Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XIII

19.10.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 350)


Excuse me, do you speak a little of English?
No. I speak a lot of English
A arrogância dela; e teve sorte porque ainda levou uma grande ajuda sobre como funcionar com a máquina de parquímetros da EMEL.

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18.10.19

Bibliofilia: "Murder in the Mews" (1937)

[ 148 ] Agatha Christie, Murder on the Mews (1937), Harper Collins, ed. 2016 (pp. 310). Quatro curtas e boas histórias — que fazem pensar se Christie não teria ainda mais sucesso nos contos — Murder on the Mews (pp. 77), onde há a tentativa de transformar um suicídio em homicídio por vingança; The Incredible Theft (pp. 72), o inteligente fingimento de um assalto com roubo de documentos confidenciais por convenientes razões diplomáticas; Dead Man's Mirror (pp. 109), o assassínio para protecção do futuro da filha incógnita, evitando assim a alteração testamentária; e, por fim, Triangle at Rhodes (pp. 39), onde o triângulo amoroso não é o que se apresenta mais revelador, mas antes o mais surpreendente. Poupado no número de personagens, mais conciso, mais direito ao osso. Não podia ser melhor para quem está farto de romances sob a forma de lista telefónica "Páginas Amarelas".

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7.9.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 349)


O PAN quando surgiu foi apodado de partido do voto de protesto, depois, com a justificação do crescimento dos partidos verdes no resto da Europa, foi incensado como ambientalista, sobretudo, porque nunca se soube o que valia eleitoralmente os Verdes, sempre na barriga de aluguer do PCP. Quatro anos, um deputado na Assembleia da República e outro no Parlamento Europeu depois e a luta contra as touradas às malvas, voltam a partido insonso. Também foi assim com os Crocs antes de aparecerem os Paez.

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5.9.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 348)


Percebe-se muito melhor a fiabilidade actual das sondagens quando um dos seus principais responsáveis, Rui Oliveira e Costa, constata que determinado partido teve uma queda de cinco por cento, de 44% para 39%, em vez de uma quebra de cinco pontos percentuais.

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1.9.19

Bibliofilia: "Mrs. McGinty's Dead" (1952)

[ 147 ] Agatha Christie, Mrs. McGinty's Dead (1952), Harper Collins, ed. 2014 (pp. 276). Partindo duma cantilena tradicional inglesa: "Mrs. McGinty's dead!" / "How did she died?" / "Down on one knee just like I." / "Mrs McGinty's dead." / "How did she died?" / "Holding her hand out just like I." / "Mrs. McGinty's dead." / "How did she died?" / "Like this!" Hercule Poirot é contactado por um superintendente da polícia que não está convencido da culpabilidade do inquilino da Mrs. McGinty's, por até ser uma pessoa muito estranha, introvertida e demasiado óbvio para ser culpado. O motivo teria sido o roubo de uma pequena quantia que escondeu nas imediações da própria casa o que levanta ainda mais a suspeita de que alguém o pretendia incriminar. Alguém que lhe quererá mal ou apenas calar algo que Mrs. McGinty não deveria saber. Como empregada doméstica em diversas casas da região, tinha a sua quota-parte de bisbilhotice. Sem Hastings e com uma presença sempre muito discreta da irritante Ariadne Oliver, de forma muito simples, muito económica, as diferentes pistas são dadas e anuladas de forma surpreendente. As diferentes personagens estão carregadas de segredos que nada têm a ver com este caso em si. E também porque um segredo de polichinelo é um segredo que toda a gente pode saber e, por isso, as pessoas que não o sabem nunca o ouvirão, porque se toda a gente pensa que alguém sabe uma coisa ninguém lhe conta essa coisa (p. 249). Na p. 126, há uma tentativa de assassinato de Poirot, quando este é empurrado da plataforma da estação para a linha de comboio por um anónimo; o que é raro nas suas aventuras estar tão perto do perigo. Uma das histórias mais interessantes do famoso detective belga. E estas histórias passadas no período a seguir à Grande Guerra, são mais difíceis de deslindar, ou pela falta de meios, ou pelo passado encoberto das personagens envolvidas — originado pela destruição de arquivos —, ou, até mesmo, pela quantidade de armas que facilmente ainda existia na posse de qualquer um.

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28.8.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 347)


Da série: #OsClientesSóAtrapalhamAsEmpresas. Liga-se para seguradora Ocidental para participar um sinistro, às 18:20 horas. A operadora diz que aquele número é o da assistência em viagem. Pede-se então para passar ao número correcto. Sete teclas opcionais depois a gravação informa-nos que o serviço encerrou às 18:00 horas.

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18.8.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 346)


Everything so nice, the USA bought Alasca from Russia, Virgin Islands not from Richard Branson but from Denmark, and now Donald Trump wants to do a bid for Greenland. But don't you forget that Russia took Crimea free of charge. Could you compel it to pay for it or you already forgot it?

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10.8.19

Momentum: "Carpe Diem" ( 1 345)


London calling (título duma canção dos The Clash). Com o euro a fechar ontem nos 0,9280 libras, a valorizar quase três por cento desde o início do ano, quase nove no último ano corrido e com cada vez mais notícias a dar como certa a paridade quando se aproxima o Brexit à bruta de 31 de Outubro. Falta acertar o preciso momento em que o efeito já estará totalmente descontado pelos mercados.

