boa fotografia.

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9.2.20

Momentum: "Carpe Diem" (1 359)


O Benfica ao não ganhar ao FCP nos confrontos directos e ao ter uma péssima prestação na Champions, como aconteceu nesta época de 2019/2020, alimenta o argumento capcioso com que se pretende enganar ou calar o adversário – a que se dá o nome de sofisma –, de que o Benfica ganha campeonatos controlando os outros clubes.

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8.2.20

Momentum: "Carpe Diem" ( 1 358)


Prognóstico FCP vs. SLB: Benfica adianta-se no marcador por Vinícius, assistência de Pizzi, VAR anula o lance por falta de Rúben Dias sobre Soares, no começo da jogada, nove passes antes, dos quais cinco passes curtos de Weigl no mesmo metro quadrado do meio campo dos encarnados. Sete minutos depois Artur Soares Dias confirma recomendação do VAR. A meio da primeira parte, na sequência de um canto, Ferro não salta e Marcano livre de marcação faz o primeiro. Nos últimos 20', o Benfica aumenta o ritmo, pressiona em cima e surgem mais lances em profundidade. Um passe em profundidade de Taarabt – após recuperar a bola no seu meio-campo – para Rafa, dá o empate aos 77'. Quase a terminar, Artur Soares Dias dá apenas 5' apesar de o jogo ter estado parado 7' só naquele lance do VAR, Pizzi remata forte e na recarga Vinícius faz o 1 - 2. Sérgio Conceição demite-se e já não vai à flash interview. Rui Barros assume o cargo interinamente até à chegada de Jorge Jesus. No Universo Porto Canal da terça-feira seguinte discute-se, durante hora e meia, as condições do empréstimo de Gedson Fernandes ao Tottenham.

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5.2.20

Momentum: "Carpe Diem" ( 1 357)


14.º Aniversário 

Nos idos de 2006, os blogues estavam no auge. Os primeiros tinham surgido por volta de 2003. Por aqui não se sabia bem o que fazer, o que expor, como expor, o que abordar? Mais intimista? Mais generalista? Numa pesquisa rápida, ainda se encontra por aqui muita coisa mal amanhada e uma mão cheia de nada. Nunca serão apagados, porque faz parte das dores de crescimento, da evolução. O próprio nome nunca foi muito bem conseguido, foi o que surgiu, em forma de lema militar. Uma revisitação aos clássicos depois e refunda-se o blogue com outro nome: Logos, do argumento, da razão. Enquanto praticamente todos os blogues desapareceram ou perderam interesse para outras plataformas sociais, este refunda-se catorze anos depois. Por enquanto, mantém a URL original, talvez durante seis meses, no máximo um ano, depois adaptar-se-à ao novo nome, esperando não apanhar desprevenidos os dois ou três incautos que o visitam uma vez por ano.

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25.1.20

Cinefilia: "1917" (2019)


[ 91 ] Realizado pelo conceituado Sam Mendes com base nos relatos do avô. Os magníficos planos abertos merecem uma sala escura de cinema (45% lotada), a narrativa não é propriamente original — dois soldados, com a patente de cabo, recebem ordens para penetrarem nas linhas inimigas e avisar dois batalhões, noutra região isolada de França, que se preparam para atacar e cair assim numa emboscada dos alemães que retiraram estrategicamente cortando as comunicações, sendo que num dos batalhões se encontra o irmão de um dos destacados (a lembrar a missão de O Resgate do Soldado Ryan (1998), do Steven Spielberg  — nem a alegoria à amizade. Tem situações inesperadas com impacto q.b. Mas há demasiada falta de pontaria para tornar as cenas de heroísmo suficientemente realistas. Não há grande densidade nas personagens, mas a cenografia é soberba no detalhe, representando fielmente o conflito e a época. Com uma soundtrack épica. Talvez ganhe o Óscar, está preparado para tal, até tem quatro falas do Benedict Cumberbatch para dar prestígio.

