Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

13.5.17

Momentum: "Carpe diem" (1 303)

 

Um dia que significa muito para muitos Portugueses, 13 de Maio, desencadeou uma tempestade perfeita de emoção, crença, felicidade, comoção, optimismo, sucesso e excelência. O Papa Francisco veio às celebrações do centenário das Aparições de Fátima de manhã, à tarde o Benfica conquista o seu primeiro tetra e à noite o português Salvador Sobral vence, com pontuação recorde de 758 pontos, o Festival da Eurovisão da Canção, sendo o único a cantar na língua materna entre vinte seis concorrentes (entre os quais a Austrália), depois de quarenta e nove presenças falhadas ou sofridas. Inesquecível. Inexplicável. Arrebatador.

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24.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 302)


O dérbi Sporting vs Benfica do último sábado era a grande oportunidade de vingança para Bruno de Carvalho, Jorge Jesus e "brunetes". O presidente emérito tinha feito tudo bem: incendiado as redes sociais; o treinador tinha preparado o jogo como nunca, o próprio jogo sem pressão era de feição para o lado de Alvalade, pois não havia nada a disputar senão enfiar mais uma facada para a História no rival. O acontecimento trágico, lamentável e abjecto da morte de um adepto leonino italiano da Fiorentina na madrugada da véspera nas imediações do Estádio da Luz faria o resto. Só não contaram com a reacção de Ederson e do árbitro. O guarda-redes do Benfica, aos quatro minutos, alivia mal uma bola para os pés de Bas Dost que obriga a jovem promessa brasileira a cometer pénalti. O árbitro que tão prontamente, e bem, assinalou um pénalti aos quatro minutos nunca mais viu os restantes três não assinalados a favor do Benfica. Desorientados, a verem-se a ganhar tão cedo e a ser beneficiados pela arbitragem, o jogo terminou empatado a um. Um também foi o número de remates enquadrados à baliza do ex-SCP de nota artística e oitenta e seis pontos. Morreu a narrativa. Genial como se usa a incompetência para alastrá-la ao adversário, derrotando-o. E retirando-lhe todos os argumentos. Foi um empate demolidor para o Sporting.

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23.4.17

Cinefilia: "A Queda de Wall Street" (2015)

[ 84 ] A distância do tempo torna sempre mais lúcida a análise. Em três histórias separadas, que correm em paralelo, dois grupos e um gestor de hedge funds vão descobrir como o mercado anterior à queda dos bancos de investimento Bear Sterns e do Lehman Brothers estava pura e simplesmente viciado. Para isso limitam-se a fazer o mais simples: abrir a caixa de pandora e ver o que está lá dentro. As famosas Collateralized Debt Obligations (CDO) que agrupavam hipotecas com diferentes ratings falseados e vendidas a granel não valiam o que era suposto quando o seu composto (mercado imobiliário) começou a cair e as strippers de rendimento precário, que tinham cinco imóveis e dez hipotecas, não as conseguiram pagar com o valor de avaliação a descer e as taxas de juro a subir. Estes investidores perceberam o mercado e apostaram contra ele (short selling) através da criação de um instrumento derivado que na altura nem sequer ainda não existia, tal a confiança nas obrigações hipotecárias. Mas o problema é que se demorassem muito o próprio mercado contra o qual apostaram estava a desintegrar-se e não se reavê nada de zero. The Big Short / A Queda de Wall Street (2015), realizado por Adam McKay, é mais um documentário do que uma ficção da realidade, baseado numa história verídica, apesar de contar com excelentes interpretações de Christian Bale (Michael Berry) e Steve Carell (Mark Baum) A distância do tempo torna tudo mais lúcido, e em 2015, ano do filme, começaram a transacionar-se de novo CDO.