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4.8.19

Bibliofilia: "Munich" (2017)

[ 146 ] Robert Harris, Munich (2017), Arrow Books, ed. 2018 (pp. 429). O Inglês Hugo Legat e o Alemão Paul von Hartmann partilham um passado em comum do tempo em que estudavam em Oxford, de 1930 a 1932, e vão-se encontrar em lados aparentemente opostos nas negociações do Acordo de Munique de Setembro de 1938, quando o primeiro-ministro conservador inglês Lord Neville Chamberlain se reúne com Hitler para assegurar a paz entre ambos os países enquanto cedia a região do Sudetas, na Checoslováquia, maioritariamente de população alemã. Aparentemente, porque Paul von Hartmann é da resistência alemã ao regime nazi e tem, por duas vezes, nesta história, a hipótese de ter evitado o maior conflito mundial do séc. XX quando se encontra a sós numa sala com o Führer e uma Walther no bolso. O enredo tem um registo muito documental, descritivo, em jeito de documentário, não criando propriamente grandes twists, ou fulgurante suspense, nem personagens que se venham a revelar absolutamente cativantes.

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11.7.19

Bibliofilia: "Dumb Witness" (1937)

[ 145 ] Agatha Christie, Dumb Witness ( 1937), Harper Collins, ed. 2015 (pp. 327). Hercule Poirot recebe uma carta da solteirona (spinster) Emily Arundell, datada de 17 de Abril, a 28 de Junho, quando a remetente tinha falecido a 1 de Maio. A história é narrada pelo fiel Hastings, desta vez, sem a intervenção do inspector Japp, naquilo que de mais puro pode haver nas investigações do famoso detective. Com uma excelente construção de oito personagens suspeitas, na sua maioria parentes da defunta, e envolvendo tipicamente uma herança e o seu testamento, Poirot vai traçando o perfil psicológico de cada um dos suspeitos até encontrar aquele que mais se encaixa na forma como foi cometido o crime. E, embora seja vincadamente realçada a natureza mais cruel de alguns dos suspeitos, nem sempre o culpado é o mais evidente, porque o pior cão é mesmo aquele que não ladra mas morde. No final, Poirot descreve numa carta como foi cometido o crime que envia ao destinatário levando este ao suicídio.

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30.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 344)


O ferry, já bem composto, aguardava por uma última dezena de pessoas que atravessava o passadiço para partir. Os de fora, perante os gritos do membro da tripulação, não aceleraram o passo, um de dentro começou logo a reclamar que já era hora de partirem revelando o desprezo pelos de fora. Os Portugueses são um povo amistoso, simpático, que sabe como ninguém viver em comunidade. Com estrangeiros. Ou no estrangeiro.

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29.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 343)


Nove carros avariados na berma da A2 Sul, sentido Lisboa - Algarve, com temperatura a rondar os 30°, e dois outros no sentido Algarve -Lisboa, um destes semi-consumido pelas chamas. Como houve devolução de rendimentos, isto só pode constituir um plano para revolução do parque automóvel com a passagem à mobilidade eléctrica.

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26.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 342)


A comunicação à CMVM de que o Benfica está ainda a analisar a proposta de compra de João Félix pela cláusula de rescisão de 120 milhões de euros e seis milhões de custos financeiros para o clube comprador, o Atlético de Madrid, para fasear o pagamento, ainda que por razões fiscais, para entrar no exercício fiscal do ano seguinte, que começa no próximo dia 1 de Julho, para não accionar a cláusula de rescisão ou outro motivo certamente relevante, como o potencial encaixe do mesmo valor pelos colchoneros com a venda de Griezmann ao Barcelona, cuja cláusula de rescisão baixa de 200 milhões de euros para 120, também no próximo 1 de Julho, sem colocar em causa o fair-play financeiro dos colchoneros, dá grande margem para especulação sobre um negócio que é o melhor de sempre em Portugal e, nos termos conhecidos, o quinto melhor do mundo.

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16.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 341)


Vieira, Luís Filipe. Faz finca-pé que só vende o jovem prodígio João Félix de dezanove anos e dezanove golos, em trinta e oito jogos na época de estreia como sénior, pela cláusula de rescisão de 120 milhões de euros. Quando, por muito dinheiro que circule hoje nos grandes clubes de futebol, esse valor deixa pouca margem de rentabilidade para uma futura venda do clube que o compre e nenhum clube está disposto a arriscar tanto dinheiro por um jogador ainda não consolidado. Benfiquista que se preze, não deve pôr as mãos no fogo por Luís Filipe Vieira na mesma proporção que deve querer pôr fogo nas mãos de Pinto da Costa.

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15.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 340)


Manuais escolares gratuitos, redução substancial do custo dos passes sociais nas áreas metropolitanas, aumento do salário e do número de funcionários públicos e com redução das horas de trabalho para 35 horas, agilizar o processo de renovação do cartão de cidadão, que agora se tira em cinco minutos mas têm de ser agendado com seis meses de antecedência, para o online. Fim das taxas moderadoras no SNS. 2009 – 2019, ring a bell?

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12.6.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 339)


Os obcecados pelas métricas acham que se matarem três moscas de um grupo de cinco ficam com duas vivas, quando na realidade não ficam com nenhuma porque as duas sobreviventes simplesmente fogem. Nem tudo é mensurável e há sempre o imponderável.

