Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano X

19.8.16

Momentum: "Carpe diem" (1 271)


A cada quatro anos a história repete-se. As expectativas criadas pelas medalhas conquistadas nos campeonatos da Europa e do Mundo pelos atletas são mitigadas com diplomas e pontuações recorde. Os atletas queixam-se da ausência de apoios e os portugueses — tão lestos a criticar prestações e resultados menos bons dos bem sucedidos Cristiano Ronaldo e José Mourinho — insurgem-se contra as críticas às vítimas desportivas deste país pequeno. No fim, há quatro anos para planear e preparar os próximos Jogos Olímpicos. Impossível é esquecer a medalha de Ag de Francis Obikwelu, no hectómetro, no meio dos norte-americanos Justin Gatlin (Au) e Maurice Green, em Atenas 2004. Foram 9"86 de superlativa glória.

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13.8.16

Momentum: "Carpe diem" (1 270)


O momento da saída para alguém que atingiu o topo do sucesso de uma brilhante carreira, e ali permaneceu durante muitos anos, é sempre a escolha mais difícil. Muitas imagens endeusadas têm sido arruinadas por essa última decisão em perder o momento certo. Essa decisão é o seu rosebud, aquele pequeno nada que os trai revelando-o aos outros. Michael Phelps talvez não tenha melhor oportunidade de terminar a sua vida de deus olímpico do que com uma derrota frente a um adorado discípulo. Nadar a estafeta depois desta passagem de testemunho torna-se redutor. Acabar com uma vitória, seria banal. A última derrota torna-o humano.

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24.7.16

Momentum: "Carpe diem" (1 269)



Enquanto se procura uma solução política para fugir à ameaça de sanções europeias, por uma derrapagem no défice de duas décimas, numa Europa completamente dominada por atentados terroristas, e uma solução financeira para recapitalizar o sistema bancário, saiu uma sondagem da Aximage que dá uma confortável vantagem ao partido do Governo. A esquerda já fez o aproveitamento político da mesma defendendo ser este o motivo para tanta crispação na oposição. A direita já veio dizer que é por isto que começa a existir dissensões com os partidos políticos que apoiam o governo, já não precisa deles, quer eleições. Muito pathos e pouco logos. Nenhum ethos.

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Cinefilia: "O Segredo dos Seus Olhos" (2009)

El Secreto de Sus Ojos (2009), filme argentino, do realizador Juan José Campanella, baseado no livro de Eduardo Sacheri, prova que o país das Pampas tem muito mais do que excelentes extremos como Nicolás Gaitán, Eduardo Salvio e, quiçá, esperemos que sim, Franco Cervi. Partindo de um crime de violação seguido do assassínio duma jovem mulher casada, em 1999, o ex-funcionário judicial, Benjamim Esposito, procura escrever um livro sobre esse caso de há vinte e cinco anos, ocorrido mais precisamente a 21 de Junho de 1974, que tão grandes marcas provocou, enquanto tenta declarar o seu amor pela procuradora Irene Hastings, sua chefe na altura, e por quem nutre uma paixão latente. O drama policial do caso está muito bem construído, com constantes flash-backs, mas o desenlace amoroso, que se desenrola em paralelo, é excessivamente prolongado para a realidade. Belo serviço público da RTP.

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22.7.16

Momentum: "Carpe diem" (1 268)


A banca portuguesa tem um grave problema de rentabilidade motivado por empréstimos de longo prazo, nomeadamente crédito habitação, rígidos, porque indexados a taxas Euribor a níveis historicamente baixos, ou até mesmo negativas, e um conjunto significativo de activos que consomem capital e não geram rendimento, como agora tecnicamente se chama o malparado de non-performing loans (NPL).

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20.7.16

Momentum: "Carpe diem" (1 267)


É interessante constatar a ausência ou a redução de notícias sobre Israel desde o aparecimento do Daesh e o agravamento do terrorismo. Terá sido negociado e outorgado algum novo tratado de paz entre Israel e a Autoridade Palestiniana que colocou em ordem, e.g., os colonatos? Já há segurança absoluta na densamente povoada Faixa de Gaza? E estabilidade na Cisjordânia?