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22.4.17

Cinefilia: "Os Oito Odiados" (2015)

[ 83 ] A acção decorre no Wyoming numa casa a que é difícil chamar de retrosaria, para o conceito português, e que mais se parece com uma estação de paragem de diligências, durante uma forte tempestade. Oito homens (e uma mulher), que podem vir a ser nove, ficam confinados àquele espaço que, por ser amplo, nunca se torna claustrofóbico, apesar da tensão existente e crescente entre os membros do grupo. Dividido em seis partes a que chama capítulos, em grande parte dos quatro primeiros não há a característica violência repleta de sangue dos filmes de Tarantino, mas no últimos isso é compensado com sangue e vómito. Muito vómito. Grande parte do filme é passado em diálogo entre as diferentes personagens para saber quem diz ser quem ao melhor estilo das reuniões finais de Hercule Poirot para desvendar o(s) criminoso(s) (pasme-se!) que envenenaram (muito Agatha Christie, em ano de celebração). O ritual, que todos conhecem e reclamam, de fechar a porta da cabana, pregando duas tábuas, funciona como palavra-passe para entrar naquele submundo. The Hateful EightOs Oito Odiados (2015) é muito Quentin Tarantino, abusando do inesperado, da excessiva violência graficamente exposta e sobre a mentira, tudo com o habitual excelente elenco. O que não é necessariamente mau.

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21.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 301)

 

Recentemente o mundo esteve à beira do apocalipse nas redes sociais (onde mais poderia ser?) porque o conhecido rigor do credível Donald Trump colocou uma frota norte-americana, composta por um porta-aviões nuclear, dois destroyers e um cruzador, a caminho da península coreana quando, na realidade, dirigia-se no sentido oposto para o Oceano Índico. Dois ou três dias (talvez nem tanto) depois rebentou outro escândalo onde acusavam os pais de uma malograda adolescente de serem adeptos anti-vacinas, quando na realidade a vítima não tinha sido vacinada por ter tido uma reacção alérgica à primeira dose no passado. Voltaram a ser anti-vaxxers quando foram contrariados no dia seguinte, por outra notícia de outro jornal, de que os irmãos também não tinham sido. É assim o actual mundo da informação, da actualidade, aos repelões, por surtos, cheio de contradições, sem confirmação das fontes, com insípida edição ou mediação, como adolescentes a correr para dizer a primeira tontice que lhes é dada de bandeja, gratuitamente, sem contraditório, como o rumor, a alcovitice, o boato, a intriga, o mexerico. Feito de histerismo colectivo, próprio da adolescência, alimentado pelas redes sociais. Quando deviam ser as redes sociais a comentar as notícias, são as notícias a comentar as redes sociais.

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20.4.17

Bibliofilia: "A Louca da Casa" (2003)

[ 127 ] Rosa Montero, A Louca Casa (2003), Livros do Brasil, 1.ª ed. Janeiro 2017 (pp. 219). Ao contrário do que se possa pensar, apesar das abundantes referências a escritores e às suas obras literárias, à abordagem ao tema da classificação de escritores, da influência das mulheres destes nas suas vidas, à já clássica e tradicional necessidade do vício da leitura, a jornalista espanhola não criou, aos cinquenta e dois anos, um ensaio sobre a literatura, mas sobre a imaginação — que dá nome ao livro (referência à Santa Teresa de Jesus) — e à loucura. Também tão pouco é uma autobiografia, e faz questão de o vincar na história aparentemente vivida de forma diferente em três momentos (p. 27, p. 104 e p.192), acrescentando no final a citação de Barthe para o comprovar: "É que qualquer autobiografia é ficcional e qualquer ficção autobiográfica." Ensaio, autobiografia ou o que quer que seja, há apenas a certeza de ter concebido uma magistral obra que apenas peca por não ter sido complementada por um índice onomástico, pelo menos, nesta edição.

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17.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 300)


Poucas coisas dão uma absoluta sensação de dever cumprido do que o acto de ter concluído a leitura de um livro. Sobretudo quando é feito em tempo útil. Da primeira à última página. Sem pausas. De rajada. Por outro lado, a sensação de procrastinar o começo da leitura de um livro, para adiar e guardar um momento de puro prazer, também é em si extraordinário. São coisas simples, numa época de pouca glória e de muita fama e popularidade.

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15.4.17

Bibliofilia: "A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar" (2016)

[ 126 ] Ricardo Araújo Pereira, A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar — Uma Espécie de Manual de Escrita Humorística (2016), 1.ª ed. Dezembro 2016, Tinta-da-china (pp. 118) Esta é a melhor obra até agora escrita pelo autor. Sobre o seu ofício: o humor; e a escrita com humor. Somos muito mais capazes de rir de um episódio trágico onde estivemos envolvidos muitos anos depois, daí a importância do tempo. Mas o tempo é uma distância, e também rimos mais facilmente de algo que acontece aos outros. É muito mais difícil saber rir de nós próprios. O humor também pode ser uma vigarice benigna. O rigor não pode estragar uma bela piada. Porque a história humorística depende mais da forma como é contada do que se conta. Já se evita muito a mortal explicação da piada que se faz, mas uma piada feita com evidente esforço também não leva a lado nenhum. No fundo, o humorista tem um talento particular para descobrir outros pontos de vista, para perceber não o que as coisas são, mas o que poderiam ter sido. Da colisão entre o que se diz e a maneira como se diz. Ou de tratar o notável como banal. E, neste caso concreto, uma obra aparentemente banal que é de facto notável.