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19.1.20

Momentum: "Carpe Diem" ( 1 356)


‪TOP10 (não necessariamente por esta ordem):‬
‪— Caravaggio (Itália, 1571 - 1610), Barroco;
‪— Ilya Repin (Ucrânia, 1844 - 1930), Realismo;
‪— John Singer Sargent (Itália, 1856 - 1925), Impressionismo;
‪— Pierre-Auguste Renoir (França, 1841 - 1919), Impressionismo;
‪— Lucian Freud (Alemanha, 1922 - 2011), Realismo;
‪— John Constable (Reino Unido, 1776 - 1837), Romantismo;
‪— Peder Severin Krøyer (Noruega, 1851 - 1909), Impressionismo;
‪— George Hendrik Breitner (Roterdão, 1857 - 1923), Impressionismo;
‪— Johannes Vermeer (Delft, 1632 - 1675), Barroco;
‪— Józef Chelmonski (Polónia, 1849 - 1914), Realismo.

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18.1.20

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (109)


Uma Alegoria da Prudência (c. 1550 - 1565), Titian (~1506 - 1576), National Gallery

As três faces representam o Passado, Presente e Futuro. As três cabeças do lobo, leão e cão também representavam na iconografia e literatura do século XVI a prudência. A pintura não é especialmente bonita, mas é simbolicamente muito interessante.

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5.1.20

Momentum: "Carpe Diem" ( 1 355)


De repente surge um daqueles táxis pretos característicos de Londres, faz-se-lhe sinal e ele pára de imediato interrompendo o trânsito, depois de entrarem quatro pessoas de modo apressado e revelado o destino, o motorista faz inversão de marcha numa rua cheia de tráfego já depois de ter colocado no GPS as coordenadas. A via fica obstruída em ambos os sentidos e o carro atrás é obrigado a recuar mais para o táxi conseguir concluir a inversão de marcha que demora ainda alguns minutos. Tudo parado, a duzentos metros dos célebres armazéns Selfridges e da Oxford City, por aquela manobra extemporânea. Não se ouve uma buzinadela, alguém praguejar ou um buzinão.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (108)


O Esquife (1875), Pierre-Auguste Renoir (1841 - 1919), National Gallery

Barcos a remos, à vela ou comboios a vapor eram motivos frequentes nas obras dos Impressionistas. Esta cena radiosa combina os três.

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4.1.20

Momentum: "Carpe Diem" ( 1 354)


O estádio é Stamford Bridge e a bancada é junto ao relvado, situada um pouco mais para um dos lados do campo, junto da famosa Shed End, quase de frente para uma das balizas. O dia é o famoso Boxing Day. Quando se dá um ataque na baliza contrária mais distante, os espectadores mais à esquerda levantam-se de imediato na iminência de um golo e tapam a visão a todos os que estão nas suas costas. Não se ouve uma reclamação, um palavrão, uma convulsão. Os de trás limitam-se a fazer o mesmo. Levantam-se também, num movimento em cadeia. No fim, a equipa da casa perde dois zeros, ninguém assobia, pede a cabeça do treinador, culpa o árbitro, pragueja, nada. Limitam-se a sair antes de terminar o encontro. É assim, no geral, um jogo da Premier League.

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24.12.19

Efeméride: Espuma dos dias (34)


Feliz Natal
(presépio da Abadia de Montmartre, Paris. Dezembro 2018)

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8.12.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 353)


Se é consensual que a primeira década foi dominada por The Wire (2002 - 2008) e pelo desconcertante, mas também fascinante, Breaking Bad (2008 - 2013), esta segunda foi absolutamente dominada pela luta pela conquista do Trono dos Sete Reinos, com dragões e Caminhantes Brancos de Game of Thrones (2011 - 2019), que rapidamente se tornou viral. Isso não implica que possa ser desvalorizado o papel político das coligações que são obrigadas a ser negociadas e formadas em parlamentos fragmentados como no presciente e premonitório Borgen (2010 - 2013). Aaron Sorkin brilhantemente chamou a atenção para o papel do jornalismo do séc. XXI com a concorrência das redes sociais e o combate ao flagelo das fake-news em The Newsroom (2012 - 2014). Mas no que toca a espionagem, Villanelle (Jodie Comer) desempenhou um papel extraordinário como psicopata nas duas temporadas de Killing Eve (2018 - ). Já na primeira temporada de True Detective (2014 - 2019) é inesquecível a personagem extravagante de Rust Cohle e a lindíssima e sensual Michelle Monaghan. Nas relações conjugais, nada bate os dez episódios de dez minutos com brilhantes diálogos à volta de uma mesa de café apenas com uma pint e um copo de vinho de State of the Union (2019 - ), escrito pelo soberbo Nick Hornby. Na análise do perfil psicológico de serial-killers nada supera Mindhunter (2017 - 2019). A medicina no séc. XIX de The Knick (2014 - 2015) merecia mais temporadas. Depois ainda há aquelas que se vão prolongar e marcar a próxima década como a distopia The Handmaid's Tale (2019 - ). Com tudo isto é impossível ficar entediado.

