Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

16.8.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 312)


Na TV passava a notícia de que quem trabalha oito horas por dia está mais sujeito a enfartes do miocárdio, o trabalhador que bebia um copo de vinho branco ao balcão da taberna, às oito e um quarto da manhã, disse logo que era o caso dele.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (220)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)


""(...) O incompreensível pode ser desprezado, mas nunca o será se houver maneira de o usarem como pretexto." ( p. 256)

José Saramago, Ensaio sobre a Lucidez (2004)

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14.8.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 311)


Aquilo que fazia de Game of Thrones uma das série mais interessantes que era a velocidade com que matava personagens, várias delas com desempenho principal, o memento mori que emprestava realidade a uma série de TV de ficção fantástica, está a tornar-se precisamente no seu inverso à medida que são recuperadas e se parece preparar um Grand Finale num jantar à noite com o bardo a tocar.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (219)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Aprendi neste ofício que os que mandam não só não se detêm diante do que chamamos absurdos, como se servem deles para entorpecer as consciências e aniquilar a razão." (p. 289)

José Saramago, Ensaio sobre a Lucidez (2004)

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13.8.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 310)


Havia algo inexplicável que fazia de Todos os Nomes (1997) o preferido, não poderia ser justificado por ser a primeira descoberta, "O Caminho Marítimo para a Índia", da obra de Saramago, quando finalmente, não menos do que numa epifânia, ficou perceptível, fez-se luz, muito tempo depois, que era a forma como o autor abordou a solidão naquela prosa corrida.

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Bibliofilia: "Ensaio sobre a Lucidez" (2004)


[ 130 ]
José Saramago, Ensaio sobre a Lucidez (2004), Editorial Caminho, Março 2004 (pp. 329). Sátira à autoridade governamental e ao poder estabelecido, metáfora da polícia política e da censura, numa cidade capital oitenta e três por cento dos eleitores votam em branco provocando a retaliação do governo, sob a forma de estado de sítio, que apelida esta "insurgência" de cegueira branca. Aos poucos, algumas autoridades vão ganhando consciência como o presidente da câmara, que prematuramente e sem explicação desaparece da trama, ou o malogrado comissário da polícia. A repetição do mote da cegueira branca conduz o autor a fazer a ponte com a anterior obra a partir da p. 188, e ele não o esconde. A ironia dos diálogos dos Conselhos de Ministros só rivaliza com o desprezo do autor pela autoridade não lhe permitir revelar também a ambição dos subordinados.

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29.7.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 309)


O moscardo no parapeito era enorme, a "stickada" — com aquele jeito de meio estalar dos dedos, tipo alavanca, entre o polegar e o anelar — que levou, fez a mosca desabar em queda livre do décimo primeiro até para aí ao quinto andar (talvez nem tanto), onde recuperou e estabilizou o voo. Agora é fazer o que quiserem com esta informação preciosa.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (218)

 

Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Vivemos numa época que lê demasiado e perde sabedoria, e que pensa demasiado e perde beleza." (p. 137)

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray (1891)

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23.7.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 308)


As pessoas queixam-se que é caríssimo alugar um quarto em Lisboa e também é impossível ter um lar no centro da cidade, mas esquecem-se que também há quem gostasse de partilhar um quarto com a Monica Bellucci e não consegue.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (217)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Os jovens querem ser fiéis e não são, os velhos querem ser infiéis, e não podem." (p. 50)

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray (1891)

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22.7.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 307)