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19.7.16

Bibliofilia: "Putinlândia" (2016)

[ 118 ] Bernardo Pires de Lima, Putinlândia, Tinta-da-china, Junho 2016 (pp. 167). Adquirido em plena Feira do Livro, aquando do seu lançamento, com dedicatória do autor, o livro está dividido em quatro partes com dezoito crónicas e um fecho. A compra de um livro de crónicas é quase sempre motivo de dupla tributação do que já se pode ter lido aquando da publicação original. Retrato analítico do que tem sido a realpolitik de Vladimir Putin, quer no apoio político, mas também financeiro, a movimentos (Brexit) e partidos (Front National e UKIP) que fomentam a desintegração dos rivais ou convulsão interna, quer na perigosa política expansionista que permitiu a anexação da Península da Crimeia, sob a passividade europeia e norte-americana, e o secessionismo na Ucrânia, quer ainda na influência que exerce sobre a sustentação de novos partidos tanto radicais de esquerda (Syriza da Grécia),  como de direita (Fidesz de Viktor Órban na Hungria). O uso de expressões adolescentes, por exemplo, "abram alas", ou populares, embora possam ter surgido para desdramatizar, revela-se desadequado em assuntos tão sérios e a roçar o dramático. O autor já provou, nomeadamente no Twitter, que consegue fazer melhor em ironia, sobretudo em assuntos de bola.

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17.7.16

Momentum: "Carpe diem" (1 266)


Com a escassez actual de tempo, é de uma absoluta aberração gastá-lo com jogos como Farmville, Candy Crush e, agora, Pokémon Go. Tantos livros para ler, tantos filmes para ver, tanta música para ouvir. E o precioso tempo tão mal gasto com tanta merdice. Imbecilidades. A estupidificação das massas. Em vez de estimular, embrutece.

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15.7.16

Bibliofilia: "Contos de Petersburgo" (1834 - 1941)


[ 117 ] Nikolai Gógol, Contos de Petersburgo, Relógio D' ÁguaSetembro 2015 (pp. 207). Seis extraordinários contos do absurdo com fragmento do livro de Vladimir Nabokov sobre este autor no posfácio. Os mais marcantes são sem dúvida O Capote (1941), O Nariz (1835) e O Retrato (1835). Nos dois primeiros, o roubo, ou a ausência, quer do capote quer de um nariz, são pretexto para o desenvolvimento da história ou das narrativas. Narrativas bem contextualizadas na época dos Czares e da estratificação da sociedade russa do séc XIX. Gogól era muito viajado, tinha mundo, como se diz, e isso reflete-se nos seus contos intemporais. No caso de O Retrato, esse objecto é motivo de desgraça familiar e pessoal para quem o possui. Comum, a vários dos contos, está em si o acto da posse, seja de uma característica física particular, seja de um objecto em particular.

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10.4.16

Momentum: "Carpe diem" (1 265)


Os paraísos fiscais ou off-shores, que no entender do jornalista do Expresso que investiga os Panama Papers, Micael Pereira, se resume a ser muito complicado, é uma questão de justiça: porque os mais ricos conseguem a optimização fiscal que lhes permite pagar menos impostos em grandes negócios que muitas vezes nem sequer são provenientes de rendimento do trabalho; é uma questão da origem do dinheiro, de branqueamento de capitais, muitas vezes ligado a corrupção, financiamento de terrorismo, narcotráfico ou outras actividades ilícitas; e, finalmente, é uma questão de democracia, "less taxes, less representation."

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9.4.16

Momentum: "Carpe diem" (1 264)


Regra laboral portuguesa #1
Se fizerem amigos no trabalho são muito mais competentes.
(Os afectos, a familiaridade e o proselitismo estão na moda)

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6.4.16

Momentum: "Carpe diem" (1 263)


Aquelas coisas da moda que surgem tão rapidamente como desaparecem. Foi o Japão exportador que vive agora em deflação crónica. Vieram depois os Tigres Asiáticos que rebentaram com a crise cambial de 1998. A bolha do negócio dot.com que rebenta em 2000 e o Tigre Celta, representado pela Irlanda, que acaba em resgate. Hoje foi Angola a entrar em bancarrota, com o litro de gasolina a valer menos que uma garrafa de água mineral. Os BRIC: Brasil e Rússia já eram e quando chegar à China é apagar a luz e fechar a porta.

