Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817-1862) Ano III

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (150)


“Ir ao médico e ser roubado, sem ser no preço da consulta.” Extraordinária frase, pesada de ironia e sarcasmo, carregada de demagogia, que poderia ter sido proferida por um taxista, um utente descontente com o seu Centro de Saúde, um paciente insatisfeito com o seu médico, um elemento dos Gato Fedorento num qualquer esmiuçadinho, um simples twitter ou um comentário de blogue, um frequentador de tasca manifestamente embriagado, um orangotango em estado terminal ou a Conceição Lino no programa Nós Por Cá da SIC.

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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (149)


Boas notícias. O It’s Garry Shandling’s Show (abaixo) foi lançado em DVD, no passado dia 20 de Outubro, como o próprio revelou no The Tonight Show with Conan O’Brien da NBC. Aliás, para falar verdade, nem sei de qual gosto mais, do Late Show with David Letterman da CBS? Do Late Night with Jimmy Fallen da NBC? Ou do The Daily Show with Jon Stewart da Comedy Cable? Ou da expressão E Pluribus Unum (p. 567), "de muitos, um só", n'O Símbolo Perdido, que me lembra algo que agora não me apetece referir. Logo se vê.



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domingo, 8 de Novembro de 2009

Bibliofilia: "O Símbolo Perdido"

Dan Brown, O Símbolo Perdido, Bertrand Editora, Outubro 2009 (pp. 571). Muito já foi dito sobre a obra, e também aqui, a personagem principal continua a ser a mesma, Robert Langdon, historiador e simbologista de Harvard. Desta vez, acompanham-no outras três personagens relevantes como o maçom Peter Solomon, a irmã cientista noética Katherine Solomon, bela aos cinquenta anos, e a irascível directora do Office of Security da CIA Inoue Sato, de quem durante longas páginas recai a suspeita de estar em conluio com o génio do mal, Andros, Mal’akh ou, na verdadeira revelação, Zachary Solomon, o filho de Peter julgado assassinado numa prisão turca. Depois de Roma, Paris e Sevilha, agora Washington. Há a habitual dose de símbolos por descodificar e anagramas, referências a obras de arte como a Apoteose de Washington (1865) de Constantino Brumidi e a Melancolia I (1514) de Albrecht Dürer, modernices como o iPhone, o BlackBerry, o acto de “googlar”, o uso e abuso do estafado itálico e uma “gralha” na p. 220. Mas talvez mais interessante dos que os rituais maçónicos sejam as revelações de que, como o pensamento tem massa, é uma coisa real, mensurável, tangível, e se exerce então gravidade, pode atrair coisas, boas ou más. (Rhonda Byrne, O Segredo). O pensamento focalizado massificado pode alterar o rumo dos acontecimentos e moldar o destino, pode ser convicção, fé, crença. Pode curar. Ou, como termina o livro, publicado no ano que Barack Obama chega à Casa Branca, pode ser esperança.

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sábado, 7 de Novembro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (148)


Horrorizado, recebo uma chamada no telemóvel do Jorge Jesus a convidar-me para o Benfica – Naval 1.º de Maio da próxima segunda-feira, quando tenho ainda bem presente o que se passou com o pioneiro dessas gravações que tinha quatro meses a mais no clube onde estava.

Qual o melhor treinador para o quase extinto Sporting?
Paulinho Cascavel
Ralph Meade
Cadete
Sa Pinto
Iordanov
Balakov
Fernando Mendes
Vidigal
Stan Valckx
Luis Figo
Venancio
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Cinefilia: "Geronimo: An American Legend" (1993)

Um apache, para quem o silêncio era um prazer, conseguia estar 48 horas sorvendo água de cactos, cavalgava até à morte e depois comia o cavalo. Goyakla (Wes Studi), ou Geronimo (1829 – 1909) para os mexicanos, foi o mais aguerrido apache chiricahua. No filme apenas confia cegamente no experiente tenente Charles Gatewood (Jason Patric) – homem que, segundo o chefe dos batedores índios Al Sieber (Robert Duval), “não gostava de quem defendia e não odiava quem combatia” –, moderadamente no jovem neófito segundo-tenente Britton Davies (Matt Damon), e a espaços no famoso General George Crook (Gene Hackman), conhecido pelos apaches como Nantan Lupan e que viria a ser substituído pelo menos idealista e também redutoramente confiável General Nelson Miles. Os apaches, ao contrário de outras tribos norte-americanas, não eram guerreiros de planície, mas das montanhas. Geronimo: An American Legend (1993), realizado por Walter Hill, é uma versão light da verdadeira lenda que era Geronimo (em castelhano) tão poeticamente retratado no livro de Forrest Carter, Procurem-me nas Montanhas.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (6)


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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (147)


Paulo Bento tinha carácter, era íntegro, firme, tinha convicções, nutria um amor e dedicação ao Sporting incomensurável, tinha a solidariedade da direcção, o apoio de muitos próceres da nação sportinguista, o reconhecimento dos notáveis pelos resultados alcançados em comparação com o reduzido investimento na equipa, mas, como qualquer Quique Flores, quatro anos e meio, duas Taças de Portugal, duas Supertaças, três participações na Liga dos Campeões depois e quatro meses a mais, também foi demitido, porque, quer queiram quer não, o futebol é irracional e o Sporting é um clube de futebol e não há presidente, nem massa associativa mais erudita, mais aristocrata, mais elitista, que sobreviva sequer a empates. Não, não são diferentes dos restantes. Porque, tal como cá, lá do outro lado do Atlântico, a Maitê Proença ainda continua a descobrir coisas "esquisitas", quando já saiu a Ler e, como diz o outro, “eu com ela”. Chove, e o ouro segue em alta, tal como o défice. Tempus fugit.

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quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (146)


Às páginas tantas, que é como quem diz na página 430, parecia que o Langdon iria finar-se. Pensei: “querem ver que vamos ficar entregues só ao Tomás Noronha?” Mas, o Langdon não se finou, antes se confinou. Confinou-se, na página 466, a um tanque de “perfluorocarbonos oxigenados”, também chamado “Ventilação Líquida Total (VTL)”, ou seja, “líquido respirável”. Está cada vez mais engraçado este Dan Brown. É ele e os Toffees, ou, se quiserem, os Blues, que de Goodison Park pediram doze mil euros às nossas rádios pelo relato dos passes de tango do quarteto Di María, Aimar, Saviola, Cardozo. As nossas rádios não foram, relataram via transmissão televisiva, e revelaram assim a “face oculta” da crise. Não de Liverpool, mas de Londres, o dr. Vale e Azevedo manda saudades através do adiamento do processo de extradição, porque não conseguiu ainda encontrar advogado de defesa. O BCE reuniu hoje mais uma vez para deixar tudo como estava e, assim de repente, já não há tiros na favela de Jacarezinho, nem em Alvalade. O défice segue em alta. E assim sucessivamente.