Teresa Leal Coelho revela a insegurança de uma segunda escolha, ou de uma candidata autárquica de recurso, ou ainda de alguém que, contrariada, deve lealdade ao líder. Ao confundir o nome da primeira escolha com o do líder e ter resolvido fazer uma piada para ultrapassar a gaffe, revelou a sua manifesta falta de jeito e pouco talento para o humor, quando o mais genuíno, autêntico e natural, seria um subtil pedido de desculpa pelo lapso e avançasse. As televisões sempre ávidas do supérfluo, fútil e vácuo, ampliaram o engano. O nervosismo de falar em público não pode ser atenuante numa parlamentar habituada ao hemiciclo, a comissões de inquérito e com presença assídua nas televisões. Nem pode ceder à pressão de uma importante candidatura alguém que ocupa o lugar de vice-presidente do partido. Só a insegurança de uma segunda escolha justifica o comportamento pouco à vontade. E vai ser difícil disfarçá-lo, sobretudo quando o principal adversário na corrida eleitoral abusa estrategicamente da condescendência para com ela.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (216)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"O crédito é o capital de um filho mais novo, e vive-se muito bem com ele." (p. 53)

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray (1891)

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21.7.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 306)


Três actuais flagelos com consequências catastróficas podem conduzir ao fim precoce da humanidade tal como a conhecemos ao terem uma influência tão grande e corriqueira na capacidade de moldar o carácter humano. São eles o sectarismo ou proselitismo, o engraçadismo e a gananciosa competição.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (215)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"A vantagem das emoções é que nos desorientam, e a vantagem da ciência é não ser emocional." (p. 63)

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray (1891)

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17.6.17

Momentum: "Carpe Diem " (1 305)

 

Havia qualquer coisa de mulher nele, escolhia as rebeldes em vez das atinadas. Todos sabem que as mulheres escolhem os venturosos em detrimento dos sossegadinhos. Tantas vezes humilhado, ultrapassaria tanto ressentimento acumulado?

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15.6.17

Bibliofilia: "Cenas da Vida Menor" (2017)


[
 129 ] Filipe Nunes Vicente, Cenas da Vida Menor — Histórias da Violência Sobre Mulheres, Chiado Editora, 1.ª ed. Maio 2017 (pp. 131). O autor chama-lhe quatro cenas, são quatro capítulos ou quatro histórias. Sobre Eduarda, Fernanda, Berta e Janete. Cada história com uma média de 25 páginas que se prolongam para o dobro na última pela incursão na vida dos caciques locais de província, cheia de tratamento de favor e boa intriga. Despudorado, acompanha histórias de ressentimento, mágoa e ciúme de vidas que não foram fáceis. Árduas vidas, que tornam homens rústicos e mulheres aventureiras. Onde o sentimento de posse vai muito para além do material. Em "meios pequenos", abandonados pelas metrópoles sofisticadas, onde se prova que o homem não é puro nem moralmente irrepreensível. Merecia melhor trabalho de revisor.

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27.5.17

Momentum: "Carpe diem" (1 304)

 

É muito mais interessante alguém que já leu cem livros do que um grunho que se passeia de BMW, vangloria-se de ser quadro superior duma empresa, munido de iPhone7, enquanto se gaba de passar férias nas Maldivas, mas não faz a mínima ideia de como combinar o sujeito, predicado e complemento directo. Ou seja, um Trump ou um chimpanzé. Recentemente, esteve em Portugal a doutorada em Etologia de Cambrigde, Jane Goodall, que descobriu que esta espécie também constrói ferramentas (ou gadgets) — ao observar um dos animais a remover as folhas de um ramo de árvore para melhor penetrar num buraco de térmitas — e, tal como os humanos, fará tudo para planear a eliminação de um rival.

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14.5.17

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (102)

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13.5.17

Momentum: "Carpe diem" (1 303)

 

Um dia que significa muito para muitos Portugueses, 13 de Maio, desencadeou uma tempestade perfeita de emoção, crença, felicidade, comoção, optimismo, sucesso e excelência. O Papa Francisco veio às celebrações do centenário das Aparições de Fátima de manhã, à tarde o Benfica conquista o seu primeiro tetra e à noite o português Salvador Sobral vence, com pontuação recorde de 758 pontos, o Festival da Eurovisão da Canção, sendo o único a cantar na língua materna entre vinte seis concorrentes (entre os quais a Austrália), depois de quarenta e nove presenças falhadas ou sofridas. Inesquecível. Inexplicável. Arrebatador.