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2.6.19

Bibliofilia: "The Hollow" (1946)


[ 144 ] Agatha Christie, The Hollow (1946), Harper Collins, ed. 2015 (pp. 308). Seis convidados que se detestam vão passar um fim-de-semana no campo, em The Hollow, propriedade de Sir. Henry Angkatell e da socialite Lady Lucy Angkatell, a convite destes. Numa propriedade perto refugia-se Hercule Poirot e quando chega para um almoço no The Hollow depara-se com um homem baleado, quase cadáver, Dr. John Christow, à beira da piscina e com um revólver na mão da cônjuge, Gerda Christow. À partida tudo parece demasiado evidente, encenado, preparado no preciso momento da sua chegada. A culpada parece evidente, falta o motivo. E Poirot apercebe-se, como sempre, de um padrão. Padrão em que todas as testemunhas procuram lançar falsas suspeitas para o afastar cada vez mais da verdade. Sem a presença de Hastings ou da irritante Ariadne Oliver, a actuação solitária de Poirot é sempre mais penetrante.

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30.4.19

Bibliofilia: "Le locataire" (1934)



[ 143 ] Georges Simenon,  Le locataire (1934), Editions Gallimard, Collection Folio Policier, Junho 2014 (pp. 182). Sem grande presença do famoso inspector Maigret, esta história não deixa grandes recordações, Élie Nagear, um turco, refugia-se na pensão da mãe da sua amante, Sylvie Baron, depois de ter matado o ricaço holandês Van der Chose para lhe roubar a mala cheia de dinheiro. Dinheiro esse cujas notas foram marcadas pela polícia, o que vai confinar a sua vida em permanência na cozinha da pensão a conversar com os outros hóspedes, Plutarc Valesco, um romeno, e Domb e Moise Kaler, dois polacos, o último judeu. A história termina com a condenação do criminoso e com a demonstração de afeição inusitada da sua senhoria depois de tanto tempo juntos. As personagens não são sequer suficientemente densas para criarem empatia e a história é perfeitamente banal. A menos que seja tão subtil que necessite de uma releitura.

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31.3.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 338)


Não existe melhor local, ferramenta, instrumento ou mais objectivamente rede social do que o Facebook para revelar a verdadeira natureza emocional das pessoas. Os desequilíbrios, a descompensação, o despropósito, a insensatez, o mau gosto, o quanto pior melhor, está lá tudo. Os comentários desapropriados, a necessidade de obter aprovação na medição de cada like, o voyeurismo. A felicidade fingida, o divertimento mascarado. Está lá tudo. Não serve aos melancólicos e misantropos por opção.

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30.3.19

Cinefilia: "Estado Livre de Jones" (2016)

[ 90 ] Excelente interpretação de Matthew McConaughey no papel de Newton Knight, nesta adaptação duma história verídica que melhor representa a segregação e o racismo dos Estados sulistas norte-americanos que viria a perdurar até mais de metade do século XX. O realizador Gary Ross criou um ambiente muito cinematográfico. Free State of Jones / Estado Livre de Jonas (2016) começa durante a Guerra da Secessão (1861 - 1865), com um desertor confederado, Newton Knight, que perante as constantes carnificinas resolve regressar ao seu condado de Jones, no Mississipi, mas que, perante as injustiças e o confisco de bens pelos próprios confederados aos habitantes do Sul, vê-se obrigado a refugiar nos pântanos onde vivia já um grupo de negros foragidos e a que se vão juntar muitos outros desertores confederados depois dos massacres se intensificarem. Sob a sua liderança, viria a congregar os esforços de um tão alargado e heterogéneo grupo e com diversas acções de guerrilha consegue devolver os bens confiscados aos agricultores pelos soldados confederados, sem que essas acções possam ser conotadas com tomar partido pelos unionistas do Norte. Sem nunca chegar a separar-se da sua mulher branca, acabaria de ter também como companheira uma negra a quem ensinou a ler e que o tinha ajudado a escapar. Com alguns flash-backs do julgamento em tribunal ao longo do enredo, a história culmina com a prisão do trineto, em 1948, após ser condenado por ainda ser 1/8 de sangue negro é assim ser impedido de casar com a noiva branca de sempre.

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3.3.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 337)


Treze jogos, onze vitórias — duas contra o Sporting, uma em Alvalade, uma contra o FCP, no Estádio do Dragão, uma por um histórico dez a zero ao Nacional da Madeira — um empate (Galatasaray) e uma derrota (Taça da Liga contra o FCP) depois, Bruno Lage agradece aos jogadores por todos os dias o tornarem melhor treinador. Se há alguém que merecia análises, compêndios, manuais, solilóquios e monografias sobre liderança era Bruno Lage. Até podia ser da Prime Books. Não precisa de gritar, ranger os dentes, bater com a mão no peito, injuriar árbitros, mostrar exacerbado entusiasmo, êxtase, emoção ou desespero, ser polémico para demonstrar ambição. O Benfica alcança a liderança do campeonato com uma equipa maioritariamente constituída por jovens portugueses (média de seis a sete titulares por jogo) da Academia do Seixal, jogando um futebol deslumbrante de matriz de ligações interiores e passes curtos, superando um atraso de sete pontos com nove vitórias seguidas. Liderar tem muito que se lhe diga, não é José Mourinho, Jorge Jesus, Sérgio Conceição, Bruno de Carvalho e tantos, tantos outros? "Gente forte, faz forte fraca gente" e outras merdas dessas.