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14.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 299)

 

O mundo está hoje suspenso — embora a logomaquia de temas e sobre o tema não dê para perceber bem isso — de um potencial conflito nuclear entre os EUA e a Coreia do Norte, se os primeiros forem forçados a intervir porque os segundos arriscaram um novo teste com um míssil balístico que querem tornar intercontinental. A Coreia do Norte parece já ter capacidade nuclear, mas não meios para alcançar os EUA, o que não invalida que não possa atingir as potências vizinhas mais próximas: a China e a Rússia, ou os aliados norte-americanos: Coreia do Sul e Japão. Assim, deverá continuar a aparente ineficaz diplomacia multilateral e o agravamento das sanções ou deverão ser colocados escudos anti-mísseis no Japão e Coreia do Sul como prevenção a bombardeamentos cirúrgicos norte-americanos às instalações nucleares da Coreia do Norte? Ou deverão ainda ser colocadas armas nucleares nos aliados para circunscrever um potencial conflito nuclear apenas à região? O que intimida, hoje em dia, é a percepção da má preparação, desorganização e descontrolo de qualquer iniciativa, o que torna tudo tão imprevisível.

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9.4.17

Bibliofilia: "A Viúva do Enforcado" (1877)


[ 125 ] Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877), 1.ª ed. novembro 2015, Sistema Solar (pp. 133). A história da filha do "iracundo" surrador de Guimarães, Joaquim Pereira, de 1822 a 1830, Teresa de Jesus, que se apaixona pelo ourives Guilherme Nogueira com "insofrido pejo", seu "anspeçada", contra a vontade de seu pai, numa época onde se espulgavam peúgas e "está o mundo cheio de ladrões" (p. 24). Casada a fugitiva com o mestre das artes e depois de finado o artista, troca a viúva de anspeçada pelo revolucionário fugitivo à justiça António Maria das Neves Carneiro, filho de médico, com quem casa em Badajoz, em Dezembro de 1829, já depois deste desonrar a malograda filha do alcaide de Zarza, o visceral D. Rojo de Valderas, com predicados de malfeitor. Mais uma bela história que não precisa de um calhamaço para ser contada.

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8.4.17

Momentum: "Carpe diem" (1 298)

 

Com taxas de juro nos bancos inferiores a um por cento, a desconfiança no sistema bancário não só instalada como já consolidada e uma insípida bolsa de valores, os poucos capitalistas (sem conotação política) investem os seus recursos no inflacionamento da bolha imobiliária onde conseguem extrair rendibilidades de oito ou nove por cento no arrendamento, mercado estagnado no passado por leis ancestrais e hoje regenerado pelas virtudes da dinâmica da economia. Sinal dos tempos. Fruta da época.

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Cinefilia: "O Corvo" (2012)


[ 82 ] As macabras histórias de Edgar Allan Poe são terreno fértil para as Sétima (cinema) e Oitava (imagem / fotografia / TV ) Artes. Na série de The Following (2013 - 2015) a sua obra é leitmotiv para os seguidores da seita, mas, como o original — ou antes, uma história que envolva o autor — é sempre melhor que a cópia, torna O Corvo / The Raven (2012) muito mais interessante. Quando um conjunto de crimes é perpetrado com base nas obras escritas de Poe (bom desempenho de John Cusack) a polícia envolve o escritor para deslindar o mistério e apanhar o homicida. Realizado por James McTeigue ( V for Vendetta), o desenlace da acção consegue manter o suspense, recheado de momentos macabros e claustrofóbicos, enquanto o inspector Emmett Fields se revela, sem dúvida, como a personagem mais interessante. Não sendo o motivo do serial-killer original, a narrativa não deixa de ter sido bem conseguida.