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25.4.17

Bibliofilia: "Novela de Xadrez" (1942)


[ 128 ] Stefan Zweig, Novela de Xadrez (1942), Livros do Brasil / Porto Editora, 1.ª ed. Março 2017 (pp. 100). No prólogo há alusão a esta obra como a derradeira antes do suicidio do autor. E um elogio em carta ao Brasil que o acolheu. Durante uma viagem de barco de Nova Iorque para Buenos Aires, alguns passageiros descobrem a bordo o campeão do mundo de xadrez, outrora um simples e limitado filho de barqueiro na Eslávia do Sul, Mirko Czentovic, e o ambicioso self-made man e engenheiro civil McConnor desafia de imediato o narrador a defrontá-lo. Quando a narrativa se parece encaminhar para a vida do profissional campesino e as técnicas do jogo, surge a personagem que moldará a história. Dr. B. relata como a tragédia do regime nazi e o acaso o conduziu a encontrar a sobrevivência nesse jogo de demorada concentração mental. Ideal para quem mastiga o tempo.

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24.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 302)


O dérbi Sporting vs Benfica do último sábado era a grande oportunidade de vingança para Bruno de Carvalho, Jorge Jesus e "brunetes". O presidente emérito tinha feito tudo bem: incendiado as redes sociais; o treinador tinha preparado o jogo como nunca, o próprio jogo sem pressão era de feição para o lado de Alvalade, pois não havia nada a disputar senão enfiar mais uma facada para a História no rival. O acontecimento trágico, lamentável e abjecto da morte de um adepto leonino italiano da Fiorentina na madrugada da véspera nas imediações do Estádio da Luz faria o resto. Só não contaram com a reacção de Ederson e do árbitro. O guarda-redes do Benfica, aos quatro minutos, alivia mal uma bola para os pés de Bas Dost que obriga a jovem promessa brasileira a cometer pénalti. O árbitro que tão prontamente, e bem, assinalou um pénalti aos quatro minutos nunca mais viu os restantes três não assinalados a favor do Benfica. Desorientados, a verem-se a ganhar tão cedo e a ser beneficiados pela arbitragem, o jogo terminou empatado a um. Um também foi o número de remates enquadrados à baliza do ex-SCP de nota artística e oitenta e seis pontos. Morreu a narrativa. Genial como se usa a incompetência para alastrá-la ao adversário, derrotando-o. E retirando-lhe todos os argumentos. Foi um empate demolidor para o Sporting.

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23.4.17

Cinefilia: "A Queda de Wall Street" (2015)

[ 84 ] A distância do tempo torna sempre mais lúcida a análise. Em três histórias separadas, que correm em paralelo, dois grupos e um gestor de hedge funds vão descobrir como o mercado anterior à queda dos bancos de investimento Bear Sterns e do Lehman Brothers estava pura e simplesmente viciado. Para isso limitam-se a fazer o mais simples: abrir a caixa de pandora e ver o que está lá dentro. As famosas Collateralized Debt Obligations (CDO) que agrupavam hipotecas com diferentes ratings falseados e vendidas a granel não valiam o que era suposto quando o seu composto (mercado imobiliário) começou a cair e as strippers de rendimento precário, que tinham cinco imóveis e dez hipotecas, não as conseguiram pagar com o valor de avaliação a descer e as taxas de juro a subir. Estes investidores perceberam o mercado e apostaram contra ele (short selling) através da criação de um instrumento derivado que na altura nem sequer ainda não existia, tal a confiança nas obrigações hipotecárias. Mas o problema é que se demorassem muito o próprio mercado contra o qual apostaram estava a desintegrar-se e não se reavê nada de zero. The Big Short / A Queda de Wall Street (2015), realizado por Adam McKay, é mais um documentário do que uma ficção da realidade, baseado numa história verídica, apesar de contar com excelentes interpretações de Christian Bale (Michael Berry) e Steve Carell (Mark Baum) A distância do tempo torna tudo mais lúcido, e em 2015, ano do filme, começaram a transacionar-se de novo CDO.