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17.2.19

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (106)


La Madeleine à la veilleuse (c. 1640 - 1645)
Georges de La Tour (1593 - 1652)
Louvre

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16.2.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 336)


Depois do Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD), ou General Data Protection Regulation (GDPR), o governo português pretendia que as facturas que, em 2020, vão ser emitidas com um código de barras digital bidimensional em formato quadrado (QR), através do qual os contribuintes podem, por sua iniciativa, comunicar ao fisco as despesas de uma factura, ainda que não tenham pedido para colocar o NIF, para criar incerteza nos vendedores — ou seja, uma emboscada aos comerciantes — queriam que essas facturas descriminassem o que a pessoa comprou ou consumiu numa loja. Obviamente esta última bateu na trave. É pena que tenha sido com pouco estrondo. Entretanto, já em Julho vão ser comunicados os saldos bancários superiores a cinquenta mil euros. No limite o RGPD regulará os Fullen e Sequências.

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10.2.19

Cinefilia: "Em Transe" (2013)

[ 89 ] Danny Boyle fez mais um excelente filme, com um plot genial à custa de vários twists. Um leiloeiro de pinturas famosas, Simon (James MacAvoy) decide roubar a obra de Francisco Goya Bruxas no Ar (1798) — na realidade patente no Museu do Prado — para pagar as dívidas de jogo ao chefe de um gangue Franck (Vincent Cassel). Só que as coisas não correm como previsto e durante o assalto ao levar uma forte pancada na cabeça perde a memória. Para recuperar o paradeiro da obra roubada, que, neste caso, acabou na verdade por ser furtada, Franck recorre à hipnoterapeuta Elizabeth Lamb (Rosario Dawson) para previamente recuperar a memória de Simon. Depois de algumas cenas eróticas, violência explícita, o enredo desvenda que o apelido da hipnoterapeuta é todo ele um programa. E aquilo que todos pensavam tratar-se de uma amnésia não passou de uma manipulação psíquica para alcançar um determinado propósito. Em Transe (2013) deve ter sido das melhores coisas que se fizeram quer nesse ano, quer nos últimos anos, quer no argumento, quer na cinematografia. E deve ter passado despercebido a muito boa gente na voragem da actualidade.

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5.2.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 335)


[ 13.° Aniversário ]

Sempre que o Cristiano Ronaldo faz anos, o Quem Ousa Vence ( QOV ) também. Foi uma coincidência, se um tem o talento o outro tem a resistência. Hoje, o primeiro faz 34 anos e o segundo 13 anos. Parece pouco? Numa altura em que até a porcaria do Facebook está a perder notoriedade para merdas como o Instagram, Whatsapp, Tinder e assim sucessivamente, dá um gozo tremendo ter um cantinho muito próprio que se borrifa para a adesão que tem. É um pouco como aquele dilema antigo do apoio às artes criativas, conceptuais, ready-made, que não têm grande audiência. Se não tem audiência não se conseguem auto-sustentar e deverão ser subsidiadas? Por outro lado, se o Urinol do iconoclasta Marcel Duchamp e a Merda de Artista de Piero Manzoni foram um sucesso... Mas este é um blogue hidden in plain sight, não é à toa que, de vez em quando, surgem convites para escrever noutros blogues colectivos ou o testemunho de alguém que por aqui aparece. Com mais ou menos inspiração, com mais ou menos frequência, com mais ou menos proficuidade, vai continuar a ser actualizado. Não tem likes. Não precisa de feed-back. É em proveito próprio. Um tremendo gozo.

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27.1.19

Bibliofilia: "Dez Milhões e Um" (2018)


[ 142 ] Robert Sherman, Dez Milhões e Um (2018), Conjuntura Actual Editora, ed. Novembro 2018 (pp. 226). O ex-embaixador norte-americano revela uma profunda e genuína paixão por Portugal e os Portugueses, pela sua tolerância (brandos costumes) e simplicidade. Não deve ter sido confrontando com a inveja e mesquinhez. É impressionante a quantidade de iniciativas pessoais de diplomacia económica, quer do próprio, quer da cônjuge. Houve muito mais do que vídeos a apoiar a Selecção Nacional ou desfiles de motards de Harley Davidson. A questão da Base das Lajes foi a mais sensível, mas também é possível perceber que o Presidente da Região Autónoma dos Açores se comportou como o animal do seu tamanho que é símbolo da Rússia. No fundo, não é uma biografia, não são as suas memórias, mas é um relato da sua experiência em Portugal da convivência com um povo que mudou a sua vida e o preencheu. E também sobre liderança. E onde há carisma, há sempre liderança por influência.

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9.1.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 334)


As questões pessoais sempre na vanguarda em Portugal. O árbitro de futebol que mais depressa saca do cartão vermelho para expulsar o jogador por ofensa à sua pessoa do que por uma entrada violenta que coloca em causa a integridade física do adversário. O dirigente da empresa mais preocupado se o colaborador participa nas iniciativas sociais que ele organiza do que na eficiência ou eficácia do mesmo. A professora que se vinga e cava fundo na nota do óptimo aluno pela actuação disciplinar menos conseguida. Portugal mesquinho. Dos pequeninos.

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6.1.19

Momentum: "Carpe Diem" (1 333)


Quem tem famílias grandes depara-se com esta questão em determinada altura. Os tios e as tias, na casa dos oitenta, começam a cair como tordos e cada recordação em vídeo das festas familiares do passado torna-se num episódio de Walking Dead. É impossível imaginar a angústia daqueles que se julgam os próximos da fila. E os cinquentões começam a projectar como será aquele viver permanente com a angústia da derradeira ceifada. Como disse Ruy de Carvalho, "todos os anos passamos pelo dia da nossa morte." Por isso, conhecendo a sua finitude, mas incapazes de prever a sua ocorrência, no aniversário há quem se embebede de "caixão à cova" ou o mais recatado e racional que opta por festejar os cinquenta numas férias paradisíacas em Florença, Praga, Copenhaga ou no regresso a Londres, acompanhado pelos herdeiros legais. Porque só se faz cinquenta anos uma única vez.