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26.3.16

Momentum: "Carpe diem" (1 262)


Começava a ser notório a falta de coordenação entre os serviços de segurança interna, informações e inteligência da maior parte dos países europeus. A justificação é que era mais difícil de perceber. Foi revelada pelo Jorge Coelho na última Quadratura do Círculo: como há serviços secretos tão abandalhados que os que trabalham bem não querem passar informações cruciais que podem com facilidade cair nas mãos erradas. É como ir à caça de perdizes com alguém sempre a tossir com a faringite.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (96)


Madrid
(Statement: antes, durante e depois dos atentados terroristas do aeroporto de Zaventem e da estação de metro de Maelbeek, Bruxelas)

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17.3.16

Momentum: "Carpe diem" (1 261)


A quem é que agrada saber que o frigorífico é que lhe faz as escolhas nutricionistas? Quem confia tanto no seu veículo para levá-lo onde quer e lhe apetece desviando-se de todos os obstáculos e do imprevisível? Como orientar a vida cada vez mais por palavras de oito caracteres que devem incluir letras maiúsculas, minúsculas, algarismos e símbolos alfanuméricos? Em vez do tradicional "cuidado com o cão" surge o insira a password? Não, isto da Internet das Coisas, além de desnecessária, pode ser perigosa.

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Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (95)


Reedições há muito exigidas.

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12.3.16

Momentum: "Carpe diem" (1 260)


Durante muitos anos a banca em Portugal foi condenada por dar lucros, no entender de alguns, desproporcionados para a realidade económica do país. Agora é obrigada a conviver, pelos mercados, com a não cobrança de juros pelo pouco dinheiro que empresta e a proibição de cobrar comissões pelos serviços que presta, pelos partidos políticos mais radicais à esquerda. Ora com a ajuda da desconfiança instalada, por culpa dos próprios banqueiros, e sem incentivos dignos à poupança, isto é matar um negocio (se a palavra for maldita: um sector de actividade). E sem banca não há economia. E sem economia não há emprego. A realidade em Portugal vai muito depressa do oito para o oitenta ou vice-versa. Ter razão, não significa ser razoável.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (209)


*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Hipócrita é de presumir que me não taxem, porque a hipocrisia tem neste mundo a sua ganância, e eles bem sabem que eu nada tenho ganhado, nem solicitado." (p. 30)

Camilo Castelo Branco, O Romance de Um Homem Rico (1863)

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6.3.16

Momentum: "Carpe diem" (1 259)


Em Portugal há sempre uma lei, uma regra, que justifica o absurdo. Algo que é eticamente reprovável, moralmente duvidoso, profundamente desadequado, tremendamente despropositado, escandalosamente vergonhoso, legitimamente embaraçoso ou altamente imbecil. Mas é legal.

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28.2.16

Momentum: "Carpe diem" (1 258)


Uma organização como a FIFA que, em 112 anos de história, teve apenas nove presidentes não parece ser muito democrática, apesar das eleições. O último presidente eleito, Gianni Infantino, de salientar há sete anos secretário-geral da UEFA, prometeu aumentar as 32 selecções nacionais que competem nas fases finais dos Mundiais da competição para 40. Como há 207 federações nacionais pode não se ficar por aí. Sempre são mais votos.

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27.2.16

Momentum: "Carpe diem" (1 257)


Com 550 892 votos (10,92%) e como terceiro partido mais votado nas últimas eleições legislativas, a única causa fracturante a que o Bloco de Esquerda se pode dar ao luxo é votar a favor do Orçamento de Estado. E não cartazes religiosos a provocar derrotados.