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22.4.17

Cinefilia: "Os Oito Odiados" (2015)

[ 83 ] A acção decorre no Wyoming numa casa a que é difícil chamar de retrosaria, para o conceito português, e que mais se parece com uma estação de paragem de diligências, durante uma forte tempestade. Oito homens (e uma mulher), que podem vir a ser nove, ficam confinados àquele espaço que, por ser amplo, nunca se torna claustrofóbico, apesar da tensão existente e crescente entre os membros do grupo. Dividido em seis partes a que chama capítulos, em grande parte dos quatro primeiros não há a característica violência repleta de sangue dos filmes de Tarantino, mas no últimos isso é compensado com sangue e vómito. Muito vómito. Grande parte do filme é passado em diálogo entre as diferentes personagens para saber quem diz ser quem ao melhor estilo das reuniões finais de Hercule Poirot para desvendar o(s) criminoso(s) (pasme-se!) que envenenaram (muito Agatha Christie, em ano de celebração). O ritual, que todos conhecem e reclamam, de fechar a porta da cabana, pregando duas tábuas, funciona como palavra-passe para entrar naquele submundo. The Hateful EightOs Oito Odiados (2015) é muito Quentin Tarantino, abusando do inesperado, da excessiva violência graficamente exposta e sobre a mentira, tudo com o habitual excelente elenco. O que não é necessariamente mau.

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21.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 301)

 

Recentemente o mundo esteve à beira do apocalipse nas redes sociais (onde mais poderia ser?) porque o conhecido rigor do credível Donald Trump colocou uma frota norte-americana, composta por um porta-aviões nuclear, dois destroyers e um cruzador, a caminho da península coreana quando, na realidade, dirigia-se no sentido oposto para o Oceano Índico. Dois ou três dias (talvez nem tanto) depois rebentou outro escândalo onde acusavam os pais de uma malograda adolescente de serem adeptos anti-vacinas, quando na realidade a vítima não tinha sido vacinada por ter tido uma reacção alérgica à primeira dose no passado. Voltaram a ser anti-vaxxers quando foram contrariados no dia seguinte, por outra notícia de outro jornal, de que os irmãos também não tinham sido. É assim o actual mundo da informação, da actualidade, aos repelões, por surtos, cheio de contradições, sem confirmação das fontes, com insípida edição ou mediação, como adolescentes a correr para dizer a primeira tontice que lhes é dada de bandeja, gratuitamente, sem contraditório, como o rumor, a alcovitice, o boato, a intriga, o mexerico. Feito de histerismo colectivo, próprio da adolescência, alimentado pelas redes sociais. Quando deviam ser as redes sociais a comentar as notícias, são as notícias a comentar as redes sociais.

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20.4.17

Bibliofilia: "A Louca da Casa" (2003)

[ 127 ] Rosa Montero, A Louca Casa (2003), Livros do Brasil, 1.ª ed. Janeiro 2017 (pp. 219). Ao contrário do que se possa pensar, apesar das abundantes referências a escritores e às suas obras literárias, à abordagem ao tema da classificação de escritores, da influência das mulheres destes nas suas vidas, à já clássica e tradicional necessidade do vício da leitura, a jornalista espanhola não criou, aos cinquenta e dois anos, um ensaio sobre a literatura, mas sobre a imaginação — que dá nome ao livro (referência à Santa Teresa de Jesus) — e à loucura. Também tão pouco é uma autobiografia, e faz questão de o vincar na história aparentemente vivida de forma diferente em três momentos (p. 27, p. 104 e p.192), acrescentando no final a citação de Barthe para o comprovar: "É que qualquer autobiografia é ficcional e qualquer ficção autobiográfica." Ensaio, autobiografia ou o que quer que seja, há apenas a certeza de ter concebido uma magistral obra que apenas peca por não ter sido complementada por um índice onomástico, pelo menos, nesta edição.