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29.12.18

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (105)


A concentração de luz é extraordinária em S. José, O Carpinteiro ( c. 1642 ). A vela realça as linhas da face de S. José e a sua gentileza. E a face iluminada de Jesus a sua natureza divina.

Georges de La Tour ( 1503 - 1652 ), S. José, O Carpinteiro ( c. 1642 )
Louvre

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28.12.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 332)


Hoje a agenda mediática criou a ideia peregrina que os bancos são casas de penhor que concedem crédito para executarem a hipoteca e não fazem a avaliação da taxa de esforço ( DSTI — Debt Service-To-Income ), nem recorrem à garantia pessoal dos fiadores.

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27.12.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 331)


Ele tinha um MBA do prestigiado INSEAD de Fontainebleau, proveniente duma família benzoca, casado com uma dondoca, maratonista de sucesso em condições extremas, executivo de sucesso numa PME, na casa dos trinta e muitos, pai de cinco filhos, sendo que duas das crianças vomitavam e desfaziam-se em diarreia, com os pais alienados no lufa-a-lufa do Natal ou embrenhado nas últimas no iPad. Uma semana antes do Natal, contrataram uma babysitter de dezassete anos que adoeceu com a bactéria ou vírus das pobres crianças de pais sofisticados. Na véspera de Natal, contrataram uma babysitter de dezoito anos que passou a consoada com a bactéria ou vírus das pobres crianças de pais sofisticados. Depois do Natal, adoeceu a mãe da babysitter com a bactéria ou vírus das pobres crianças de pais sofisticados. Famílias modernas.

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26.12.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 330)


Poucos conhecerão que as origens do Boxing Day estão ligadas ao dia em que um homem sentiu-se aliviado pela mulher indisposta ter desistido de ir às compras, mas, para frustração do mesmo, ficou todo o dia a ver TV, na única box disponível da casa, impedindo-o de assistir à jornada mais famosa da Premier League.

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25.12.18

Efeméride: Espuma dos dias (33)


A Santa Família, com Santa Isabel e o pequeno S. João Baptista, a quem Jesus ainda criança entrega uma cruz feita de canas ( c. 1630 ).

Jacques Blanchard ( 1600 - 1638 ). Louvre.

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9.12.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 329)


Ser igual a si próprio. Onde quer que esteja, o que quer que seja. Não ceder ao intolerável. Afirmar as suas convicções. When they go low, we go high. Não ter medo de perguntar quando não sabe, sinal de inteligência. Não ter medo de questionar quando não concorda, sinal de coragem. Não fazer fretes. Ser genuíno. Autêntico. Ser forte com o mais forte dos mais fortes. Não bater em alguém já no chão. Conhecer os limites. Ter filtro. Saber estar; com o insignificante ou o importante. Valorizar muito mais a educação do que o poder. Sentir a inconveniência como mais rude e ordinária do que o mero palavrão. Desprezar a inveja. Admirar as coisas simples. Fugir da ostentação. Ser de aço com a pressão social. Respeitar para ser respeitado. Ser suficientemente forte para assumir a fraqueza. Quanto mais livre mais responsável. Ter a calma, o equilíbrio e a ponderação de um gigante. Ter a vida bem resolvida. Alargar os horizontes. Indignar-se. Importar-se. Aprender a não agradar a todos. Combater o preconceito. Saber dizer não. Ser assertivo. Agradecer o elogio, tendo consciência do efémero. Perdoar, sem nunca esquecer. Semper idem. 2019.

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25.11.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 328)



As tragédias que com maior frequência se abatem sobre Portugal não parecem desanimar o povo na sua constante busca de "pão e circo". Depois dos terríveis e devastadores incêndios do ano passado que provocaram a mortandade conhecida pela incúria e incompetência de quem nos governa e a irresponsabilidade de ter uma estreita faixa de rodagem, a que chamam estrada, rodeada de abismos de setenta metros de profundidade que são as pedreiras de Borba ou de outro lado qualquer, compensam com as grandes realizações da WebSummit ou Lisboa a inaugurar os dois milhões de luzes de Natal com fogo-de-artíficio no Terreiro do Paço. Isto no fundo não passa de uma favela com um Ferrari estacionado à porta com postigo.

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6.10.18

Bibliofilia: "A Gargalhada de Augusto Reis" (2018)

[ 141 ] Jacinto Lucas Pires, A Gargalhada de Augusto Reis (2018), Porto Editora, ed. Abril 2018 (pp.264). A história em si não é grande novidade, rodando à volta de três personagens e às arrecuas com o passado. A Revolução do 25 de Abril, Estado Novo, gente de bairro pobre de Lisboa que ascende na sua condição social e artistas frustrados não são propriamente algo que surpreenda na Literatura nacional. Isto quanto à substância, porque quanto à forma o livro está extraordinariamente bem escrito com curtos capítulos, curtas passagens e a difícil ligação entre três personagens tão distintas que trabalham a diferentes ritmos, sem necessidade de criar um calhamaço de quatrocentas páginas como se tornou agora tão frequente. Um dia, no passado já longínquo, o prof. Lucas Pires numa entrevista a um jornal desabafava com um razoável orgulho que o filho Jacinto lhe tinha dito que queria ser escritor, ao que ele lhe respondeu que para isso precisava no mínimo de conhecer as árvores. Talvez venha daí o motivo pelo qual não existe aqui uma grande história, mas existe um grande escritor.