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1.12.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 352)


Concorde-se ou não com as ideias, os Portugueses perderam uma grande oportunidade de eleger alguém inteligente, estudioso, com profundos conhecimentos sobre a integração europeia, nas eleições europeias de 26 de Maio deste ano, como o Rui Tavares, do Livre, para optarem, escassos quatro meses meses e vinte dias depois, por esta sitcom, arrogante e presumida, chamada Joacine Katar-Moreira, nas Legislativas de 6 de Outubro. Sempre dados à paródia. Esperavam o quê duma pessoa com aquela vulnerabilidade, aquele grau de gaguez, que não lhe belisca minimamente a auto-estima, nem se tenta proteger nos compromissos de oratória? Não é determinação, é um ego gigante para conseguir fazer daquela fraqueza força. Agora divirtam-se que a Europa está mais pobre, mas cá no burgo a animação continua.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (107)

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30.11.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 351)


‪Este grupo F do Euro '20, com a Alemanha e França, é mais motivador para Portugal que tem exibições deprimentes nas fases de apuramento e empolga-se nas fases finais e contra os grandes. Além de que, ao contrário dos Mundiais, onde ganha quase sempre o Brasil, Alemanha e Itália, os Campeonatos da Europa são mais "democráticos": Holanda (1988), Dinamarca (1992), França (1996), Grécia (2004), Espanha (2008 e 2012) e Portugal (2016).‬

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19.10.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 350)


Excuse me, do you speak a little of English?
No. I speak a lot of English
A arrogância dela; e teve sorte porque ainda levou uma grande ajuda sobre como funcionar com a máquina de parquímetros da EMEL.

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18.10.19

Bibliofilia: "Murder in the Mews" (1937)

[ 148 ] Agatha Christie, Murder on the Mews (1937), Harper Collins, ed. 2016 (pp. 310). Quatro curtas e boas histórias — que fazem pensar se Christie não teria ainda mais sucesso nos contos — Murder on the Mews (pp. 77), onde há a tentativa de transformar um suicídio em homicídio por vingança; The Incredible Theft (pp. 72), o inteligente fingimento de um assalto com roubo de documentos confidenciais por convenientes razões diplomáticas; Dead Man's Mirror (pp. 109), o assassínio para protecção do futuro da filha incógnita, evitando assim a alteração testamentária; e, por fim, Triangle at Rhodes (pp. 39), onde o triângulo amoroso não é o que se apresenta mais revelador, mas antes o mais surpreendente. Poupado no número de personagens, mais conciso, mais direito ao osso. Não podia ser melhor para quem está farto de romances sob a forma de lista telefónica "Páginas Amarelas".

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7.9.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 349)


O PAN quando surgiu foi apodado de partido do voto de protesto, depois, com a justificação do crescimento dos partidos verdes no resto da Europa, foi incensado como ambientalista, sobretudo, porque nunca se soube o que valia eleitoralmente os Verdes, sempre na barriga de aluguer do PCP. Quatro anos, um deputado na Assembleia da República e outro no Parlamento Europeu depois e a luta contra as touradas às malvas, voltam a partido insonso. Também foi assim com os Crocs antes de aparecerem os Paez.

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5.9.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 348)


Percebe-se muito melhor a fiabilidade actual das sondagens quando um dos seus principais responsáveis, Rui Oliveira e Costa, constata que determinado partido teve uma queda de cinco por cento, de 44% para 39%, em vez de uma quebra de cinco pontos percentuais.