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17.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 300)


Poucas coisas dão uma absoluta sensação de dever cumprido do que o acto de ter concluído a leitura de um livro. Sobretudo quando é feito em tempo útil. Da primeira à última página. Sem pausas. De rajada. Por outro lado, a sensação de procrastinar o começo da leitura de um livro, para adiar e guardar um momento de puro prazer, também é em si extraordinário. São coisas simples, numa época de pouca glória e de muita fama e popularidade.

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15.4.17

Bibliofilia: "A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar" (2016)

[ 126 ] Ricardo Araújo Pereira, A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar — Uma Espécie de Manual de Escrita Humorística (2016), 1.ª ed. Dezembro 2016, Tinta-da-china (pp. 118) Esta é a melhor obra até agora escrita pelo autor. Sobre o seu ofício: o humor; e a escrita com humor. Somos muito mais capazes de rir de um episódio trágico onde estivemos envolvidos muitos anos depois, daí a importância do tempo. Mas o tempo é uma distância, e também rimos mais facilmente de algo que acontece aos outros. É muito mais difícil saber rir de nós próprios. O humor também pode ser uma vigarice benigna. O rigor não pode estragar uma bela piada. Porque a história humorística depende mais da forma como é contada do que se conta. Já se evita muito a mortal explicação da piada que se faz, mas uma piada feita com evidente esforço também não leva a lado nenhum. No fundo, o humorista tem um talento particular para descobrir outros pontos de vista, para perceber não o que as coisas são, mas o que poderiam ter sido. Da colisão entre o que se diz e a maneira como se diz. Ou de tratar o notável como banal. E, neste caso concreto, uma obra aparentemente banal que é de facto notável.

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14.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 299)

 

O mundo está hoje suspenso — embora a logomaquia de temas e sobre o tema não dê para perceber bem isso — de um potencial conflito nuclear entre os EUA e a Coreia do Norte, se os primeiros forem forçados a intervir porque os segundos arriscaram um novo teste com um míssil balístico que querem tornar intercontinental. A Coreia do Norte parece já ter capacidade nuclear, mas não meios para alcançar os EUA, o que não invalida que não possa atingir as potências vizinhas mais próximas: a China e a Rússia, ou os aliados norte-americanos: Coreia do Sul e Japão. Assim, deverá continuar a aparente ineficaz diplomacia multilateral e o agravamento das sanções ou deverão ser colocados escudos anti-mísseis no Japão e Coreia do Sul como prevenção a bombardeamentos cirúrgicos norte-americanos às instalações nucleares da Coreia do Norte? Ou deverão ainda ser colocadas armas nucleares nos aliados para circunscrever um potencial conflito nuclear apenas à região? O que intimida, hoje em dia, é a percepção da má preparação, desorganização e descontrolo de qualquer iniciativa, o que torna tudo tão imprevisível.

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9.4.17

Bibliofilia: "A Viúva do Enforcado" (1877)


[ 125 ] Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877), 1.ª ed. novembro 2015, Sistema Solar (pp. 133). A história da filha do "iracundo" surrador de Guimarães, Joaquim Pereira, de 1822 a 1830, Teresa de Jesus, que se apaixona pelo ourives Guilherme Nogueira com "insofrido pejo", seu "anspeçada", contra a vontade de seu pai, numa época onde se espulgavam peúgas e "está o mundo cheio de ladrões" (p. 24). Casada a fugitiva com o mestre das artes e depois de finado o artista, troca a viúva de anspeçada pelo revolucionário fugitivo à justiça António Maria das Neves Carneiro, filho de médico, com quem casa em Badajoz, em Dezembro de 1829, já depois deste desonrar a malograda filha do alcaide de Zarza, o visceral D. Rojo de Valderas, com predicados de malfeitor. Mais uma bela história que não precisa de um calhamaço para ser contada.