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5.10.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 327)


Portugal é um país acolhedor para Sol, gastronomia e cujos principais interesses são «laurear a pevide», copos, futebol e gajas. E ostentação social. Quem tem o último iPhone ou o melhor SUV. Nota-se tanto, mas tanto, quando alguém procura algo fora do mainstream como uma caneta de tinta permanente Pelikan (só no El Corte Inglés ou em Londres) ou Kaweco (mais perto só em Sevilha) ou um Traveller's Notebook da Midori ( (Amesterdão). Romances policiais no original de Georges Simenon, mesmo com a FNAC, em Paris. Em Mandeville Place, por detrás do Selfridges, e perto da Oxford St. até há uma loja exclusivamente dedicada a bonecos militares de chumbo do tempo das guerras napoleónicas para coleccionadores e não só. Agora em Portugal coleccionamos vaidade, sucesso e ostentação para grande perda da felicidade de cada um.

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4.10.18

Bibliofilia: "Dead Man's Folly" (1956)

[ 140 ] Agatha ChristieDead Man's Folly (1956), Harper Collins, ed. 2014 (pp. 238). É possível construir um padrão com as vezes em que os casos de Hercule Poirot acabam com vítimas envenenadas ou com troca de identidades. Neste caso, apesar de existirem três vítimas mortais, nenhuma delas é envenenada, há uma estrangulada, há uma que morreu no passado  — daí a troca de identidade — e, por fim, na última não é revelado o modus operandi por que é suposto ter sido acidental. O que é sempre extraordinário é o método de dedução lógica do detective, que encontra sempre as respostas nas coisas mais simples e na avaliação psicológica que faz das pessoas e das conversas que tem e que ouve. Nenhuma frase é desperdiçada, nenhuma palavra é esquecida, pois pode revelar o carácter do suspeito. A presença de Ariadne Oliver nesta história é felizmente subvalorizada, em detrimento da importância que a própria autora atribuiu quando a personagem principal recorda com saudade, na página 213 (podia ser "às páginas tantas"), que não vê o companheiro Hastings há muitos anos.

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30.9.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 326)


Enquanto o feminismo se insurge quanto à condição de mulher-objecto nas Voltas do ciclismo, na Fórmula 1 ou nas Mota 2, na sexta-feira, ao final do dia de trabalho, três mulheres saíram de três empresas distintas no cruzamento da Barata Salgueiro com a Castilho. Uma num confortável vestido justo e apertado e curtíssimo. Outra com um macacão constituído por uns calções curtíssimos e a terceira com uns shorts dignos de qualquer praia, justificava-se face aos trinta graus que fazia. Todas de saltos altos. Ora, isto vem corroborar o estudo que agora para aí anda de que as mulheres são muito mais frias e racionais do que os homens. E isso era possível observar na cara de parvo de todos os homens que com elas na rua se cruzaram. De tão ostensivamente vestidas que estavam, nem um piropo levaram. Na empresa só podem ser executivas de sucesso. Ou famosas como a Lisa Ann que também se vestia assim para ir trabalhar.

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29.9.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 325)


Esta cultura da familiaridade, o tu-cá-tu-lá cinco minutos depois de conhecerem uma pessoa, ainda que tenha idade para pai deles(as), esta cultura da excessiva importância da permanente jovialidade, sempre em forma, sofisticado, adepto de gadgets, do moderno, saudável, (falso) feliz, de sucesso, competitivo, ultra ambicioso: é cem mas eu só me contento com duzentos. Das tatuagens — ainda que não tenham o menor estilo para a coisa — esta cultura do chefe que vive na ambiguidade de querer parecer íntimo em privado e distante em público com o inferior hierárquico. Distante sobretudo se estiver na presença do superior hierárquico do superior hierárquico. Esta cultura da familiaridade de oito do tu-cá-tu-lá que passa logo para oitenta do doutor se o tu-cá-tu-lá chegar a chefe. E vice-versa. Esta cultura da coluna vertical de plasticina. Moldável, pois um "homem é fruto das circunstâncias" como disse em sua defesa Armando Vara. De "estes sãos os meus princípios, mas se não gostarem tenho outros". Esta cultura de betão com os fracos e de manteiga com os fortes. De desprezo pelos mais velhos. Esta cultura instalou-se, prolifera e os que ainda resistem não chegam sequer para formar uma aldeia gaulesa.

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2.9.18

Bibliofilia: "One, Two, Buckle My Shoe" (1940)

[ 139 ] Agatha Christie, One, Two, Buckle My Shoe (1940) Harper Collins, ed. 2016 (pp. 241). Tudo levava a crer que a motivação que estava por trás do homicídio, disfarçado de suicídio, do dentista de Hercule Poirot tinha a ver com a causa pública de anarquistas progressistas que procuravam alterar a ordem estabelecida representada por um importante banqueiro com excelentes relações com o poder político. Mas depois os pormenores e a perspicácia do detective fez a diferença: uns sapatos de fivela velhos que aparecem num cadáver desfigurado como novos e que revelam tamanhos diferentes colocam em dúvida a identidade dessa vítima. Dessa, porque neste romance há três mortes. Sendo que apenas uma é violenta e, como habitualmente, as restantes são envenenadas. O inspector Japp mantém-se como personagem da história que, mais uma vez, não conta com a presença de Hastings e, felizmente, muito menos com a impertinente Ariadne Oliver. Também surgem as primeiras inseguranças a Poirot se o seu envelhecimento não está a colocar em causa as suas capacidades. É curioso como nos casos de Poirot o jardineiro substitui muitas vezes o clássico mordomo, não na pessoa que comete o crime, mas na pessoa que representa quem não é. A resolução do caso acaba por estar mais uma vez na clássica troca de identidades. Se já tivesse sido introduzido o Regime Geral de Protecção de Dados (RGPD), as histórias da Agatha Christie teriam sido um fracasso.