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26.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 297)

 

O Arlindo do talho vendeu 600 kg de carne do lombo a um restaurante, no valor de 5 500 euros. O restaurante já estava com dificuldades e abriu falência. O talho do Arlindo registou um prejuízo de 5 500 euros. Vai ter de compensar com vendas a melhores clientes. O banco onde o Arlindo tem conta também trabalhava com o restaurante falido e além de perder um empréstimo de 250 mil euros tem de constituir provisões no mesmo valor para o efeito, ou seja, pôr de lado mais capital para cobrir a perda. O esforço financeiro é a dobrar. E as exigências de capital também.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (214)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Tinha as tristezas do talento que se acha excluído das condições materiais do interesse. (...) [V]ia em redor de si o riso desdenhoso da inveja e o estipêndio regateado do trabalho." (p. 18)

Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877)

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25.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 296)

 

Em Dezembro de 2015, o Banco de Portugal resolveu transferir quase dois mil milhões de euros de obrigações seniores de investidores institucionais no Novo Banco (banco bom) para o BES (banco mau), o que implicou a perda total para os investidores e um reforço do capital do NB. Agora, a BlackRock e a PIMCO, líderes desse grupo de investidores, amuaram e boicotam o investimento em Portugal. É isto racionalidade económica? As quebras de confiança numa instituição, mercado ou país costumam ser aferidas pelo risco e, quando esse aumenta, aumenta o prémio de risco. Sai mais caro à instituição ou país emitir dívida. As condições atractivas para investir em Portugal não se mantêm mesmo com o aumento do risco de perda total? Boicote? Tribunais não chega?

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (213)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"(...) Nós éramos românticos. Não tínhamos mais dinheiro que estes bancos rotos de hoje em dia; mas tínhamos papéis que valiam mais que os deles: eram sonetos. Estes sonetos é possível que não fossem muito boas acções; mas não enganavam tantas famílias como as bancárias." (p. 56)

Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877)

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23.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 295)

 

O Presidente Marcelo estudou na Alemanha e gaba a qualidade desenrascada dos Portugueses, porque os Alemães ficam absolutamente bloqueados quando algo não corre como o previsto. Salvaguardando a extrema admiração que Marcelo Rebelo de Sousa nutre por todos os Portugueses em geral e por cada um dos Portugueses em particular. Isso só acontece porque os Portugueses não planeiam, não prevêem nada. É tudo ao acaso e logo se vê. Estão treinados na barafunda, desorientação e desorganização. Ao contrário dos Alemães, onde isso é muito raro. Não, ter de se desenrascar constantemente não é uma coisa boa. Muito antes pelo contrário.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (212)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Sou do período dos aéreos perfumes; este agora é dos sons metálicos. As almas então eram leves, voláteis, e vestiam-se com os raios prateados da lua; hoje, ouço dizer que os corações estão pesados e retraídos dentro dos seus espinhos de ambição, cobertos de pomos de ouro como os ouriços-cacheiros no estrado das macieiras." (p. 55)

Camilo Castelo Branco, A Viúva do Enforcado (1877)

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25.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 294)

 

A psicologia tem campo fértil nos dias que correm. Naquela pessoa muito frustrada que dá constantes risadinhas histéricas numa demonstração ridícula de falsa felicidade ou naquele fanfarrão que procura disfarçar as tremendas fragilidades e a sua incompetência com uma péssima atitude.

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24.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 293)

 

Quando é colocada a questão da escolha das damas-de-honor nos preparativos do casamento da rainha Vitória com Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, o camareiro-mor apresenta uma lista de doze raparigas adequadas. Ao que a rainha acrescenta que, por sugestão de Alberto, devem vir de famílias com uma reputação imaculada, gerando um desconforto no camareiro-mor que retorquiu que elas pertencem à aristocracia. Lorde Melbourne acaba por encontrar uma solução para facilitar a vida ao camareiro-mor ao sugerir que a lista seja reduzida de doze para seis raparigas. Mas o camareiro-mor, ainda deveras atrapalhado, acrescenta ser melhor reduzir para quatro. Apesar de Lorde Melbourne dizer constantemente que a verdade era sobrestimada.

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5.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 292)


[ 11.º Aniversário ]

Muito mudou, das narrativas às fake news. Tudo se tornou efémero, descartável, impulsivo e precipitado. Os engraçadinhos têm mais adesão com a piada fácil. Há também grande interesse pela indignação prolixa, que sobejas vezes define os lados da trincheira, ou pela divulgação da vida privada. Quase sempre na primeira pessoa do singular. Não será nada disto. Menos pathos e mais logos. Sem edição ou mediação, mas com razoável ponderação. Eppur si muove. E tão depressa não cai. Onze anos a pensar alto, hidden in plain sight.