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8.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 298)

 

Com taxas de juro nos bancos inferiores a um por cento, a desconfiança no sistema bancário não só instalada como já consolidada e uma insípida bolsa de valores, os poucos capitalistas (sem conotação política) investem os seus recursos no inflacionamento da bolha imobiliária onde conseguem extrair rendibilidades de oito ou nove por cento no arrendamento, mercado estagnado no passado por leis ancestrais e hoje regenerado pelas virtudes da dinâmica da economia. Sinal dos tempos. Fruta da época.

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Cinefilia: "O Corvo" (2012)


[ 82 ] As macabras histórias de Edgar Allan Poe são terreno fértil para as Sétima (cinema) e Oitava (imagem / fotografia / TV ) Artes. Na série de The Following (2013 - 2015) a sua obra é leitmotiv para os seguidores da seita, mas, como o original — ou antes, uma história que envolva o autor — é sempre melhor que a cópia, torna O Corvo / The Raven (2012) muito mais interessante. Quando um conjunto de crimes é perpetrado com base nas obras escritas de Poe (bom desempenho de John Cusack) a polícia envolve o escritor para deslindar o mistério e apanhar o homicida. Realizado por James McTeigue ( V for Vendetta), o desenlace da acção consegue manter o suspense, recheado de momentos macabros e claustrofóbicos, enquanto o inspector Emmett Fields se revela, sem dúvida, como a personagem mais interessante. Não sendo o motivo do serial-killer original, a narrativa não deixa de ter sido bem conseguida.

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26.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 297)

 

O Arlindo do talho vendeu 600 kg de carne do lombo a um restaurante, no valor de 5 500 euros. O restaurante já estava com dificuldades e abriu falência. O talho do Arlindo registou um prejuízo de 5 500 euros. Vai ter de compensar com vendas a melhores clientes. O banco onde o Arlindo tem conta também trabalhava com o restaurante falido e além de perder um empréstimo de 250 mil euros tem de constituir provisões no mesmo valor para o efeito, ou seja, pôr de lado mais capital para cobrir a perda. O esforço financeiro é a dobrar. E as exigências de capital também.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (214)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Tinha as tristezas do talento que se acha excluído das condições materiais do interesse. (...) [V]ia em redor de si o riso desdenhoso da inveja e o estipêndio regateado do trabalho." (p. 18)

Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877)

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25.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 296)

 

Em Dezembro de 2015, o Banco de Portugal resolveu transferir quase dois mil milhões de euros de obrigações seniores de investidores institucionais no Novo Banco (banco bom) para o BES (banco mau), o que implicou a perda total para os investidores e um reforço do capital do NB. Agora, a BlackRock e a PIMCO, líderes desse grupo de investidores, amuaram e boicotam o investimento em Portugal. É isto racionalidade económica? As quebras de confiança numa instituição, mercado ou país costumam ser aferidas pelo risco e, quando esse aumenta, aumenta o prémio de risco. Sai mais caro à instituição ou país emitir dívida. As condições atractivas para investir em Portugal não se mantêm mesmo com o aumento do risco de perda total? Boicote? Tribunais não chega?

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (213)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"(...) Nós éramos românticos. Não tínhamos mais dinheiro que estes bancos rotos de hoje em dia; mas tínhamos papéis que valiam mais que os deles: eram sonetos. Estes sonetos é possível que não fossem muito boas acções; mas não enganavam tantas famílias como as bancárias." (p. 56)

Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877)

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23.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 295)

 

O Presidente Marcelo estudou na Alemanha e gaba a qualidade desenrascada dos Portugueses, porque os Alemães ficam absolutamente bloqueados quando algo não corre como o previsto. Salvaguardando a extrema admiração que Marcelo Rebelo de Sousa nutre por todos os Portugueses em geral e por cada um dos Portugueses em particular. Isso só acontece porque os Portugueses não planeiam, não prevêem nada. É tudo ao acaso e logo se vê. Estão treinados na barafunda, desorientação e desorganização. Ao contrário dos Alemães, onde isso é muito raro. Não, ter de se desenrascar constantemente não é uma coisa boa. Muito antes pelo contrário.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (212)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Sou do período dos aéreos perfumes; este agora é dos sons metálicos. As almas então eram leves, voláteis, e vestiam-se com os raios prateados da lua; hoje, ouço dizer que os corações estão pesados e retraídos dentro dos seus espinhos de ambição, cobertos de pomos de ouro como os ouriços-cacheiros no estrado das macieiras." (p. 55)

Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877)

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25.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 294)

 

A psicologia tem campo fértil nos dias que correm. Naquela pessoa muito frustrada que dá constantes risadinhas histéricas numa demonstração ridícula de falsa felicidade ou naquele fanfarrão que procura disfarçar as tremendas fragilidades e a sua incompetência com uma péssima atitude.

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24.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 293)

 

Quando é colocada a questão da escolha das damas-de-honor nos preparativos do casamento da rainha Vitória com Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, o camareiro-mor apresenta uma lista de doze raparigas adequadas. Ao que a rainha acrescenta que, por sugestão de Alberto, devem vir de famílias com uma reputação imaculada, gerando um desconforto no camareiro-mor que retorquiu que elas pertencem à aristocracia. Lorde Melbourne acaba por encontrar uma solução para facilitar a vida ao camareiro-mor ao sugerir que a lista seja reduzida de doze para seis raparigas. Mas o camareiro-mor, ainda deveras atrapalhado, acrescenta ser melhor reduzir para quatro. Apesar de Lorde Melbourne dizer constantemente que a verdade era sobrestimada.

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5.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 292)


[ 11.º Aniversário ]

Muito mudou, das narrativas às fake news. Tudo se tornou efémero, descartável, impulsivo e precipitado. Os engraçadinhos têm mais adesão com a piada fácil. Há também grande interesse pela indignação prolixa, que sobejas vezes define os lados da trincheira, ou pela divulgação da vida privada. Quase sempre na primeira pessoa do singular. Não será nada disto. Menos pathos e mais logos. Sem edição ou mediação, mas com razoável ponderação. Eppur si muove. E tão depressa não cai. Onze anos a pensar alto, hidden in plain sight.

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28.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 291)


O que choca na indignação desta semana sobre as declarações do director-geral daquele negócio ancestral de padarias, que se desenvolveu exponencialmente durante um período de profunda crise económica, a que se dá o nome de Padaria Portuguesa, não é o ele querer que os colaboradores colaborem 60 horas por semana, sem ser considerado trabalho extra, ou poder contratar e despedir de forma mais flexível. O que mais choca é o moralismo puritano de quem censura a compra de bens não essenciais como smartphones ou tablets de quem ganha mal. Podia ter aprendido com as consequências e o arrependimento do "viveram acima das possibilidades" de Pedro Passos Coelho e "os preguiçosos países do Sul" de Angela Merkel.

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27.1.17

Cinefilia: "Grandes Esperanças" (2012)


[ 81 ] Adaptação da obra de Charles Dickens por Mike Newell, realizador que já tinha adaptado também Amor Em Tempos de Cólera (2007) do prémio Nobel da Literatura de 1982, Gabriel García Márquez. Conhecido também pela reprodução histórica de O Homem da Máscara de Ferro (1977), de Alexandre Dumas (1802 - 1870), e o conhecido Donnie Brasco (1997). À Dickens, as vastas e vincadas personagens vão confluir para um ponto em comum na história. Pip (interpretado por Jeremy Irvine, mas para quem tiver distraído pode vislumbrar o Mikael Carreira) é um rapaz pobre de província a quem lhe é destinado um futuro promissor como cavalheiro em Londres depois de ter ajudado um convicto. Daí Great Expectations/Grandes Esperanças (2012). Obviamente que a personagens mais marcantes para a caderneta de Dickens, pelos soundbites, são o tio Pumblechook, com aquele característico mantra das contas, e Wemmick com o valor que dá aos "bens portáteis" ("portable property").