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domingo, 1 de Novembro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (145)


Três dias e 332 páginas depois. Curiosa ajuda a do taxista árabe Omar Amirana à equipa da CIA e o receio que Langdon e Katherine Solomon transportassem uma bomba na mochila que levaram para o interior do táxi. Extraordinário esse colosso personagem, Andros, o génio do mal da história, que personifica o anjo Moloch da obra de John Milton, Paraíso Perdido/Paradise Lost (1667), agora Mal’akh, com todo o corpo coberto de tatuagens – o peito com uma fénix bicéfala – à excepção da fontanela, castrado e em jejum há vários dias. Rico, fruto do assassinato na prisão turca e posterior roubo da fortuna herdada pelo filho de Peter Solomon. Luta-se por uma pirâmide de trinta centímetros e uma pedra de fecho de cinco. Ambas agregadas representam um mapa, um portal, uma porta, apontam para o local onde estão escondidos os Mistérios Antigos, o segredo mais bem guardado da humanidade: a “sabedoria das eras”. Já sobre as personagens femininas, Inoue Sato não podia de facto ser a heroína e parceira de Langdon nesta aventura, mas enganam-se aqueles que não apostavam na bela Katherine Solomon por causa dos seus cinquenta anos. Também há um pouco de Saramago nesta história: “Porque os cristãos, na sua maioria, querem ter tudo. Querem poder declarar orgulhosamente que acreditam na Bíblia e ao mesmo tempo ignorar simplesmente aquelas partes que acham demasiado difíceis ou demasiado inconvenientes para se acreditar nelas (p. 230).” E há a uma soberba descrição da obra de Albrecht Dürer (1471-1528), Melancolia I (1514) que “consistia numa figura pensativa, com asas imensas, sentada à frente de um edifício de pedra, rodeada pela mais diversa e bizarra colecção de objectos imaginável – instrumentos de medida, um cão esquelético, ferramentas de carpintaria, uma ampulheta, vários sólidos geométricos, um sino pendurado, um putto, uma espada, uma escada. (...) Uma representação do ‘génio humano’ – um grande pensador de queixo na mão, parecendo deprimido, ainda incapaz de alcançar a iluminação. O génio está rodeado por todos os símbolos do seu intelecto humano – objectos de ciência, matemática, filosofia, natureza, geometria, até de carpintaria – e, no entanto, não é ainda capaz de subir a escada para a verdadeira iluminação. (...) Simbolicamente, (...) representa a tentativa falhada da humanidade de transformar o intelecto humano em poder divino. Em termos alquímicos, representa a nossa incapacidade de transformar chumbo em ouro (p. 298).”

Qual destas personalidades poderia ser um genio do mal maior que Mal'akh?
Maite Proenca
Paulo Bento
Jose Saramago
Domingos Paciencia
Dr. Armando Vara
Manuel Pellegrini
Dr. Pedro Passos Coelho
A entrada para o tunel do Estadio do Braga
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sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (144)


“Esta Rotunda foi outrora dominada por uma gigantesca escultura de George Washington em tronco nu... retratado como um deus. Sentado exactamente na mesma pose de Zeus no Panteão, o peito nu exposto, a mão esquerda empunhando uma espada, a direita erguida com o polegar e o indicador estendidos. (...) Quando a estátua de Horatio Greenough retratando um George Washington nu foi inaugurado na Rotunda, muitos troçaram dizendo que Washington devia querer alcançar os céus numa tentativa desesperada de encontrar roupa.” (Dan Brown, O Símbolo Perdido) Tal como a implacável Inoue Sato, directora do Office of Security da CIA, aceitei a sugestão de Robert Langdon, e “googlei” "George Washington Zeus", mas não no BlackBerry dessa “hirsuta tempestade de mulher que se elevava a uns simples metro e quarenta e sete. [E cuja] estrutura óssea era delicada, com feições angulosas e um problema dermatológico conhecido como vitilingo, que dava à sua pele o aspecto de granito em bruto machado de líquenes. [E o] seu fato azul amarrotado assentava-lhe como uma saca larga, a blusa decotada nada fazia para esconder a cicatriz que lhe atravessava o pescoço. Fora notado pelos seus colegas que a única concessão de Sato à vaidade física parecia ser a de depilar o seu substancial bigode.” (op. cit.)

Qual a obra de referencia desta rentree?
"Caim", Jose Saramago
"The Lost Symbol", Dan Brown
"Furia Divina", Jose Rodrigues dos Santos
"Asterix e Obelix - Os Anos de Ouro"
"Fenomenologia do Ser", Pedro Passos Coelho
"Gulag", Rita Rato
Benfica 5 - Everton 0
Alcorcon 4 - Real Madrid 0
  
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quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (143)


Depois de dezoito anos de experiência, descobri que “a origem da gravata remontava à fascalia de seda usada pelos oradores romanos para aquecerem as cordas vocais, [e que] etimologicamente cravat derivava na verdade de um bando cruel de mercenários ‘croatas’ que punham lenços de pescoço atados com um nó antes de partirem para o combate. Até hoje, este antigo acessório de batalha continua a ser usado pelos modernos guerreiros de escritório, que esperam assim intimidar os seus inimigos nas batalhas travadas diariamente em salas de reunião.” (Dan Brown, O Símbolo Perdido) Não consigo é perceber como o simbologista de Harvard Robert Langdon consegue nadar dois mil e quinhentos metros diariamente e, neste caso, às quatro e quarenta e cinco da manhã de um domingo.

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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (142)


De como o erro pode custar caro: “(...) o célebre selo de correio aéreo de vinte e quatro cêntimos, de 1918, que diziam valer três mil e quatrocentos dólares, no qual o aeroplano representado no centro, o Flying Jenny militar, está invertido, e depois desse os três famosos selos da edição da Exposição Pan-Americana de 1901, que também tinham sido erradamente impressos com a parte central invertida e valiam mais de mil dólares cada.” (Philip Roth, A Conspiração Contra a América)

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terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (141)


Depois de um longo interregno, devido aos jogos de apuramento para o play-off do Mundial 2010 e da eliminatória da Taça de Portugal, o Benfica – Nacional da Madeira. Oportunidade de exercer o direito de opção na Benfica TV, esse canal, tão especial, que trata o Fábio Coentrão por “Fabinho Coentrão”, já que a anterior transmissão, esse pentagrama Benfica 5 – Everton 0, havia sido também em sinal aberto na generalista SIC. Começa o jogo. Começa a transmissão áudio. Com dois senhores da Benfica TV de braços cruzados – alternando com o presidente Luís Filipe Vieira –, eternamente na imagem, a relatarem o encontro que decorria em sinal fechado na Sport TV. Nem à Maitê Proença. Houvesse um "precog" em cada casa, e evitariam que eu me transformasse num potencial John Anderton ou ainda posasse, tal e qual uma Mimi Rogers, para a Playboy, que isto não vai lá com a dianética. É possível acabar com os lugares sentados na Luz e voltarem os “bilhetes para o peão, nem que sejam de pé?" Poupávamos mais as pernas.