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26.8.18

Momentum: "Carpe Diem" (1 324)


‪Rui Vitória revela maior aptidão para cumprir um dos principais projectos do Benfica: lançar com sucesso os jovens da Academia como Renato Sanches, Nélson Semedo, Lindelöf, Gonçalo Guedes, Rúben Dias, Gedson e João Félix. Por outro lado, tarda ou não consegue extrair o potencial de jogadores adquiridos e no auge da carreira como Samaris, Lisandro López, Raúl Jiménez, Carrillo, Zivković, Seferović, Rafa e Ferreyra. Pode haver aqui um défice de autoridade?‬

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15.8.18

Bibliofilia: "Cat Among the Pigeons" (1959)

[ 138 ] Agatha Christie, Cat Among the Pigeons (1959) Harper Collins, ed. 2014 (pp. 308). O prestigioso colégio e very british de Meadowbank vê-se envolvido numa conspiração internacional com início num país árabe fictício do Médio Oriente. A entrada em cena do famoso detective e fascinante personagem, Hercule Poirot, é estranhamente tardia: terceira parte do capítulo 17 (p. 217). Três mortes assolam o início do ano lectivo em Meadowbank, uma está acidentalmente relacionada com um caso de conspiração internacional, a segunda morte é motivada por chantagem e a terceira e última é um mero caso de inveja que condena de forma voluntária e natural à morte também a sua perpetradora. É uma inteligente jovem aluna que descobre parcialmente o mistério e que posteriormente recorre aos serviços de Poirot. Que como sempre tem uma enorme perspicácia na observação da fisionomia facial dos envolvidos e procura sempre confirmar que todos os envolvidos são efectivamente quem dizem ser.

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4.7.18

Bibliofilia: "Third Girl" (1966)



[ 137 ] Agatha Christie , Third Girl (1966), Harper Collins, ed. 2015 (pp. 289). Um dos romances onde a fascinante personagem de Hercule Poirot (ou a autora por ele) se revela mais preconceituoso com a modernidade que gradualmente vem abalando os alicerces clássicos. Desde os cabelos compridos dos adolescentes, ao uso das calças pelas adolescentes. Há desde o início o prenúncio de uma morte que parece tardar e diferentes padrões que fazem todo o sentido e dificultam a investigação. Há uma apropriação de identidade para furto de herança, fazendo a herdeira julgar-se louca. Como sempre a resposta encontra-se no Passado. Interessante o preconceito de Poirot contra as modernas convenções sociais. Mas a personagem de Ariadne Oliver é muito mais irritante do que o saudoso e ingénuo Hastings, que tinha algo de underdog.

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16.6.18

Momentum: "Carpe Diem " (1 323)


Jogo memorável na estreia da Seleção Nacional no Campeonato do Mundo da Rússia. Um Portugal vs. Espanha para não esquecer com empate a três. Hat-trick na estreia de Cristiano Ronaldo, o mais velho jogador de futebol a marcar um hat-trick aos trinta e três anos num Mundial. Igualando o segundo melhor marcador europeu de todas as selecções, o húngaro, Puskas, com 84 golos. Mas, numa análise mais racional, muita coisa a corrigir: muita ansiedade dos três jovens e promissores apoiantes da linha média, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes e Bruno Carvalho, que tanta esperança oferecem e tanto prometeram no último jogo de preparação ainda no Estádio da Luz contra a ausente Argélia. Cédric Soares não chegou para as encomendas de Jordi Alba que parecia um Speedy González a passar por ele e a centrar recuado para aparecer alguém a rematar à entrada da área. Invariavelmente o ponta-de-lança brasileiro naturalizado espanhol, Diego Costa, ou o formidável playmaker Isco. O primeiro golo é precedido de falta de Diego Lopes (Sergipe) sobre o nosso naturalizado brasileiro Pepe (Maceió, Alagoas). Tradicional cotovelada na cara do adversário. Um clássico de Diego Costa. O árbitro italiano não quis estrear o VAR e na continuação da jogada o ponta-de-lança desfez uma fatia importante do Southampton 2016/2017, com José Fonte e Cédric Soares completamente aos papéis. Portugal muito bem em contra-ataque e uma nulidade em ataque organizado. O que levanta grande apreensão quando defrontar equipas teoricamente mais pequenas como Marrocos e o Irão de Carlos Queirós, no mesmo grupo. Mais uma vez, foi o melhor do mundo e mais dez. Cristiano Ronaldo pode estar a fazer o seu último Mundial — ontem fez a 151.° internacionalização —, esperemos que os toques que esteve a dar com o filho, Cristianinho, sozinhos no relvado da Luz, após o particular com a Argélia, tenha sido a passagem do testemunho, face ao talento já revelado pelo miúdo. Por que ele ontem marcou o golo do empate de livre directo depois de quarenta e cinco tentativas em fases finais.