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1.9.19

Bibliofilia: "Mrs. McGinty's Dead" (1952)

[ 147 ] Agatha Christie, Mrs. McGinty's Dead (1952), Harper Collins, ed. 2014 (pp. 276). Partindo duma cantilena tradicional inglesa: "Mrs. McGinty's dead!" / "How did she died?" / "Down on one knee just like I." / "Mrs McGinty's dead." / "How did she died?" / "Holding her hand out just like I." / "Mrs. McGinty's dead." / "How did she died?" / "Like this!" Hercule Poirot é contactado por um superintendente da polícia que não está convencido da culpabilidade do inquilino da Mrs. McGinty's, por até ser uma pessoa muito estranha, introvertida e demasiado óbvio para ser culpado. O motivo teria sido o roubo de uma pequena quantia que escondeu nas imediações da própria casa o que levanta ainda mais a suspeita de que alguém o pretendia incriminar. Alguém que lhe quererá mal ou apenas calar algo que Mrs. McGinty não deveria saber. Como empregada doméstica em diversas casas da região, tinha a sua quota-parte de bisbilhotice. Sem Hastings e com uma presença sempre muito discreta da irritante Ariadne Oliver, de forma muito simples, muito económica, as diferentes pistas são dadas e anuladas de forma surpreendente. As diferentes personagens estão carregadas de segredos que nada têm a ver com este caso em si. E também porque um segredo de polichinelo é um segredo que toda a gente pode saber e, por isso, as pessoas que não o sabem nunca o ouvirão, porque se toda a gente pensa que alguém sabe uma coisa ninguém lhe conta essa coisa (p. 249). Na p. 126, há uma tentativa de assassinato de Poirot, quando este é empurrado da plataforma da estação para a linha de comboio por um anónimo; o que é raro nas suas aventuras estar tão perto do perigo. Uma das histórias mais interessantes do famoso detective belga. E estas histórias passadas no período a seguir à Grande Guerra, são mais difíceis de deslindar, ou pela falta de meios, ou pelo passado encoberto das personagens envolvidas — originado pela destruição de arquivos —, ou, até mesmo, pela quantidade de armas que facilmente ainda existia na posse de qualquer um.

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28.8.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 347)


Da série: #OsClientesSóAtrapalhamAsEmpresas. Liga-se para seguradora Ocidental para participar um sinistro, às 18:20 horas. A operadora diz que aquele número é o da assistência em viagem. Pede-se então para passar ao número correcto. Sete teclas opcionais depois a gravação informa-nos que o serviço encerrou às 18:00 horas.

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18.8.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 346)


Everything so nice, the USA bought Alasca from Russia, Virgin Islands not from Richard Branson but from Denmark, and now Donald Trump wants to do a bid for Greenland. But don't you forget that Russia took Crimea free of charge. Could you compel it to pay for it or you already forgot it?

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10.8.19

Momentum: "Carpe Diem" ( 1 345)


London calling (título duma canção dos The Clash). Com o euro a fechar ontem nos 0,9280 libras, a valorizar quase três por cento desde o início do ano, quase nove no último ano corrido e com cada vez mais notícias a dar como certa a paridade quando se aproxima o Brexit à bruta de 31 de Outubro. Falta acertar o preciso momento em que o efeito já estará totalmente descontado pelos mercados.

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4.8.19

Bibliofilia: "Munich" (2017)

[ 146 ] Robert Harris, Munich (2017), Arrow Books, ed. 2018 (pp. 429). O Inglês Hugo Legat e o Alemão Paul von Hartmann partilham um passado em comum do tempo em que estudavam em Oxford, de 1930 a 1932, e vão-se encontrar em lados aparentemente opostos nas negociações do Acordo de Munique de Setembro de 1938, quando o primeiro-ministro conservador inglês Lord Neville Chamberlain se reúne com Hitler para assegurar a paz entre ambos os países enquanto cedia a região do Sudetas, na Checoslováquia, maioritariamente de população alemã. Aparentemente, porque Paul von Hartmann é da resistência alemã ao regime nazi e tem, por duas vezes, nesta história, a hipótese de ter evitado o maior conflito mundial do séc. XX quando se encontra a sós numa sala com o Führer e uma Walther no bolso. O enredo tem um registo muito documental, descritivo, em jeito de documentário, não criando propriamente grandes twists, ou fulgurante suspense, nem personagens que se venham a revelar absolutamente cativantes.