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28.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 291)


O que choca na indignação desta semana sobre as declarações do director-geral daquele negócio ancestral de padarias, que se desenvolveu exponencialmente durante um período de profunda crise económica, a que se dá o nome de Padaria Portuguesa, não é o ele querer que os colaboradores colaborem 60 horas por semana, sem ser considerado trabalho extra, ou poder contratar e despedir de forma mais flexível. O que mais choca é o moralismo puritano de quem censura a compra de bens não essenciais como smartphones ou tablets de quem ganha mal. Podia ter aprendido com as consequências e o arrependimento do "viveram acima das possibilidades" de Pedro Passos Coelho e "os preguiçosos países do Sul" de Angela Merkel.

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27.1.17

Cinefilia: "Grandes Esperanças" (2012)


[ 81 ] Adaptação da obra de Charles Dickens por Mike Newell, realizador que já tinha adaptado também Amor Em Tempos de Cólera (2007) do prémio Nobel da Literatura de 1982, Gabriel García Márquez. Conhecido também pela reprodução histórica de O Homem da Máscara de Ferro (1977), de Alexandre Dumas (1802 - 1870), e o conhecido Donnie Brasco (1997). À Dickens, as vastas e vincadas personagens vão confluir para um ponto em comum na história. Pip (interpretado por Jeremy Irvine, mas para quem tiver distraído pode vislumbrar o Mikael Carreira) é um rapaz pobre de província a quem lhe é destinado um futuro promissor como cavalheiro em Londres depois de ter ajudado um convicto. Daí Great Expectations/Grandes Esperanças (2012). Obviamente que a personagens mais marcantes para a caderneta de Dickens, pelos soundbites, são o tio Pumblechook, com aquele característico mantra das contas, e Wemmick com o valor que dá aos "bens portáteis" ("portable property").

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26.1.17

Cinefilia: "Ela" (2016)


[ 80 ] Este Paul Verhoeven é mestre no deboche desde o primeiro Instinto Fatal/Basic Instinct (1992). Embora a história da Catherine Tramell tenha tido mais suspense como thriller erótico (ou lá o que é) — claro, muito antes da inauguração dos cruzeiros no Douro —, do que este drama numa família disfuncional. Michelle Lèblanc (Isabelle Hupert) é uma empresária de videojogos, ou de jogos para computador?, e filha de um serial killer condenado a prisão perpétua, ostracizada pelos media e pela polícia, o que a leva a não fazer queixa quando é violada durante um assalto a sua casa. Vem a nutrir um fétiche pelo novo vizinho, casado, que apesar de todos os esforços em contrário, é possível perceber que é ele o principal suspeito. Ela/Elle (2016), é uma produção franco-belga-alemã pouco conseguida, como, infelizmente, quase tudo onde agora os europeus se metem.

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10.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 290)

 

Esta actual cultura, moderna, do frenesim, da pressa, da rapidez, do imediatismo, da falta de ponderação, da falta de sentido de oportunidade, que parece revelar falta de empenho de quem a não partilha, é que tem levado a uma sucessão de erros e absoluto descontrolo que jamais alguém conseguiu prever. Por falta de tempo, certamente.

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8.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 289)

 

Há (assim em abstracto) quem se tenha empenhado bastante com tenra idade, aos dezasseis anos — sofrendo por ainda não ter direito a voto e carregando as agruras do, então na altura desconhecido, bullying dos betinhos de sobretudo loden verde na secundária, hoje proeminentes advogados nas redes sociais —, na primeira candidatura de Mário Soares a Presidente da República, em 1986, e depois, na primeira ocasião para o fazer, ainda por cima no auge do consenso, tenha votado, apenas cinco anos mais tarde, em 1991, em Basílio Horta. Imagine-se! O gosto por remar, não contra a maré, mas contra a carneirada, só é ultrapassado por esta simbólica e modesta homenagem a quem foi livre para entrar em contradição sempre que quis e que parte 92 anos e um mês depois de uma vida plena e intensa.