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segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (140)


O historiador e criptanalista Tomás Noronha, qual Asafa Powel, anda numa Fúria Divina para bater na légua Robert Langdon que partindo atrasado, qual Usain Bolt, não lhe dará a mínima hipótese. No fundo, fica tudo entre historiadores, criptanalistas e jamaicanos. Porque “o caminho do engano nasce estreito, mas sempre encontrará quem esteja disposto a alargá-lo, digamos que o engano, repetindo a voz popular, é como o comer e o coçar, a questão é começar” (José Saramago, Caim). Continuando nos historiadores, Manuel Ros Agudo (47 anos), historiador e investigador espanhol, estudou o Plano de Campanha n.º 1 (34) elaborado pelo Alto Estado-Maior (AEM), no segundo semestre de 1940, dando conta da seguinte afirmação de Serrano Suñor, ministros dos Assuntos Exteriores espanhol, ao seu homólogo alemão, esse homem de pactos, Joachim von Ribbentrop, em Setembro de 1940: “(...) ninguém pode deixar de se dar conta, ao olhar para o mapa da Europa, que, geograficamente falando, Portugal na realidade não tinha o direito de existir. Tinha apenas uma justificação moral e política para a sua independência pelo facto dos seus quase 800 anos de existência” (Público, 23 10 2009). E mais nada. Mais nada não, livremo-nos de fazer uma interpretação literal do que Jesus disse, porque, tal como o actual governador da Califórnia, há que malhar neles, Ou teria sido...

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domingo, 25 de Outubro de 2009

Bibliofilia: "Caim"

José Saramago, Caim, Editorial Caminho, Setembro 2009, pp. 181. Deus na sua infinita misericórdia ensinou-nos a ser tolerantes, e o último romance de Saramago é uma sátira à Bíblia escrito da forma magistral que nos habituou e que nem sempre reúne o consenso. Caim, a personagem principal da história, filho primogénito de Adão e Eva - cuja “rotina conjugal, agravada, no caso destes dois, pela nula variedade nas posturas por falta de experiência, já então se demonstrou tão destrutiva como uma invasão de carunchos a roer a trave da casa” (p. 14) –, mata Abel, o irmão, por ciúme a Deus. Carregado de ironia, com anjos de asas com avarias mecânicas, não merecia tanta polémica, porque “como tudo, as palavras têm os seus quês, os seus comos e os seus porquês. Algumas, solenes, interpelam-nos com ar pomposo, dando-se importância, como se estivessem destinadas a grandes coisas, e, vai-se ver, não eram mais que uma brisa leve que não conseguiria mover uma vela de moinho, outras, das comuns, das habituais, das de todos os dias, viriam a ter, afinal, consequências que ninguém se atreveria a prever, não tinham nascido para isso, e contudo abalaram o mundo.” (p. 55) Soubessem todos os outros rir-se de Saramago e soubesse Saramago também rir-se de si próprio, porque “mesmo a inteligência mais rudimentar não teria qualquer dificuldade em compreender que estar informado sempre será preferível a desconhecer, mormente em matérias tão delicadas como são estas do bem e do mal, nas quais qualquer um se arrisca, sem dar por isso, a uma condenação eterna num inferno que então ainda estava por inventar” (p. 15).

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sábado, 24 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (139)


Enquanto o João Malheiro descansa, assisto ao Liverpool 1 – Manchester United 2, de 9 de Novembro de 2003, na ESPN (i esse pi ene) Classic, the world’s cups FIFA, quando o Liverpool ainda jogava com ingleses, o Man Utd não tinha o CR7 e o CR7 ainda não era CR9, nem ala Madrid, nem “mãe soltem os fogos”. Porque “(..) embora ultimamente o seu interesse fossem os rostos verdadeiros. (...) Sempre (...) se instalava em qualquer lado com o seu grande bloco de desenho com lombada em espiral e a sua lapiseira e começava a esboçar as pessoas que se encontravam perto. (...) O truque para fazer aquilo residia no facto de ele ser o rapaz calmo, sério e simples que era.” (Philip Roth, A Conspiração Contra a América) Sendo que o novo romance de Saramago sai a cinco euros o parágrafo e não é porque o livro seja caro.

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In Limine: Assim tudo começa (5)

“Quando o senhor, também conhecido por deus, se apercebeu de que adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso dos acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama.”

José Saramago, Caim

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sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (138)


Enquanto se escalpeliza a época de 58/59 na TV Benfica, há quem ande perturbado porque “que graça tem estar a ganhar por três ao quarto de hora? Que sentido faz um adepto ter de pedir ao companheiro do lado que lhe ausculte o peito, a ver se o coração continua a bater? Não há resultado tangencial que o sobressalte, um contra-ataque perigoso que o faça palpitar, uma bola na trave que o obrigue a dar sinal. O Sr. Jorge Jesus e os seus pupilos têm consciência das dores musculares com que um ser humano fica quando é forçado a levantar-se de um salto oito vezes no espaço de uma hora e meia? Eu pago para ver futebol, não é para fazer aeróbica. Aviso já que vou passar a levantar-me apenas de três em três golos, uma vez que não tenho preparação física para acompanhar esta equipa.” E, além disso, a sessão de ontem encerrou a desvalorizar com o índice a cair 22 pontos, uma perda de 40%, face à sessão anterior, corrigindo dos fortes ganhos semanais e sobretudo pressionado pela queda dos “pesos pesados” que inverteram a tendência na penúltima sessão da semana. Depois de uma semana de fortes ganhos regressaram as perdas, o que para a maioria dos investidores e analistas representa apenas uma correcção técnica e até salutar, embora exista um ponto de resistência na linha dos 60 pontos que, se for testada, poderá quebrar os 75 pontos no médio prazo e até alcançar a linha dos 80 pontos no longo prazo do Sitemeter deste espaço.