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11.7.19

Bibliofilia: "Dumb Witness" (1937)

[ 145 ] Agatha Christie, Dumb Witness ( 1937), Harper Collins, ed. 2015 (pp. 327). Hercule Poirot recebe uma carta da solteirona (spinster) Emily Arundell, datada de 17 de Abril, a 28 de Junho, quando a remetente tinha falecido a 1 de Maio. A história é narrada pelo fiel Hastings, desta vez, sem a intervenção do inspector Japp, naquilo que de mais puro pode haver nas investigações do famoso detective. Com uma excelente construção de oito personagens suspeitas, na sua maioria parentes da defunta, e envolvendo tipicamente uma herança e o seu testamento, Poirot vai traçando o perfil psicológico de cada um dos suspeitos até encontrar aquele que mais se encaixa na forma como foi cometido o crime. E, embora seja vincadamente realçada a natureza mais cruel de alguns dos suspeitos, nem sempre o culpado é o mais evidente, porque o pior cão é mesmo aquele que não ladra mas morde. No final, Poirot descreve numa carta como foi cometido o crime que envia ao destinatário levando este ao suicídio.

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30.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 344)


O ferry, já bem composto, aguardava por uma última dezena de pessoas que atravessava o passadiço para partir. Os de fora, perante os gritos do membro da tripulação, não aceleraram o passo, um de dentro começou logo a reclamar que já era hora de partirem revelando o desprezo pelos de fora. Os Portugueses são um povo amistoso, simpático, que sabe como ninguém viver em comunidade. Com estrangeiros. Ou no estrangeiro.

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29.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 343)


Nove carros avariados na berma da A2 Sul, sentido Lisboa - Algarve, com temperatura a rondar os 30°, e dois outros no sentido Algarve -Lisboa, um destes semi-consumido pelas chamas. Como houve devolução de rendimentos, isto só pode constituir um plano para revolução do parque automóvel com a passagem à mobilidade eléctrica.

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26.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 342)


A comunicação à CMVM de que o Benfica está ainda a analisar a proposta de compra de João Félix pela cláusula de rescisão de 120 milhões de euros e seis milhões de custos financeiros para o clube comprador, o Atlético de Madrid, para fasear o pagamento, ainda que por razões fiscais, para entrar no exercício fiscal do ano seguinte, que começa no próximo dia 1 de Julho, para não accionar a cláusula de rescisão ou outro motivo certamente relevante, como o potencial encaixe do mesmo valor pelos colchoneros com a venda de Griezmann ao Barcelona, cuja cláusula de rescisão baixa de 200 milhões de euros para 120, também no próximo 1 de Julho, sem colocar em causa o fair-play financeiro dos colchoneros, dá grande margem para especulação sobre um negócio que é o melhor de sempre em Portugal e, nos termos conhecidos, o quinto melhor do mundo.

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16.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 341)


Vieira, Luís Filipe. Faz finca-pé que só vende o jovem prodígio João Félix de dezanove anos e dezanove golos, em trinta e oito jogos na época de estreia como sénior, pela cláusula de rescisão de 120 milhões de euros. Quando, por muito dinheiro que circule hoje nos grandes clubes de futebol, esse valor deixa pouca margem de rentabilidade para uma futura venda do clube que o compre e nenhum clube está disposto a arriscar tanto dinheiro por um jogador ainda não consolidado. Benfiquista que se preze, não deve pôr as mãos no fogo por Luís Filipe Vieira na mesma proporção que deve querer pôr fogo nas mãos de Pinto da Costa.

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15.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 340)


Manuais escolares gratuitos, redução substancial do custo dos passes sociais nas áreas metropolitanas, aumento do salário e do número de funcionários públicos e com redução das horas de trabalho para 35 horas, agilizar o processo de renovação do cartão de cidadão, que agora se tira em cinco minutos mas têm de ser agendado com seis meses de antecedência, para o online. Fim das taxas moderadoras no SNS. 2009 – 2019, ring a bell?

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12.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 339)


Os obcecados pelas métricas acham que se matarem três moscas de um grupo de cinco ficam com duas vivas, quando na realidade não ficam com nenhuma porque as duas sobreviventes simplesmente fogem. Nem tudo é mensurável e há sempre o imponderável.

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2.6.19

Bibliofilia: "The Hollow" (1946)


[ 144 ] Agatha Christie, The Hollow (1946), Harper Collins, ed. 2015 (pp. 308). Seis convidados que se detestam vão passar um fim-de-semana no campo, em The Hollow, propriedade de Sir. Henry Angkatell e da socialite Lady Lucy Angkatell, a convite destes. Numa propriedade perto refugia-se Hercule Poirot e quando chega para um almoço no The Hollow depara-se com um homem baleado, quase cadáver, Dr. John Christow, à beira da piscina e com um revólver na mão da cônjuge, Gerda Christow. À partida tudo parece demasiado evidente, encenado, preparado no preciso momento da sua chegada. A culpada parece evidente, falta o motivo. E Poirot apercebe-se, como sempre, de um padrão. Padrão em que todas as testemunhas procuram lançar falsas suspeitas para o afastar cada vez mais da verdade. Sem a presença de Hastings ou da irritante Ariadne Oliver, a actuação solitária de Poirot é sempre mais penetrante.