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20.2.16

Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (208)


*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Schiller era alemão até à medula dos ossos. Com vinte anos, aquela idade feliz em que o russo vive do ar e do vento, sem pensar no dia de amanhã, tinha já a vida toda planeada e, houvesse o que houvesse, nunca cometeu o mínimo desvio, nunca fez a mínima concessão. Decidiu levantar-se às sete, almoçar às duas, ser pontual em tudo e embebedar-se todos os domingos. Resolveu acumular em dez anos um capital de cinquenta mil rublos, e isto era tão certo e irrevogável como o destino, pois que é mais fácil um funcionário público esquecer-se de deixar a sua assinatura na portaria do chefe no respectivo dia de aniversário do que um alemão faltar à sua palavra. Em caso nenhum aumentava as suas despesas, e se o preço das batatas subia mais do que normal, não dava nem mais um copeque, antes reduzia as compras, e embora às vezes ficasse com alguma fome, habituara-se bem a isso." (p. 39)

Nikolai Gógol, "Perspectiva Nevski" (1834 - 1835)
Contos de Petersburgo

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13.2.16

Momentum: "Carpe diem" (1 256)


Vários factos a salientar na derrota em casa, por 1-2, com o rival FCP: apesar de ter perdido os cinco dérbis disputados com os rivais, não invalida que o Benfica de Rui Vitória não possa ainda ser campeão, uma vez que os rivais ainda vão defrontar muitos Aroucas, Tondelas, Boavistas e Rio Aves. Tiago Caeiro do Belenenses deu, o ano passado, um campeonato ao Cruijf da Reboleira. Para os detractores do capitão Luisão, ontem, no segundo golo do FCP, André Almeida e Lindelöf (quem?) desistiram do lance, Samaris andava aos papéis e Jardel foi comido por Aboubakar que nunca, até então, tinha marcado um golo num clássico. O genial Gaitán não tem de abanar a cabeça, em jeito de reprovação, enquanto apanha do chão as cartolinas arremessadas pelo adeptos ao amigo Maxi Pereira. Não lhe compete ser moralista. André Almeida bateu o cúmulo da inteligência quando fomenta uma picardia aos 88' a perder. No cômputo geral o resultado pecou por escasso, Bruno Martins Indi merecia aquele golo aos 67', mas Casillas defendeu.

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8.2.16

Momentum: "Carpe diem" (1 255)


Desde Maria Antonieta com o célebre "se não há pão, comam brioches!" que o falso moralismo se instalou, assumindo versões mais actuais com o "têm de sair da vossa área de conforto", ou o "desemprego é uma oportunidade" ou ainda o "não sejam piegas". Recentemente, surgiu uma forma adaptada com o "andem de transportes públicos, não fumem, nem bebam" com o propósito de escapar ao aumento dos impostos sobre os combustíveis, tabaco e bebidas alcoólicas e assim explicar a virtuosidade dessas decisões. No fundo tudo se resume a "pimenta no rabinho dos outros, é refresco para mim."

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5.2.16

Momentum: "Carpe diem" (1 254)


10.º Aniversário 
[ 2006 - 2016  ]

Dez anos são, ao ritmo efémero de hoje, uma eternidade. Há dez anos um reputado primeiro-ministro consolidava as contas públicas reduzindo o défice com a economia em crescimento, sem precisar de austeridade. Hoje é acusado de crimes de corrupção, fuga ao fisco e branqueamento de capitais. Morria o ditador chileno Augusto Pinochet com 91 anos e era reeleito Hugo Chávez na Venezuela com 63% de votos. Alexander Litvinenko era envenenado com polónio em Londres. A Coreia do Norte anunciava o seu primeiro teste nuclear que coincidia com a nomeação do futuro secretário-geral das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Ki-moon. O primeiro- ministro israelita Ariel Sharon entraria em coma depois de um derrame cerebral (de onde ainda não saiu?). O Papa Bento XVI pontificava no Vaticano e é o ano das célebres caricaturas do profeta Maomé no jornal dinamarquês. Natasha Kampusch foge do cativeiro naquela cave na Áustria e a jornalista russa Anna Politovskaya é assassinada a tiro à porta de casa. Visto assim, em perspectiva, se calhar, afinal não é assim tanto tempo. Mas, por outro lado, os de cima tinham apenas cinco anos.

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30.1.16

Momentum: "Carpe diem" (1 253)


É espantoso como se procura debelar as fragilidades profissionais, as frustrações pessoais e as vidas má resolvidas com muita entrega, dedicação e desnecessário sacrifício pessoal.