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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (137)


E finalmente chegou o dia. Depois dos concursos sobre a gloriosa história do Benfica, depois das visitas a todos os cantos e esconsos do Estádio da Luz, depois das apresentações de programas do João Malheiro, depois das várias entrevistas a notáveis benfiquistas, depois das reportagens sobre eclécticos desportos, depois dos saraus de ballet, depois das apresentações de programas do João Malheiro, depois da ginástica desportiva, depois do futsal, depois das apresentações de programas do João Malheiro, depois do Couratos e Bifanas, depois de Os Gloriosos- Especial Zoo, depois das apresentações de programas do João Malheiro, depois do Canela Até ao Pescoço: o Benfica 5 – Everton 0, em directo, para a Liga Europa, ex-Taça UEFA, transmitido pela Benfica TV. E, em sinal aberto, pela SIC, também... E a Bíblia, e o Abel, e o Caim, e agora até no Panorama BBC dedicado à corrupção internacional termina com um senhor árabe a dizer que é assim desde o tempo de Adão e Eva, mais “as primeiras doses da vacina contra o vírus H1N1 serão administradas a profissionais que desempenhem funções essenciais”, mas com a taxa de desemprego quase nos 10% vêm à consignação. Já ninguém fala na Maitê, nem no Ariel Sharon.

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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (136)


Ele é o Astak Mentor com ecrã de 6 polegadas, é o Nook da Barnes & Noble, é o Kindle – que não é delícia – da Amazon, é o Que da Plastic Logic, o Alex da Spring Design, e assim sucessivamente, tanto lixo electrónico, tanta bugiganga tóxica, “tantas aspas envoltas em itálico em tempo de redundância”, já que não temos abundância, depois queixam-se das mortgage-backed securities (MBS), das collaterized debt obligations (CDO), dos credit defaults swaps (CDS), e disto e daquilo e daqueloutro, e assim sucessivamente. E com a primeira chuvada em Lisboa, andam os patos com as fuças em aquaplaning e as trombas d’água, na multa ao estacionamento, no excesso de velocidade e no alcoolímetro, e assim sucessivamente.

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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (135)


A indignação pelo Philip Roth nunca ter ganho um Nobel da Literatura, está para a indignação do Lionel Messi ainda não ter ganho o prémio da France Football. “A Bíblia é um manual de maus costumes e um catálogo do pior da natureza humana.” Foi o nosso maior marketeer, José Saramago, que o disse, quiçá poderia ter sido a Maitê Proença. Mas esta, como não lê, só escreve, tem um álibi mais que suficiente quando o escalpe volta a ser muito procurado, o que no primeiro caso não seria propriamente motivo para grande açambarcamento. Diz o madrileno Javi García que “Jesus está atento a todos os detalhes”, e Caim poderá atirar com Saramago para La Palma ou El Hierro, já que faltam apenas dez dias para Robert Langdon, ou Trober Danlong, ou Bertro Anglond, ou outro qualquer anagrama, chegar via Washington, carregado de coelhos do “filho de Bonacci”, esse Fibonacci, e do Homem de Vetrúvio, de pentagramas, e ambigramas, e algoritmos, e acrónimos, e a constante real algébrica irracional denotada pela letra grega phi e com o valor arredondado a três casas decimais de 1,618, e tudo, e tudo, e tudo.

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domingo, 18 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (134)


Talvez uma das últimas vezes que percebi o significado da sofisticação foi quando soube pelo 60’ da CBS que o irmão de Bernard Madoff – este último que tinha uma estatueta, parecida com uma pirâmide, ao lado da sua secretária, denominada de Tramóia Súbtil – investiu 14 dólares e reaveu 16 milhões poucos anos depois. Já a subtileza de Sultan Kosen está em limpar os tectos de casa de sua mãe, porque não fosse a língua e os Portugueses e Brasileiros teriam muito em comum. É assim, Jenson Button em ano de efemérides: quarenta anos da viagem à Lua (1969); sessenta anos da República Popular da China (1949); setenta anos do início da II Guerra Mundial (1939); vinte anos da queda do Muro de Berlim (1989).

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Iconografia: Breve volta pelo mundo (1)


Um polícia espera junto a um veículo blindado que patrulha a favela de Jacarézinho, no Rio de Janeiro, depois de ontem os traficantes de droga terem abatido um helicóptero e incendiado cinco autocarros e uma escola. Fotografia. Ricardo Moraes/Reuters.


Um rapaz faz uma vénia a uma vaca, símbolo materno dos hindus, como sinal de devoção e respeito durante o Gaitihar, que ocorre ao terceiro dia dos cinco que compõem o festival Tihar, em Katmandu, no Nepal. Fotografia: Shruti Shrestha/Reuters.


Dois trabalhadores descansam em frente das lojas encerradas de um mercado local no leste da cidade indiana de Calcutá. Fotografia: Jayanta Shaw/Reuters


Numa celebração de imigrantes peruanos em Itália, uma crente queima incenso durante a procissão do Senor de los Milagros, enquanto o Papa Bento XVI dá a oração do Angelus no Vaticano. Fotografia: Alessandro Bianchi/Reuters


Um polícia britânico empurra um activista mascarado de palhaço durante uma manifestação de protesto, promovida por ambientalistas, na Central de Energia de Ratcliffe. Fotografia: Darren Staples/Reuters

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sábado, 17 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (133)


Quando o Benfica precisou de dois David Luíz, com a camisola 23, para conseguir ganhar, por seis a zero, ao Monsanto de Alcanena, com grande gáudio da TVI, continuo eu emperrado no meio desses manos Karamazov à espera do Caim, da maçonaria de Washington e com ganas de conspirar contra a América que nada tenha a ver com Michael Moore. Parece que Gabo viu a celebração do nonagésimo aniversário, com uma noite de sexo selvagem com uma virgem adolescente, boicotada pelas trezentas e quarenta e cinco mil setecentas e vinte e nove audiências do processo Casa Pia que começou apenas em 2003. Ah, há dias que me sinto importante ao recordar o canudo assinado por S. Exa. o presidente da Comissão Europeia e ao ouvir falar dessa colega cheia de predicados que dá pelo nome de Leonor Silveira. Tomem lá e embrulhem, neste Outono que parece Verão. Suspeito que ando a ser seguido, mas pode não passar apenas duma simples suspeita.

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sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Bibliofilia: "Nas Bancadas"

John Grisham, Nas Bancadas, Rocco/Temas e Debates, 1.ª ed. Julho 2004, (p. 134). O ex-quarterback Neely Crenshaw, quinze anos depois de partir, regressa a Messina e, de terça a sexta-feira, percorre todas as memórias da sua adolescência marcadas pelo seu talentoso desempenho como jogador de futebol americano na equipa local, enquanto aguarda pelo último suspiro do seu antigo e carismático treinador Eddie Rake, cuja forte, dura e vincada personalidade marcou os mais de setecentos jogadores que ao longo de mais de trinta anos foram treinados por si. Neely Crenshaw, que uma brutal lesão põe fim à carreira, consegue ajustar contas com o passado, afugentar os fantasmas que o ensombravam e assim fazer as pazes com as suas memórias. John Grisham num estilo diferente da habitual sala de tribunal, dos júris e juízes, dos grandes negócios das corporações, como já havia sido n’O Natal de Mr. Krank.