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In Memoriam (17)

 
Mário Soares
(1924 - 2017)

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11.12.16

Momentum: "Carpe diem" (1 288)


Os interesses e hábitos culturais do britânicos são variados e fascinantes — e não se reduzem à mais óbvia leitura de jornais e livros — vão desde o críquete, ao râguebi, boxe, passando pelo coleccionismo, desde soldadinhos de chumbo, a antiguidades, leilões, birdwatching, jardinagem. Apostam em corridas de cavalos, respeitam a memória, a tradição, e.g., com os autocarros double-decker Routemaster, e a História. É um contraste brutal com aqueles povos que frequentam todos em manada os mesmos sítios, Varadero ou Punta Caña, e disputam ambiciosamente o maior BMW ou o melhor iPhone entre si, enquanto esperam a vez para marcar presença no último Avillez e tirar a foto food porn que vai compor o já recheado portfólio do Facebook. Querem estar na vanguarda da última moda. Sentir-se modernos. Não é uma questão de dinheiro. É uma questão de bom gosto ou da falta dele e de critério.

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25.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 287)


O fenómeno da manada está muito bem representado na importada Black Friday. É dopamina para consumidores profissionais que não desperdiçam uma promoção ou um desconto para comprar algo de que não necessitam. Nem sequer é compra por impulso, é antes compra por influência da massa humana que recebe previamente e-mails e SMS e se sente obrigada a estar presente no evento. Negras foram a segunda-feira de 19 de Outubro de 1987 e a terça-feira de 29 de Outubro de 1929, onde também se perdeu muito dinheiro investido em fenómenos de manada, muito comuns na Gorongosa e no Serengeti.

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20.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 286)


A definição de um charlatão pode ser a de um tipo casado com uma imigrante e apoiado na sua candidatura por uma equipa de judeus que consegue ser eleito com um discurso de ódio aos imigrantes e anti-semita. Nos livros do Lucky Luke havia muito.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (101)

 

Inside a Tavern, Peder Severin Krøyer (1886)

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19.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 285)


Já houve tempo suficiente para perceber que reduzir a oposição política ao sabor dos indicadores económicos não é estratégia. Ou origina a interpretação fraudulenta dos dados consoante a comparação temporal que mais favorece o argumento, ou cai absolutamente por terra quando a razão da crítica não se materializa.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (100)

 

Unexpected Visitors, Ilya Repin (1888)

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17.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 284)


No decorrer deste ano tem sido provado que o célebre there is no alternative (TINA) não tinha razão de ser. Como provam o Brexit e, mais recentemente, a eleição de Donald Trump. Concorde-se ou não com ambos, a realidade vem provar à narrativa que é sempre possível haver escolhas. Por muito más que elas sejam. E ter liberdade de escolha é tão importante como respeitar o primado da lei. Em ex-aequo.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (99)

 

John Singer Sargent, A Street in Venice (1880 - 1881)

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16.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 283)


Ontem foi divulgado pelo o INE um crescimento de 1,6% do PIB, no período homólogo, e de 0,8% do PIB em cadeia no terceiro trimestre de 2016. Resultados virtuosamente sustentados na procura externa e prejudicialmente muito dependentes de um só sector como o turismo. Hoje as yields sobem, anulando qualquer expectativa de optimismo, muito por culpa da instabilidade política internacional que a eleição de Trump provocou nos mercados. Enquanto o cinto de segurança do quantitative easing do BCE nos acompanhar, estamos salvaguardados. Enquanto a única agência de notação financeira — a canadiana DBRS — nos mantiver o rating fora do lixo, facilita essa tarefa ao BCE. A política de devolução de rendimentos do trabalho e pensões e o aumento de impostos indirectos do actual governo, bem ou mal, aplaudida ou criticável, mantém a esperança que as pessoas sobrevivam, ainda que para apreciar o tão propagado potencial falhanço desta política económica.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (98)

 

The Rich Fool, Rembrandt (1627)

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15.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 282)


Contra todas as expectativas e concretizando todos os receios, Donald Trump ganhou as eleições norte-americanas com uma agenda isolacionista. Como tantas vezes é dito ao pequenino, é altura dos grandes aproveitarem uma situação de crise para gerarem uma oportunidade. É o momento ideal para a União Europeia se unir e a Alemanha aproveitar para aumentar o investimento fundamentado na indústria de defesa que lhe permita comprar submarinos de fabrico português.