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26.1.17

Cinefilia: "Ela" (2016)


[ 80 ] Este Paul Verhoeven é mestre no deboche desde o primeiro Instinto Fatal/Basic Instinct (1992). Embora a história da Catherine Tramell tenha tido mais suspense como thriller erótico (ou lá o que é) — claro, muito antes da inauguração dos cruzeiros no Douro —, do que este drama numa família disfuncional. Michelle Lèblanc (Isabelle Hupert) é uma empresária de videojogos, ou de jogos para computador?, e filha de um serial killer condenado a prisão perpétua, ostracizada pelos media e pela polícia, o que a leva a não fazer queixa quando é violada durante um assalto a sua casa. Vem a nutrir um fétiche pelo novo vizinho, casado, que apesar de todos os esforços em contrário, é possível perceber que é ele o principal suspeito. Ela/Elle (2016), é uma produção franco-belga-alemã pouco conseguida, como, infelizmente, quase tudo onde agora os europeus se metem.

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10.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 290)

 

Esta actual cultura, moderna, do frenesim, da pressa, da rapidez, do imediatismo, da falta de ponderação, da falta de sentido de oportunidade, que parece revelar falta de empenho de quem a não partilha, é que tem levado a uma sucessão de erros e absoluto descontrolo que jamais alguém conseguiu prever. Por falta de tempo, certamente.

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8.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 289)

 

Há (assim em abstracto) quem se tenha empenhado bastante com tenra idade, aos dezasseis anos — sofrendo por ainda não ter direito a voto e carregando as agruras do, então na altura desconhecido, bullying dos betinhos de sobretudo loden verde na secundária, hoje proeminentes advogados nas redes sociais —, na primeira candidatura de Mário Soares a Presidente da República, em 1986, e depois, na primeira ocasião para o fazer, ainda por cima no auge do consenso, tenha votado, apenas cinco anos mais tarde, em 1991, em Basílio Horta. Imagine-se! O gosto por remar, não contra a maré, mas contra a carneirada, só é ultrapassado por esta simbólica e modesta homenagem a quem foi livre para entrar em contradição sempre que quis e que parte 92 anos e um mês depois de uma vida plena e intensa.

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In Memoriam (17)

 
Mário Soares
(1924 - 2017)

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11.12.16

Momentum: "Carpe diem" (1 288)


Os interesses e hábitos culturais do britânicos são variados e fascinantes — e não se reduzem à mais óbvia leitura de jornais e livros — vão desde o críquete, ao râguebi, boxe, passando pelo coleccionismo, desde soldadinhos de chumbo, a antiguidades, leilões, birdwatching, jardinagem. Apostam em corridas de cavalos, respeitam a memória, a tradição, e.g., com os autocarros double-decker Routemaster, e a História. É um contraste brutal com aqueles povos que frequentam todos em manada os mesmos sítios, Varadero ou Punta Caña, e disputam ambiciosamente o maior BMW ou o melhor iPhone entre si, enquanto esperam a vez para marcar presença no último Avillez e tirar a foto food porn que vai compor o já recheado portfólio do Facebook. Querem estar na vanguarda da última moda. Sentir-se modernos. Não é uma questão de dinheiro. É uma questão de bom gosto ou da falta dele e de critério.

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25.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 287)


O fenómeno da manada está muito bem representado na importada Black Friday. É dopamina para consumidores profissionais que não desperdiçam uma promoção ou um desconto para comprar algo de que não necessitam. Nem sequer é compra por impulso, é antes compra por influência da massa humana que recebe previamente e-mails e SMS e se sente obrigada a estar presente no evento. Negras foram a segunda-feira de 19 de Outubro de 1987 e a terça-feira de 29 de Outubro de 1929, onde também se perdeu muito dinheiro investido em fenómenos de manada, muito comuns na Gorongosa e no Serengeti.

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20.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 286)


A definição de um charlatão pode ser a de um tipo casado com uma imigrante e apoiado na sua candidatura por uma equipa de judeus que consegue ser eleito com um discurso de ódio aos imigrantes e anti-semita. Nos livros do Lucky Luke havia muito.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (101)

 

Inside a Tavern, Peder Severin Krøyer (1886)

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