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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (132)


Enquanto o iPhone da Apple, que para muitos, mas não para o Steve Jobs, foi buscar o símbolo à morte, aos 42 anos por envenenamento, desse génio matemático homossexual que deu pelo nome de Alan Touring, desfaz a todo-poderosa Nokia, coloca-se a questão de saber o verdadeiro significado da, cada vez mais usada, desmultiplicação, porque se o pretendido é difundir, espalhar, disseminar, espargir, derramar e multiplicar, não será este o seu contrário, tal como despoletar está para espoletar? E tal como o Woody Allen está para os muros do Rio de Janeiro, pois eu ainda sou do tempo da Linda Evangelista, do Wonderbra da Eva Herzigova, da Naomi Campbell, da holandesa Karen Mulder, da alemã Claudia Schiffer, porque há coisas neste mundo que nunca se esquecem como os três do Brasil de Zico, Sócrates, Serginho, Falcão e Júnior a um da Argentina de 2 de Julho de 1982, qual mil nove e oitenta e quatro de Orwell qual quê. “Hablen ahora. Qué la sigan chupando” Dieguito. Futebol e gajas. Upa, upa sitemeter.

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quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (131)


Crítica/recensão literária: A “colaboração activa das circunstâncias [e] um consenso fortuito entre os contemporâneos e posteridade (...) de renunciar à perfeição formal que o apetite artístico contemporâneo se habituou a reconhecer e aspirar a uma inclusividade alarve, com todo o seu lastro de protótipos, patentes, rejeições e fiascos, (...) [e] a vitalidade imaginativa e a fluência acidental, (...) antes de a disciplina formal transbordar e se tornar simples logorreia (...) [tão] densa e coerente, tão repleta de cruzamentos de personagens e interpretações simbólicas e temáticas (...) [de] caótica meditação (...) [e de] afirmação de centralidade (...) da capacidade digressiva de um dos seus modelos implícitos (...) [e] mais do que um avatar (...), que vão confluindo numa rota inexorável para o mesmo ponto (...), com a sua promessa apenas parcialmente de resolução, a textura volta a modificar-se; a narrativa, apesar da profusão de tangentes e digressões, ganha um fio condutor, e a prosa torna-se mais expansiva. (...) Parece ter sido escolhida como confluência apocalíptica por não aderir estritamente às explicações sociológicas da violência (...) [e) desapareça como foco de introspecção: torna-se uma cifra, a eminência reclusa estudada e perseguida pelos críticos da primeira parte, absorvida pela memória colectiva (...) [e] transforma-se numa reputação autónoma, um verdete depositado pela História na sua individualidade, uma reputação que em nada representa a sua tumultosa biografia (...) [e] incorpora a ideia do desejo crítico obsessivo, mas fá-lo através de experiências demasiado viscerais e dolorosas para pertencerem ao domínio abstracto da Teoria. Neste sentido, dá forma a um profundo cepticismo ético (...) sobre a prática a que se dedicou: uma suspeição, (...) apesar da sua centralidade na experiência humana, seja apenas um santuário amnésico onde se faz pouco mais do que ignorar o Apocalipse. (...) [Porque] a sabotagem é suportada por uma estranha técnica narrativa e descritiva, que não pretende transportar ou propulsionar, mas atordoar; não apresenta um trilho, ou sequer uma sucessão de padrões, mas sim um caleidoscópio amnésico, uma panóplia de referências pictóricas (...) cuja capacidade para a evocação visual deve menos à memória e à precisão do que às vacilações do temperamento.” Não é? Vou ali e já venho.

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terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (130)


Há o quarterback que dá início às jogadas ofensivas e decide as jogadas dentro do campo, o playmaker, o número dez, o Rui Costa, o “maestro”, e há os jogadores de fundo, linebackers, que formam a segunda linha da defesa e são mestres na placagem, depois há também os gigantes linemen que, quando a equipa defende, impedem o médio de abertura de marcar e, quando a equipa ataca, fazem placagens aos defesas adversários, e ainda os chitas velocistas, receivers, os Usain Bolts, que correm ao longo das alas para apanharem as bolas, mas também os backs atacantes que correm e recebem passes e, finalmente, quem seja tão ou mais poderoso que Barack Obama como a Meredith Whitney, que, quando quer, arrasa, touchdown, ainda que sem Nobel da Paz, ou como a santa aliança entre o iPhone e a Pepsi no manual de piropos. É barrar um tacho com manteiga, pôr tudo 10’ em lume brando e juntar duas pedrinhas de sal, porque quinta-feira é dia de Caim e José Saramago, e é de evitar macacos, tigres, leões, chimpanzés e a Maité Proença. Cheque Maitê. This Was It.

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segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (129)


Ontem, às 18:45 horas, munido de bicicletas e skates, que eu levo muito a sério estas coisas do dia da reflexão, ou seria genuflexão?, chego à secção de voto A-505, e, três filas de mais de vinte e cinco pessoas e 30º de temperatura depois, desisto da opção de ter de escolher entre um condenado, um promissor apparatchik, uma comentadora de política europeia, um imberbe adolescente cheio de barba e alguém que nunca cheguei a ver, nem em cartaz, nem na sala de cinema. Portanto, ponto de situação: fiquei de fora dos 5 532 575 que votaram, mas ainda pertenço aos 9 376 402 eleitores. Passo a pagar portagem nas rotundas. Glasnost. Há quem nasça torto mas vá a tempo de endireitar-se. All's well that ends well. Honrarias a Corto Maltese e a todas as voltas que deu enquanto Tigre de Mompracem porque o recorde de Michael Jackson foi batido por Edgar Allan Poe. This Is It.

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domingo, 11 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (128)


Como se diria nos idos, é por essas, Liedson a marcar novamente na Luz e a ser aplaudido por todo o estádio, e por outras, a possibilidade de Bruno Alves poder marcar na Luz e ser aplaudido por todo o estádio, que prefiro ver o o Real Madrid vs. Marselha, para a Liga dos Campeões, em diferido na RM TV, o Barcelona vs Sporting Gijón, em diferido na Barça TV, e o Inter vs. Génova, do período Mancini a.M., em diferido na Inter TV, e também a entrevista ao Toni, ao vice-presidente Gomes da Silva e o João Malheiro a apresentar um concurso, na Benfica TV. Tivesse a selecção Neely Crenshaw, esse quarterback retirado que volta a Messina quinze anos depois de ter partido, e logo quando estes Beach Boys pretendem seguir a obra de George Gershwin e aqueles irlandeses que compuseram uma melodia dedicada ao SCP, qualquer coisa como Sunday Bloody Sunday, estão de volta a Coimbra, e os resultados certamente teriam sido outros.