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14.11.16

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (97)

 

Old Woman Examining a Coin by a Lantern
Gerrit van Honthorst, c. 1620

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9.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 281)

 
GPS™

Há alguns anos, António Vitorino referiu durante um comentário na televisão que não é bom colocar as pessoas "entre a espada e a parede". Porquê? Porque essas mesmas pessoas podem escolher a espada. Já deviam ter aprendido com o Brexit que a diabolização do adversário, o argumentum ad terrorem acarreta sempre maus resultados. Nem a União Europeia acaba com a saída do Reino Unido, nem vai ser necessário armazenar enlatados e comprar lanternas por causa da vitória de Donald Trump. É preciso uma terceira vez? E à terceira aprenderão de vez?

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7.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 280)

 
GPS™

Ganhe quem ganhar, haverá sempre checks and balances e o primado da lei. O Senado, a Câmara dos Representantes, o Supremo Tribunal e Wall Street. Não é à toa que os Estados Unidos tem a maior abstenção eleitoral do mundo. It's showtime.

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30.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 279)


Por um lado, há o orgulho de quem nunca dá o braço a torcer, não reconhece o erro, tem dificuldade em afirmar que não sabe, e se reveste de uma superioridade social. Por outro lado, há o orgulho de quem não cede a fretes, não se desonra por privilégios, não compactua com a injustiça, não altera a sua natureza consoante as circunstâncias, não abandona a sua autenticidade, não convive com a hipocrisia.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (211)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Se eu quisesse encomendar um anel para mim, escolhê-lo-ia com esta inscrição: 'nada passa'. Acredito que nada passa sem deixar vestígios e que cada passo nosso, por pequenino que seja, tem importância para o presente e para o futuro." (p. 290)

Anton Tchékhov, «A Minha Vida», Contos de TchékhovVolume V

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15.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 278)


Rentrée. A Direita insurge-se contra a degradação dos serviços públicos acusando a Esquerda de só aumentar os salários dos funcionários públicos para fins eleitorais e não se preocupar com a qualidade desses serviços públicos, e.g., investindo neles. A Esquerda não reconhece que o modelo de crescimento económico que apostava no consumo interno falhou — quando o faz, atribui o fracasso às negociações que foi obrigada a fazer com a Esquerda mais à Esquerda para constituir governo —, embora o défice tenha sido controlado (muito por completa ausência de investimento público) e, pela primeira vez, há muitos anos, não haver necessidade de um Orçamento Rectificativo, nem constantes ameaças com a inconstitucionalidade das medidas. Os impostos indirectos sobre tabaco, refrigerantes com açúcar, bebidas alcoólicas (80 milhões), alojamento local, imobiliário (160 milhões) e combustíveis (70 milhões) permitem uma maior redistribuição da riqueza com a reposição de algum poder de compra dos salários públicos (-257 milhões), pensões (-187 milhões) e eliminação gradual da sobretaxa de IRS (-200 milhões), por redução dos impostos directos. Um dos poucos impostos indirectos que sofre um desagravamento é a promessa eleitoral de descida do IVA da restauração (-175 milhões). O habitual "perdão fiscal" anual fará o resto (100 milhões). Onde parece haver consenso entre Direita e Esquerda é nas previsões incertas e fraudulentas de crescimento económico que ambos sempre apresentam para suportar tudo o resto. Tal como a previsão de uma inflação anual de 1,5% (actual 0,7%) que parece nitidamente desajustada. Mérito à política que voltou a sobrepor-se à economia. Afinal tudo isto é contabilidade. E escolhas. Só nestas vinte linhas, por amostragem, há um défice de 409 milhões de euros por suprimir. Deliberado? Escolha tendenciosa? #OE2017

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9.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 277)


O carácter mais transparente e mais escrutinado da eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU, no passado dia 5 de Outubro, tornou-a mais especulativa. Foi possível conspirar com as intenções de cada um dos quinze membros do Conselho de Segurança (CdS). Para a posteridade e memória futura, além do cinco permanentes, existiam estes dez não-permanentes: Angola, Uruguai, Nova Zelândia, Malásia, Japão, Venezuela, Senegal, Egipto, Ucrânia e Espanha. Garantido estava a oposição da Ucrânia a um candidato apoiado pela Rússia (a búlgara Irina Bokova) — pela anexação da Crimeia e tudo o mais —; a condenação do Reino Unido à candidata argentina — por causa das Malvinas/Falklands —; mas também e obviamente o apoio de Nova Zelândia à sua forte candidata, Helen Clark. O aparecimento tardio de uma candidatura apoiada por não membros do poderoso CdS, Alemanha e a Comissão Europeia, só teria tido sucesso se, primeiro, não tivesse havido Brexit e, segundo, não tivesse ocorrido aquela amistosa ofensiva a Paris nas comemorações do último 10 de Junho. Dos dois votos "sem opinião", um terá de ter sido da Nova Zelândia, o outro não será tão certo que tenha sido da Rússia, que, primeiro, preferia o melhor candidato, e segundo, uma mulher de Leste.