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16.1.16

Momentum: "Carpe diem" (1 252)


Hoje, há vinte e cinco anos (1991), depois de uma intensa campanha de bombardeamentos aéreos, relatada ao pormenor em todos os jornais portugueses, no seguimento da invasão do Kuweit pelo Iraque de Saddam Hussein, a 1 de Agosto de 1990, foi necessário colocar "botas no terreno" com uma coligação de cento e cinquenta mil homens liderada pelos norte-americanos e predominantemente constituída por britânicos, aproveitando o coma induzido da ex-União Soviética. Hoje, bem ou mal, a Rússia de Vladimir Putin serve de respaldo à Síria e ao Daesh. E, em vez de mísseis de cruzeiro Tomahawk, há drones. O mundo, apesar de tudo, evolui.

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3.1.16

Momentum: "Carpe diem" (1 251)


Isto do futebol também tem modas. Houve o tempo do líbero e do surgimento do médio defensivo, ou "trinco", nos anos noventa do século passado. Do 3-5-2 ao 4-5-1. Depois surgiu o puro 4-4-2, mais britânico e impensável para o nosso campeonato. Seguiu-se o consensual 4-3-3, com dois extremos abertos e apenas um único ponta de lança fixo (sacrilégio de quem usasse dois). O trio do meio campo sofreu adaptações: dois médios mais recuados 🔽 ou apenas um "trinco" e um médio de transição box-to-box e outro organizador de jogo 🔼, o chamado "10". Mourinho usava e abusava destas mudanças no triângulo do meio campo com rasgados elogios. Sucedeu-lhe o 4-2-3-1 para gerar maior equilíbrio no centro do terreno "onde se ganham os jogos". Finalmente, voltou-se una anos atrás e o grande sucesso da actualidade é o 4-4-2, mas com um "Ramires". Ramires foi um médio direito que Jorge Jesus teve ao seu dispor na sua primeira época no Benfica que lhe permitiu conquistar folgadamente o campeonato de 2009/2010. É um "falso ala que permite dispor de um quarto médio para equilibrar a luta no meio campo". Quando a equipa ataca é um ala que pode surgir atrás do ponta de lança, mas quando a equipa defende é mais um médio centro a apoiar os outros dois. João Mário tem sido o Ramires de Jorge Jesus no SCP e Pizzi tem sido o Ramires de Rui Vitória no SLB. Já André André tem tentado ser o Ramires do FCP quando ao Lopetegui lhe apetece. Dizem os entendidos que o jogo assim não é tão exteriorizado e mais centralizado. A equipa fica com menos largura e maior concentrada, mais compacta. Parece ter sido este um dos motivos, em teoria, da vitória de ontem do SCP ao FCP por dois zero. Vamos ver o que se segue.

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1.1.16

Momentum: "Carpe diem" (1 250)


Não se pode permitir que 2016 seja, como o ano anterior, dominado pelo fenómeno do terrorismo. Onde as pessoas tenham medo de sair à rua e assistir a espectáculos, a frequentar locais lotados de gente ou a viajar em transportes públicos. O fanatismo tolda completamente o juízo e a demagogia e os discursos inflamados, como forma de alcançar e manter o poder, têm tendência a descontrolar-se, daí a urgente necessidade de correr com Bruno de Carvalho.

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19.12.15

Momentum: "Carpe diem" (1 249)


Aquilo que era a grande força de José Mourinho, a defesa incansável dos seus jogadores, foi o que o traiu, ao acusá-los desmesuradamente pelo seu fracasso. A forma intolerante, intempestiva, desproporcionada e arrogante como tratou a carismática médica, Eva Carneiro, foi a gota de água. Mais uma vez, não se deve encostar ninguém entre a espada e a parede porque um dia esse alguém escolhe. E a situação torna-se descontrolada para todas as partes. Também no futebol é preciso cultura de compromisso, negociação e cedência. Mesmo o mais fraco numa relação desigual terá sempre algo a oferecer ao que está numa posição negocial mais forte. Não há super homens e Mourinho quase ía alcançando mais um recorde ao colocar o Chelsea na Championship. Vamos agora observar o ressentimento do happy one que já foi special.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (207)


*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Havia depois, também, o amor da verdade: uma formulação grandiosa, mas que significava na circunstância a decidida oposição ao espectáculo de uma mulher mais feliz do que o carácter do seu marido justificava, ou de uma mulher que manifestasse demasiado contentamento com a sua sorte: a essa pobre criatura devia ser fornecida alguma indicação de que, se soubesse a verdade, se comprazeria menos da sua sorte e com as pequenas ceias festivas que dava em casa." (p 714)

George Eliot, Middlemarch (1871-1872)

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15.11.15

Momentum: "Carpe diem" (1 248)


O acto de obedecer a tudo sem questionar, apanágio do yes man, é o seu grande handicap. É a sua vantagem no curto prazo e a sua desvantagem no longo prazo, pois é esse comportamento acrítico que conduz ao seu desrespeito e à perda da sua dignidade, mesmo nas circunstâncias mais limitadas.