Porque outros são também os tempos onde havia verdadeiro jornalismo de investigação com o Bob Woodward, o Carl Bernstein e o Washington Post, que passaram ontem à noite pela RTP2, mais a tomada de posse, a 15 de Fevereiro de 1975, da filha do merceeiro que dava pelo nome de Margareth Thatcher, e era Dama de Ferro para os russos, no canal História, e porque hoje foi dia de blockbuster, uma vez que não há político, seja líder partidário ou candidato, que passe sem ir ao cinema, depois do almoço em família, não se esqueçam do novo álbum da dupla Astérix e Obélix se não querem que o céu lhes caia em cima, por toutatis.

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sábado, 10 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (127)


O galês Ken Follett (n. 1949), de Os Pilares da Terra (1989) e de Um Mundo Sem Fim (2007), disse ao criador do Tomás de Noronha, que dá pelo nome de José Rodrigues dos Santos, que prefere os franceses da época vitoriana como o Balzac, Zola e Stendhal. Como não me esqueço do que o Sylvain Wiltord e o Abel Xavier fizeram a Portugal no Euro ’00 e o Zinedine Zidane no Mundial ’06 prefiro os russos, Tolstói, Dostoiévski, Gógol e a Luana Piovani. Há fortes possibilidades duma password de gmail como porTugal3hungRia1, embora não sendo um anagrama ou um ambigrama do Robert Langdon, mas sendo alfanumérica, ser considerada very strong. Tão ou mais que portUgal2hunGria3\#”!/)&%?*$(:-{. Nu vi er alle danskere e o ouro segue em alta.

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Bibliofilia: "Cadernos do Subterrâneo (1864)"

Fiódor Dostóievski, Cadernos do Subterrâneo, Assírio e Alvim, Dezembro 2000, pp. 189. Este homem começa por dizer-nos que é um homem doente e mau. Pensa estar doente do fígado e avisa logo a navegação que não é simpático. Nem ele, nem a obra, que é um longo e sombrio monólogo duma profunda incursão às profundezas de um perturbado ser humano acossado e assolado pelas suas crises, fraquezas e humilhações. Porque “o homem é um ser volúvel, inconsequente, e talvez, como jogador de xadrez, apenas tenha prazer nos meios e não nos fins em si mesmos: quem sabe (ninguém poderia demonstrar o contrário) se o fim para que a humanidade propende consistirá apenas nesse incessante esforço para chegar, por outras palavras, na vida em si própria e não no fim” (p. 35). Existe uma outra edição com tradução de Natália Nunes sob o título A Voz Subterrânea da Quasi Edições.

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sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (126)


Submetido à misantropia (1) causada pela Benfica TV, onde por entre quatro estatísticas, três entrevistas e nove relatos de conquistas passadas ainda não fui presenteado com nenhum jogo, em directo ou diferido, “ai, ai, ai, ai, ai, ai que raio de democracia é esta?”; (2) causada por vários outros clubes de futebol dignos de interesse, denominados pela grelha (ou será gralha?) de cinco maiores clubes europeus, a saber: Real Madrid TV, Barça TV, ManUtd TV, Chelsea TV e Inter TV, constato ao meio dia e trinta e um, tal como previsto, que um foguetão foi lançado contra a lua para, segundo o senhor da SIC Notícias, “abrir uma cratera do tamanho duma piscina olímpica”, logo a existência do ser pressupõe tal empreitada a cargo do Hezbollah, da Jihad Islâmica ou da NASA quando a cratera rompe na White House, originando que este comité esteja para o mundo, para este Mundo, como o Miguel Veloso esteve para Alvalade XXI na época 2008/2009, seguir-se-á o tal Nobel da Economia, que aparentemente não existe, para Alan Stanford ou Bernard Madoff.

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Iconografia: Caçador de pormenores (1)

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In Limine: Assim tudo começa (4)

Ao entardecer de um dia muito quente de inícios de Julho, um jovem saiu do cubículo que subalugara na ruela S... e pôs-se a caminhar lentamente, como que indeciso, na direcção da ponte K...
Foi sorte ter evitado o encontro com a senhoria nas escadas. O cubículo era a água-furtada de um prédio alto, de quatro andares, e parecia mais um armário do que um compartimento. Pois bem, a senhoria que lhe subalugara o cubículo, com almoço e serviço incluídos, ocupava o andar situado abaixo dele um lanço de escadas e, sempre que acontecia o jovem sair da rua, era inevitável passar ao lado da cozinha dela, com a porta quase sempre escancarada para o patamar. De cada vez que passava diante daquela porta, o rapaz tinha uma sensação cobarde e malsã que o envergonhava, e franzia a cara. Devia muito à senhoria, receava dar de caras com ela.”

Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo

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quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (125)


No dia em que aquela senhora ganhou o Nobel da Literatura e numa altura de forte competitividade, venha ela de onde vier e ainda que venha da Carla Bruni, começam a aparecer oportunidades de ouro e um ipod gigante para ler livros, nesse mesmo dia seguinte ao desaparecimento do Irving Penn e ao aparecimento daquela alemã de origem romena que escreve livros, tendo ganho o Nobel da Lietratura, e da excessiva criatividade que abunda no Gmail, quando se confirma aquilo que há muito se suspeitava, provocado evidentemente pela desmotivação que grassa, depois de mais uma original ideia do Google Flu Trends e depois da mulher do escritor alemão Richard Wagner ter ganho o Nobel da Literatura, os
Oasis colocaram fim a uma carreira de sucesso antes de um potencial fratricídio, mas certamente após Herta Müller, a tal escritora alemã de origem romena casada com o também escritor alemão chamado Richard Wagner ter sido hoje galardoada com o Nobel da Literatura que muitos apostavam no norte-americano Philip Roth, no peruano Mario Vargas Llosa, no checo Milan Kundera ou no israelita Amos Oz.

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Bibliofilia: "The Castle"

Franz Kafka, The Castle, Wordsworth Editions, 2009, pp. 283, (releitura). “Eu sei que nós, portugueses, temos o hábito de reler livros que nem sequer lemos, mas juro que reli Broadway Babies [...] uma meia dúzia de vezes. A cada uma, o prazer aumenta.” (Alberto Gonçalves, revista Ler, Outubro 2009, p. 14) Eu também juro que reli O Castelo, ou talvez seja melhor dizer que li o The Castle, e o interesse não foi somente aumentar o prazer por Kafka, mas também a tentativa de perceber porque é que este agrimensor K não consegue franquear este castelo cujas pontes levadiças e os fossos de crocodilos são as diferentes interpretações das leis dos funcionários e a dificuldade de obter o respeito e a ajuda dos habitantes da aldeia, constantemente apimentado pelo absurdo. À segunda, K também não consegue entrar no castelo, nem exercer o ofício de agrimensor, porque há fortalezas inexpugnáveis e nesta nem Ulisses conseguiria juntar madeira para formar o Cavalo de Tróia.