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30.4.19

Bibliofilia: "Le locataire" (1934)



[ 143 ] Georges Simenon,  Le locataire (1934), Editions Gallimard, Collection Folio Policier, Junho 2014 (pp. 182). Sem grande presença do famoso inspector Maigret, esta história não deixa grandes recordações, Élie Nagear, um turco, refugia-se na pensão da mãe da sua amante, Sylvie Baron, depois de ter matado o ricaço holandês Van der Chose para lhe roubar a mala cheia de dinheiro. Dinheiro esse cujas notas foram marcadas pela polícia, o que vai confinar a sua vida em permanência na cozinha da pensão a conversar com os outros hóspedes, Plutarc Valesco, um romeno, e Domb e Moise Kaler, dois polacos, o último judeu. A história termina com a condenação do criminoso e com a demonstração de afeição inusitada da sua senhoria depois de tanto tempo juntos. As personagens não são sequer suficientemente densas para criarem empatia e a história é perfeitamente banal. A menos que seja tão subtil que necessite de uma releitura.

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31.3.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 338)


Não existe melhor local, ferramenta, instrumento ou mais objectivamente rede social do que o Facebook para revelar a verdadeira natureza emocional das pessoas. Os desequilíbrios, a descompensação, o despropósito, a insensatez, o mau gosto, o quanto pior melhor, está lá tudo. Os comentários desapropriados, a necessidade de obter aprovação na medição de cada like, o voyeurismo. A felicidade fingida, o divertimento mascarado. Está lá tudo. Não serve aos melancólicos e misantropos por opção.

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30.3.19

Cinefilia: "Estado Livre de Jones" (2016)

[ 90 ] Excelente interpretação de Matthew McConaughey no papel de Newton Knight, nesta adaptação duma história verídica que melhor representa a segregação e o racismo dos Estados sulistas norte-americanos que viria a perdurar até mais de metade do século XX. O realizador Gary Ross criou um ambiente muito cinematográfico. Free State of Jones / Estado Livre de Jonas (2016) começa durante a Guerra da Secessão (1861 - 1865), com um desertor confederado, Newton Knight, que perante as constantes carnificinas resolve regressar ao seu condado de Jones, no Mississipi, mas que, perante as injustiças e o confisco de bens pelos próprios confederados aos habitantes do Sul, vê-se obrigado a refugiar nos pântanos onde vivia já um grupo de negros foragidos e a que se vão juntar muitos outros desertores confederados depois dos massacres se intensificarem. Sob a sua liderança, viria a congregar os esforços de um tão alargado e heterogéneo grupo e com diversas acções de guerrilha consegue devolver os bens confiscados aos agricultores pelos soldados confederados, sem que essas acções possam ser conotadas com tomar partido pelos unionistas do Norte. Sem nunca chegar a separar-se da sua mulher branca, acabaria de ter também como companheira uma negra a quem ensinou a ler e que o tinha ajudado a escapar. Com alguns flash-backs do julgamento em tribunal ao longo do enredo, a história culmina com a prisão do trineto, em 1948, após ser condenado por ainda ser 1/8 de sangue negro é assim ser impedido de casar com a noiva branca de sempre.

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3.3.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 337)


Treze jogos, onze vitórias — duas contra o Sporting, uma em Alvalade, uma contra o FCP, no Estádio do Dragão, uma por um histórico dez a zero ao Nacional da Madeira — um empate (Galatasaray) e uma derrota (Taça da Liga contra o FCP) depois, Bruno Lage agradece aos jogadores por todos os dias o tornarem melhor treinador. Se há alguém que merecia análises, compêndios, manuais, solilóquios e monografias sobre liderança era Bruno Lage. Até podia ser da Prime Books. Não precisa de gritar, ranger os dentes, bater com a mão no peito, injuriar árbitros, mostrar exacerbado entusiasmo, êxtase, emoção ou desespero, ser polémico para demonstrar ambição. O Benfica alcança a liderança do campeonato com uma equipa maioritariamente constituída por jovens portugueses (média de seis a sete titulares por jogo) da Academia do Seixal, jogando um futebol deslumbrante de matriz de ligações interiores e passes curtos, superando um atraso de sete pontos com nove vitórias seguidas. Liderar tem muito que se lhe diga, não é José Mourinho, Jorge Jesus, Sérgio Conceição, Bruno de Carvalho e tantos, tantos outros? "Gente forte, faz forte fraca gente" e outras merdas dessas.