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8.10.16

Cinefilia: "As Brancas Montanhas da Morte" (1972)

[ 79 ] Um grande épico dos anos setenta com música a condizer, à época. Jeremiah Johnson volta da Guerra do México (1846 - 1848) decidido a viver isolado não inóspitas Montanhas Rochosas. Compra um cavalo, uma mula de carga, provisões e uma espingarda Hawking .30 que se vai revelar manifestamente fraca para caçar ursos grizzly e alces ou combater Blackfeets, Flatheads ou Crows. Vai ter ajuda inesperada do cadáver gelado de Hatchet Jack, de quem herda uma, mais poderosa, Hawking .50, e do caçador branco "Garras de Urso", coleccionador do artefacto. Aprende a sobreviver ao rigoroso inverno das Rocky Mountains dormindo numa cama de brasas colocadas num buraco que, se não tiver suficiente terra, pode queimá-lo. Recebe de presente uma squaw, filha de um chefe índio, e um malogrado miúdo cuja família tinha sido chacinada pelos Blackfeet, a que dá o nome de Caleb. As Brancas Montanhas da Morte / Jeremiah Johnson (1972), de Sidney Pollack conta com a interpretação de Robert Redford, num statement que se torna redutor elogiar num actor tão consagrado.

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7.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 276)


Pacto de regime. Hoje a direita condena o perdão fiscal que a esquerda pretende implementar amanhã por ser igual ao perdão fiscal que a direita defendeu ontem e que era o perdão fiscal que a esquerda criticou no passado e que a direita aplicará também no futuro. Consenso.

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5.10.16

Bibliofilia: "Contos de Tchékhov - Volume V"

[ 124 ] Anton Tchékhov, Contos de Tchékhov - Volume V, Relógio D'Água, Maio 2006 (pp. 292). Cinco contos, "O Pai de Família", "Na Noite Santa", "A Minha Mulher", "A Estepe - História de Uma Viagem" e, por fim, "A Minha Vida - História Contada por Um Provinciano". Os melhores contos são o terceiro e o último. Ambos envolvem uma relação, no "A Minha Mulher" um casal reconcilia-se colocando a fortuna pessoal ao serviço dos pobres mujiques. E em "A Minha Vida", um aristocrata, filho de um arquitecto, procura consolo numa actividade mais muscular, física, como trolha, em vez de prosseguir as mordomias do serviço público. Despertando a paixão de uma mulher que no início acha tudo extravagante e até exótico, mas, no final, acaba-o por abandonar. Vencendo as convenções sociais da altura que o tornam deserdado pelo pai, abandonado pela mulher, e obrigado a acompanhar a sua frágil e malograda irmã grávida de um emérito homem casado.

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25.9.16

Momentum: "Carpe diem" (1 275)


A polícia norte-americana tem feito mais pelo combate ao uso e porte de arma do que qualquer medida do Congresso ou discurso político do POTUS. Actualmente, deve ser a maior oposição à National Rifle Association (NRA). Quem transporta uma arma no Estados Unidos está sujeito a um risco maior de ser abatido. Nem todos, porque aparentemente esse risco é maior em portadores de armas negros, afro-americanos. Estes são uma ameaça maior para a polícia, talvez porque tenham melhor pontaria.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (210)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Um homem que não se sente capaz de impor respeito por si mediante a dignidade interior, tem um medo instintivo de estreitar as suas relações com os subordinados e tenta afastar a crítica com manifestações exteriores de imponência. Os subordinados, vendo só este lado exterior, insultuoso para eles, não pressupõem, na maioria das vezes injustamente, que por trás dele talvez haja qualquer coisa melhor." (p. 112)

Lev Tolstói, "Sevastópol Em Agosto de 1855", Contos de Guerra

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