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quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (124)


O que pode ser dito é que depois de nove horas e meia de intensa luta nessa Europa do séc. XXI, do Tratado de Lisboa, referendado por duas vezes pelos Irlandeses, uma melhor que a outra, na ideia do dr. Zé Manel, oportunidade que não tiveram, nem terão, todos os outros europeus, essa inovação tecnologicamente do que há de mais avançado sobre cabos coaxial, i.e., cabo constituído por dois condutores concêntricos, separados por um espaço cheio com uma substância dieléctrica, e neste caso os condutores até foram quatro, só que não eram o Ricardo Araújo Pereira, nem o Zé Diogo Quintela, nem o Miguel Góis, nem o Tiago Dores, muito embora estes também tenham tido a sua piada ao pedirem-me manteiga – que dei e magra – e um pano do pó, finalmente é fibra e é Meo, logo, e nem de propósito, na véspera do lançamento da nova revista cultural The Scope e depois de Hillary Mantel ter sido premiada com o Man Booker 2009 com o romance Wolf Hall.

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terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (123)


Há dias em que é necessário fazer escolhas difíceis: entre comprar Topázio, Frenzy – Perigo na Noite ou o Homem que Sabia Demais de Alfred Hitchcock, a sete euros a unidade, ou uma tal de história entre vampiros vs. lobisomens chamada de Underworld: A Revolta, por vinte euros. Venceu o último, graças ao poder do marketing e publicidade que passava a prequela no plasma de serviço da FNAC. Além de que a espreitadela, à laia de In Limine: Assim tudo começa, ao 2666 do Bolaño despertou interesse, mas as mil e muitas páginas e os vinte e oito euros e vários cêntimos desincentivam quem se resguarda para receber o próximo símbolo perdido do Dan Brown, a 29 deste mês, e ainda não acabou essa tenebrosa ou pungente relação entre Stravogin e Verkhovenski que começou nas férias de Verão. Não fosse a crise que nos obriga à comiseração e teria vindo também, por seis euros e noventa e cinco cêntimos, o western desse zarolho Rooster Cogburn que já cá canta escrito pelo Charles Portis e passado à sétima arte pelo Henry Hathaway e mais não digo. Devia ter trazido o plasma.

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Cinefilia: "Underworld: A Revolta" (2009)

História de amor entre Lucian (Michael Sheen) e Sonja (Rhona Mitra) e entre vampiros e lobisomens. Lucian foi o primeiro lobisomem capaz de assumir a forma humana, uma nova raça a que Viktor (Bill Nighy), o soberano dos vampiros, chamou de Lycans, para proteger o seu reino, juntamente com os seus Mercadores da Morte, mas durante o dia, e ao mesmo tempo serem seus escravos. Sonja, filha de Viktor, viveu, lutou e morreu por um amor impossível com Lucian. Underworld: Rise of the Lycans (2009), no original, ou Underworld: A Revolta, na versão portuguesa, realizado por Patrick Tatopoulos, é o terceiro filme e prequela de Underworld (2003) e Underworld: Evolution (2006) em cenários medievais que têm pouco a ver com os vampiros de Stephenie Meyer e mais com uma versão tétrica de O Senhor dos Anéis.

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segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (122)


Aparentemente a borrasca, tão falada, não se confirmou. Nada como dois dias de intervalo para sarar (temporariamente) as feridas, porque ainda há quem se lembre que a 5 de Outubro de 1969 estreava na BBC Monty Python’s Flying Circus e, já agora, brevemente teremos uma reedição dos Rolling Stones e de Bleach dos Nirvana, este último gratuito na Internet a 3 de Novembro. O não muito optimista Fundo Monetário Internacional (FMI) já recolheu a benção de Joseph Stiglitz, o d’Os Loucos Anos 90, quando por cá o exemplo continua a vir de cima. Porque se isto fosse futebol, estando 1-1, teria forçosamente de ir a prolongamento ou, no limite, a penaltis, não fosse dia de Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak que conquistaram o Prémio Nobel da Medicina.

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Cinefilia: "American Splendor" (2003)

Filme sobre alguém que escreve sobre si próprio numa banda desenhada (BD) ou sobre uma personagem de BD? Esta é a interrogação da principal personagem Harvey Pekar (pelo próprio e também por Paul Giamatti), arquivista no hospital de Cleveland, Ohio, coleccionador de discos vinil, de livros de banda desenhada, leitor compulsivo, melómano de jazz e, segundo a sua (terceira e douradora) mulher Joyce Brabner (ela própria e também Hope Davis), obsessivo-compulsivo. Filme sobre nerds, como Toby Radloff (ele próprio e também Judah Friedlander), sobre a vida de todos os dias, sobre as atribulações mundanas, desde a desarrumação da casa, à solidão, passando pela vasectomia, até aos (dois) casamentos falhados e a vitória contra o câncro. Como um “Zé Ninguém”, ou um “John Doe”, pode ser alguém bastante interessante quando decide escrever argumentos de BD e transportar toda a sua vida para essa atmosfera pública. American Splendor (2003), realizado por Shari Springer Berman e Robert Pulcini, é mesmo um excelente filme autobiográfico e independente.


Adenda: houve 39 álbuns desta banda desenhada, desde 1976 até Setembro de 2008, tal como aqui pode ser confirmado.

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domingo, 4 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (121)


Anteontem lá voltou a borrasca, que ameaça a Europa além Portugal na próxima segunda-feira, com a divulgação do aumento do desemprego em Setembro nos Estados Unidos para 9,8% e a queda de 0,8% dos pedidos industriais, ou bens duradouros. Claro que isso não é nada que certamente preocupe o Luandino Vieira, que nem parece angolano, ou qualquer hominídeo como a Australopithecus afarensis, também conhecida por Lucy, ou a mais recente Ardipithecus ramidus, Ardi para o comum dos mortais que não paleontólogos ou paleontologistas. É que, como alguém disse, “os votos medem uma realidade e fazem uma escolha, mas os resultados das políticas medem-se em termos de bem-estar (...) e do crescimento do país. (...) Os votos dão legitimidade não conferem razão.” O que leva à questão de saber se nós somos descendentes dos primatas, nomeadamente do chimpanzé ou dos grandes símios, ou se somos modelos de nós próprios. A ser assim, a Patrizia D’Addario teria muito mais a ver com o Travis Bickle do que propriamente com o Silvio Berlusconi.