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17.2.19

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (106)


La Madeleine à la veilleuse (c. 1640 - 1645)
Georges de La Tour (1593 - 1652)
Louvre

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16.2.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 336)


Depois do Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD), ou General Data Protection Regulation (GDPR), o governo português pretendia que as facturas que, em 2020, vão ser emitidas com um código de barras digital bidimensional em formato quadrado (QR), através do qual os contribuintes podem, por sua iniciativa, comunicar ao fisco as despesas de uma factura, ainda que não tenham pedido para colocar o NIF, para criar incerteza nos vendedores — ou seja, uma emboscada aos comerciantes — queriam que essas facturas descriminassem o que a pessoa comprou ou consumiu numa loja. Obviamente esta última bateu na trave. É pena que tenha sido com pouco estrondo. Entretanto, já em Julho vão ser comunicados os saldos bancários superiores a cinquenta mil euros. No limite o RGPD regulará os Fullen e Sequências.

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10.2.19

Cinefilia: "Em Transe" (2013)

[ 89 ] Danny Boyle fez mais um excelente filme, com um plot genial à custa de vários twists. Um leiloeiro de pinturas famosas, Simon (James MacAvoy) decide roubar a obra de Francisco Goya Bruxas no Ar (1798) — na realidade patente no Museu do Prado — para pagar as dívidas de jogo ao chefe de um gangue Franck (Vincent Cassel). Só que as coisas não correm como previsto e durante o assalto ao levar uma forte pancada na cabeça perde a memória. Para recuperar o paradeiro da obra roubada, que, neste caso, acabou na verdade por ser furtada, Franck recorre à hipnoterapeuta Elizabeth Lamb (Rosario Dawson) para previamente recuperar a memória de Simon. Depois de algumas cenas eróticas, violência explícita, o enredo desvenda que o apelido da hipnoterapeuta é todo ele um programa. E aquilo que todos pensavam tratar-se de uma amnésia não passou de uma manipulação psíquica para alcançar um determinado propósito. Em Transe (2013) deve ter sido das melhores coisas que se fizeram quer nesse ano, quer nos últimos anos, quer no argumento, quer na cinematografia. E deve ter passado despercebido a muito boa gente na voragem da actualidade.

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5.2.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 335)


[ 13.° Aniversário ]

Sempre que o Cristiano Ronaldo faz anos, o Quem Ousa Vence ( QOV ) também. Foi uma coincidência, se um tem o talento o outro tem a resistência. Hoje, o primeiro faz 34 anos e o segundo 13 anos. Parece pouco? Numa altura em que até a porcaria do Facebook está a perder notoriedade para merdas como o Instagram, Whatsapp, Tinder e assim sucessivamente, dá um gozo tremendo ter um cantinho muito próprio que se borrifa para a adesão que tem. É um pouco como aquele dilema antigo do apoio às artes criativas, conceptuais, ready-made, que não têm grande audiência. Se não tem audiência não se conseguem auto-sustentar e deverão ser subsidiadas? Por outro lado, se o Urinol do iconoclasta Marcel Duchamp e a Merda de Artista de Piero Manzoni foram um sucesso... Mas este é um blogue hidden in plain sight, não é à toa que, de vez em quando, surgem convites para escrever noutros blogues colectivos ou o testemunho de alguém que por aqui aparece. Com mais ou menos inspiração, com mais ou menos frequência, com mais ou menos proficuidade, vai continuar a ser actualizado. Não tem likes. Não precisa de feed-back. É em proveito próprio. Um tremendo gozo.