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2.6.18

Bibliofilia: "Taken at the Flood" (1948)

[ 136 ] Agatha Christie, Taken at the Flood (1948), Harper Collins, ed. 2015 (pp. 279). Três mortes, obviamente nenhuma por doença natural, mas nem todas premeditadas ou por homicídio. Há um suicídio, um acidente, que se desconfia de assassinato, e um homicídio. Por envenenamento, como não podia deixar de ser. Há, como habitualmente, quem se faz de quem não é. E é no passado que se encontra a solução. O que esta história tem de interessante em comparação com as restantes: todo o caso está invertido, quem tem o motivo não é suspeito, nem tem a oportunidade, e quem tem a oportunidade e é suspeito não tem o motivo. Não será bem assim, porque na verdade há motivos diferentes que colidem em suspeitos contrários. David Hunter sobrevive a um bombardeamento durante a Segunda Guerra Mundial juntamente com a sua irmã, Rosaleen Underhay, recém casada com o milionário Gordon Cloade, depois do seu primeiro marido, Robert Underhay, ter desaparecido em África, o que coloca em causa toda a dependência da restante família Cloade da sua ajuda familiar. Sem testamento, a herdeira legal será a actual Rosaleen Cloade, anterior Underhay. E, se por acaso, Robert Underhay não tivesse morrido? Isso inviabilizaria a herdeira. Hercule Poirot começa a investigar este interessante caso a partir do primeiro capítulo da segunda parte do livro (p. 149).

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12.5.18

Cinefilia: "A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata de Guernsey" (2018)

[ 88 ] Uma escritora sem grande sucesso, Juliet Ashton (Lily James de, p. ex., Downton Abbey), com um terrível pseudónimo, começa a corresponder-se com um criador de porcos da Ilha de Guernsey, sobre a obra do escritor Charles Lamb (1775 -1834) depois de descobrir a morada da jovem escritora num exemplar. É através dessa correspondência que toma conhecimento da origem da "Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata", numa época, durante a Segunda Guerra Mundial, onde o recolher obrigatório imperava em Guernsey. A história é muito mais densa do que o título aparenta. E é na tentativa de obter o acordo dos membros da sociedade literária para escrever um artigo para o suplemento literário do jornal The Times que se lhe revela, alterando profundamente a sua vida. Comovente, com paisagens cinematográficas, um excelente elenco e óptimas interpretações, o realizador Mike Newell, de Four Weddings and a Funeral (1994), fez um bom trabalho neste The Guernsey Literary and Potatoe Peel Pie Society (2018) adaptado do livro com o mesmo nome.

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6.5.18

Bibliofilia: "Death in the Clouds" (1935)

[ 135 ] Agatha Christie, Death in the Clouds (1935), Harper Collins, ed. 2015 (pp. 262). Durante um voo Paris - Croydon, uma mulher francesa, Marie Angélique Morisot ou simplesmente Madame Giselle, reconhecida agiota, é silenciosamente assassinada, obviamente com veneno. Veneno de cobra injectado através de um dardo lançado por uma zarabatana. Como é que alguém consegue usar uma zarabatana num espaço confinado, com a ausência de um momento de diversão, sem nenhum dos onze passageiros e dois comissários de bordo reparar ou notar nada de estranho? Porquê deixar a prova do crime — a zarabatana — à mercê da investigação quando existiam meios de a esconder? Ao esconder a zarabatana por debaixo do assento de Hercule Poirot, a questão tornou-se também pessoal para limpar a sua reputação. Que divide a investigação por dois caminhos: quem teve a oportunidade e quem tem o motivo? Depois é o costume, alguém diz que é quem não é e é bem lá no passado que se descobre a verdade. Hastings anda desaparecido da história, mas em sua representação existe o inspector Japp. Também começava a ficar estranho a existência apenas de uma morte em toda a trama, até à página 244. O que tem de muito bom os livros de Agatha Christie, nomeadamente com a personagem carismática de Hercule Poirot, além das boas histórias e ideias, é que dada a abundância de diálogos e as poucas descrições do tempo, da paisagem ou dos locais, permitem treinar facilmente e de forma prazenteira o Inglês.

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25.4.18

Momentum: "Carpe Diem " (1 322)


Os nossos dicionários on-line são uma série de Matryoshkas. Vejamos, e.g., o que significa a palavra "cinematográfico"? O mesmo que "cinematografia" que é igual à "cinegrafia" que, por sua vez, é o mesmo que "cinematografia". Na última boneca, naquela mais pequenina, alcança-se "processo ou prática do cinematógrafo", que não deixa de ser o mesmo que "cinematografia".

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15.4.18

Bibliofilia: "Sad Cypress" (1940)

[ 134 ] Agatha Christie, Sad Cypress (1940)Harper Collins, ed. 2015 (pp. 282). Mais um típico caso de envenenamento que envolve mais do que uma morte. Elinor Carlisle aguarda julgamento pela suspeita quase irrefutável de ter envenenado Mary Gerrard por ciúme ao ter originado o fim da sua relação amorosa com Roderick Welman. Dividido em três partes, Hercule Poirot surge apenas a partir da segunda (p. 115) quando o médico Dr. Peter Lord lhe pede com grande veemência ajuda. Quando as provas parecem incontestáveis, Poirot serve-se da importância da mentira nos testemunhos de todos os envolvidos que escuta e a quem extrai o máximo de informação. Quase todos eles, por uma ou outra razão, mentem. E há sempre um passado e alguém que não é quem aparenta ser. Só que há mentiras que por não fazerem sentido, não terem justificação, são as mais suspeitas. Há mentiras que são tão úteis como as verdades. E pensar em matar alguém não é assim tão diferente do ponto-de-vista psicológico como concretizar o acto. E Elinor Carlisle tinha contra si a oportunidade, as circunstâncias, mas faltava-lhe o motivo.

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