Adenda: esqueci-me completamente que, além de segunda-feira ser já amanhã, a implantação da república não chega aos neo-liberais da bolsa e, portanto, vai haver também borrasca não só “além Portugal” como também cá. “Yet closer inspection suggests caution. Despite a welcome return to growth, the world economy is far from returning to ‘normal’ activity. Unemployment is still rising and much manufacturing capacity remains idle. Many of the sources of today’s growth are temporary and precarious. The rebuilding of inventories will not boost firms’ output for long. Across the globe spending is being driven by government largesse, not animal spirits. Massive fiscal and monetary stimulus is cushioning the damage to households’ and banks’ balance-sheets, but the underlying problems remain. In America and other former bubble economies, household debts are worryingly high, and banks need to bolster their capital. That suggests consumer spending will be lower and the cost of capital higher than before the crunch. The world economy may see a few quarters of respectable growth, but it will not bounce back to where it would have been had the crisis never happened.” Economist (01 10 2009)

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Bibliofilia: "A Queda Dum Anjo (1866)"




Camilo Castelo Branco, A Queda Dum Anjo, Publicações Europa-América, 1981, pp. 165 (releitura). A devassidão dos costumes da metrópole evaporou esse virtuoso fidalgo rural, que dava pelo nome de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda e aos quarenta e quatro anos deixa-se de “parcimónia”, sem os clássicos lhe valerem, e cede aos prazeres e luxos de quem também troca o partido miguelista pelo partido liberal, provando que não há homens, quanto mais políticos, impolutos.

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sábado, 3 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (120)


Na blogosfera da politiquice está a fazer escola expressões e palavras como caramunha, histriónico (relativo a histrião), conjugado com o verbo tresler. Isso pode acontecer quando o iphone escorrega das mãos, mas da Apple, preocupada em agarrar os Eminem, ou quando se compra o London Evening Standard para o... tornar gratuito, mesmo quando a gratuitidade, como diz o Paul Krugman, nunca se tenha totalmente implantado e um vez que, por ora, temos Sacanas Sem Lei, em 2014 teremos Kill Bill 3 com uma Uma Thurman pela mão do Quentin Tarantino. Uma vez que pela mão, ou o punho, de Montserrat Rico Góngora temos uma amizade cheia de mistério entre Fernando Pessoa e Aleister Crowley com epicentro em Sintra e génese na boca mais infernal da Europa. Já quem quiser ver Steven Spielberg e George Lucas Telling Stories com a ajuda de Norman Rockwell, no Smithsonian American Art Museum, terá ainda de esperar por Julho coisa que não acontece com a “ambientalista” Stella Mccartney.


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Fragmentos: Horizonte temporal (11)


Um Século, Dez Lápis, Cem Desenhos
Museu da Presidência da República
Viarco Express

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sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (119)


Quando os mercados financeiros estão a subir vários dias consecutivos de forma significativa é saudável uma correcção técnica nos trinta anos da obra de António Lobo Antunes, enquanto aguardamos a chegada de Francis Ford Coppola, depois do feliz regresso de Fame também trinta anos depois. As cartas de Sophia de Mello Breyner, de Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Jorge Sena e muitos outros anónimos estão em desuso consumido pelas novas tecnologias e eu vou ter uma semana para recuperar o sono e congratular-me pelo Rio de Janeiro ter ganho a organização dos Jogos Olímpicos de 2016.

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quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (118)


Depois de visto ontem o nunca visto, vamos a votos. Nos dez melhores projectos de design de abrigos do Guggenheim, seleccionados pelos estudantes da Frank Lloyd Wright School of Architecture, e Portugal concorre com David Mares e a, também muito portuguesa, cortiça. Dwight Yorke chegou a formar uma dupla terrível com Andy Cole relegando o norueguês “baby face” Ole Gunnar Solskjaer para o banco de suplentes. Sim, porque ainda há quem não permita faltas de respeito e também porque da fama ninguém se livra, nem mesmo o eremita realizador sueco Ingmar Bergman (1918 – 2007). É, mas V. Exa. por acaso não tem nada a ver com isso, pois não? É certo que “esta crítica é uma prova de ânimo já iscado da peçonha da meia impiedade que degenera em impiedade inteira.” Afinal, tal David para Golias, foi um microrganismo que acabou com o gigantesco Tyrannosaurus rex, para os mais chegados T. Rex, e já agora, a Sotheby’s vai leiloar o último Anthony Van Dyck em Dezembro, mas antes há ainda a 20.º Festival Internacional de BD da Amadora que decorrerá de 23 de Ouutbro a 8 de Novembro e a feliz reabertura da Buchholz, agora Coimbra. Ai sim? “Eu direi a V. Exa. qual eloquência considero necessária: (...) é a eloquência que a Nação entenda. A arte de bem falar, ars bene dicendi, é o estudo da clareza no exprimir a ideia. Os afectos, as galas de linguagem, que lhe tolhem o mostrar-se e dar-se a conhecer dos rudos, não é arte é tramóia, não é luz, é escuridão.” Porque apesar dos feitiços da J. K. Rawling não chegarem ao Novo Mundo, onde já chegou o Krump, sempre podiam ajudar a Amy Winehouse, enquanto aguarda-se a polémica com a infância da Brooke Shields na Tate Modern.

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quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Fragmentos: Horizonte temporal (10)


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terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Momentum: "Carpe diem" (117)


Entretidos com as cimeiras imagens bélicas, enquanto se aguarda a escuta da aclarada declaração das oito pi eme, vai esse antigo sargento de milícias e “antigo borra de frades franciscanos” em busca do perdido Calisto Elói, marido da prima D. Teodora de Figueiroa, Brás Lobato “ao Paço das Necessidades em busca do seu patrício, porque, no seu modo [provinciano] de julgar as correlações dos altos poderes do Estado, Calisto Elói devia frequentar regularmente a casa real. Perguntou o mestre-escola afoitamente à sentinela do Paço se o representante nacional morgado de Agra estava em palácio. A sentinela mandou-o entrar e que perguntasse ao comandante da guarda. O comandante mandou-o a um fidalgo que vinha descendo e o fidalgo interrogado mandou-o à fava.” Já José Luis Zapatero anda de candeias às avessas com o gótico. Antes filhos góticos que vândalos ou bárbaros. Se o iPhone promete ser mortífero, então o Blackberry vale ouro e a inocente Mafalda, que não a minha, faz hoje 45 anos e a Megan Fox confessou-se ousada até para este blogue.

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