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27.1.19

Bibliofilia: "Dez Milhões e Um" (2018)


[ 142 ] Robert Sherman, Dez Milhões e Um (2018), Conjuntura Actual Editora, ed. Novembro 2018 (pp. 226). O ex-embaixador norte-americano revela uma profunda e genuína paixão por Portugal e os Portugueses, pela sua tolerância (brandos costumes) e simplicidade. Não deve ter sido confrontando com a inveja e mesquinhez. É impressionante a quantidade de iniciativas pessoais de diplomacia económica, quer do próprio, quer da cônjuge. Houve muito mais do que vídeos a apoiar a Selecção Nacional ou desfiles de motards de Harley Davidson. A questão da Base das Lajes foi a mais sensível, mas também é possível perceber que o Presidente da Região Autónoma dos Açores se comportou como o animal do seu tamanho que é símbolo da Rússia. No fundo, não é uma biografia, não são as suas memórias, mas é um relato da sua experiência em Portugal da convivência com um povo que mudou a sua vida e o preencheu. E também sobre liderança. E onde há carisma, há sempre liderança por influência.

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9.1.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 334)


As questões pessoais sempre na vanguarda em Portugal. O árbitro de futebol que mais depressa saca do cartão vermelho para expulsar o jogador por ofensa à sua pessoa do que por uma entrada violenta que coloca em causa a integridade física do adversário. O dirigente da empresa mais preocupado se o colaborador participa nas iniciativas sociais que ele organiza do que na eficiência ou eficácia do mesmo. A professora que se vinga e cava fundo na nota do óptimo aluno pela actuação disciplinar menos conseguida. Portugal mesquinho. Dos pequeninos.

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6.1.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 333)


Quem tem famílias grandes depara-se com esta questão em determinada altura. Os tios e as tias, na casa dos oitenta, começam a cair como tordos e cada recordação em vídeo das festas familiares do passado torna-se num episódio de Walking Dead. É impossível imaginar a angústia daqueles que se julgam os próximos da fila. E os cinquentões começam a projectar como será aquele viver permanente com a angústia da derradeira ceifada. Como disse Ruy de Carvalho, "todos os anos passamos pelo dia da nossa morte." Por isso, conhecendo a sua finitude, mas incapazes de prever a sua ocorrência, no aniversário há quem se embebede de "caixão à cova" ou o mais recatado e racional que opta por festejar os cinquenta numas férias paradisíacas em Florença, Praga, Copenhaga ou no regresso a Londres, acompanhado pelos herdeiros legais. Porque só se faz cinquenta anos uma única vez.

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29.12.18

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (105)


A concentração de luz é extraordinária em S. José, O Carpinteiro ( c. 1642 ). A vela realça as linhas da face de S. José e a sua gentileza. E a face iluminada de Jesus a sua natureza divina.

Georges de La Tour ( 1503 - 1652 ), S. José, O Carpinteiro ( c. 1642 )
Louvre

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28.12.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 332)


Hoje a agenda mediática criou a ideia peregrina que os bancos são casas de penhor que concedem crédito para executarem a hipoteca e não fazem a avaliação da taxa de esforço ( DSTI — Debt Service-To-Income ), nem recorrem à garantia pessoal dos fiadores.

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27.12.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 331)


Ele tinha um MBA do prestigiado INSEAD de Fontainebleau, proveniente duma família benzoca, casado com uma dondoca, maratonista de sucesso em condições extremas, executivo de sucesso numa PME, na casa dos trinta e muitos, pai de cinco filhos, sendo que duas das crianças vomitavam e desfaziam-se em diarreia, com os pais alienados no lufa-a-lufa do Natal ou embrenhado nas últimas no iPad. Uma semana antes do Natal, contrataram uma babysitter de dezassete anos que adoeceu com a bactéria ou vírus das pobres crianças de pais sofisticados. Na véspera de Natal, contrataram uma babysitter de dezoito anos que passou a consoada com a bactéria ou vírus das pobres crianças de pais sofisticados. Depois do Natal, adoeceu a mãe da babysitter com a bactéria ou vírus das pobres crianças de pais sofisticados. Famílias modernas.

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26.12.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 330)


Poucos conhecerão que as origens do Boxing Day estão ligadas ao dia em que um homem sentiu-se aliviado pela mulher indisposta ter desistido de ir às compras, mas, para frustração do mesmo, ficou todo o dia a ver TV, na única box disponível da casa, impedindo-o de assistir à jornada mais famosa da Premier League.

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25.12.18

Efeméride: Espuma dos dias (33)


A Santa Família, com Santa Isabel e o pequeno S. João Baptista, a quem Jesus ainda criança entrega uma cruz feita de canas ( c. 1630 ).

Jacques Blanchard ( 1600 - 1638 ). Louvre.

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