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1.11.15

Cinefilia: "O Estagiário" (2015)

Trinta dias depois da estreia com uma sala de cinema com quatro pessoas, pode-se dizer que o Estagiário / The Intern (2015), realizado por Nancy Meyers, é uma boa comédia de costumes laborais numa época digital, onde tudo é rápido, supérfluo e moderno. Num tempo onde não há oportunidade para pensar, porque o importante é agir. Quando o importante é ser jovem, cool e empreendedor e isto se torna no mainstream, a presença e o discernimento de alguém mais experiente é sempre refrescante interrompendo os sons característicos do dia-a-dia representado, por exemplo, no constante toque dos iPhones ou na chegad dos e-mails. Robert De Niro tem uma actuação de acordo com o habitual. Redutor tornou-se a cena para recuperar um e-mail ofensivo roubando o respectivo portátil, não tendo acrescentado especial valor. Hilariante a imagem de perguntar a um candidato de setenta anos o cliché de 'onde se vê daqui a dez anos." Talvez a melhor piada do filme.

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5.10.15

Momentum: "Carpe diem" (1 247)



#Legislativas2015. A governabilidade é preocupação dos partidos políticos e não dos eleitores. Quem tem de se entender são os partidos políticos, não são os eleitores que têm de votar como estes querem. Os eleitores e a sua votação não são o problema, senão é partilhar da corrente dos burocratas europeus, que tanto se critica, que também não gostam da incerteza dos resultados das eleições e dos referendos. A principal função do Parlamento é a fiscalização. Quanto maior a representação parlamentar, melhor. Maior será o escrutínio. Maior a necessidade de diálogo, negociação, cedências e compromissos. É hora da Politica. A Economia que espere um bocadinho.

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Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (206)


*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Encontramo-nos numa margem perigosa quando começamos a olhar passivamente como seremos no futuro e nos vemos a aceitar tacitamente baixezas insípidas e pequenas faltas mesquinhas." (p. 756)

George Eliot, Middlemarch (1871 - 1872)

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29.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 246)


- Boa tarde, fala da EDP sobre uma reclamação que fez.
- Quando?
- Em finais de Julho.
- Mas hoje é dia 29 de Setembro... passaram dois meses.
- Ah, não se lembra, então deixe estar. Boa tarde.

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27.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 245)


Entre as tarefas mais desafiantes, como agora se diz, deste século XXI está o contacto com as grandes empresas utilities. É preciso uma cautela extrema quando se pretende um serviço de rotina, ou um pós-serviço, para não tropeçar na compra de mais um produto ou serviço que não se procura, nem se precisa. Claro, é do conhecimento público, que esta agressividade comercial só se encontra nos bancos. Mais ao concreto, é muito difícil colocar uma questão num simples e-mail dirigido a esse entreposto comercial que dá pelo nome de MEO, porque simplesmente tal endereço não existe, ou não está, ao contrário das promoções, suficientemente visível para tropeçarmos nele. No entanto, há um moderno fórum para quem queira aprofundar a vida social e o Twitter, Facebook, Instagram, Whatsapp e Snapchat não seja suficiente. Conclusão, como encontrar informação sobre a antiquada mailbox do portal Sapo no labirinto de Minotauro que é a área de cliente da moderna e kafkiana MEO?

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19.9.15

Cinefilia: "O Pátio das Cantigas" (2015)

[ 76 ] Catorze pessoas numa sala com capacidade para oitenta e seis. Três delas fizeram um supremo esforço para se rirem, mas, nem com muito boa vontade, o conseguirem em pleno. Quem vê o original, cem vezes depois, ainda não consegue deixar de rir do princípio ao fim. É esta a diferença. Talvez por querer satirizar, até mesmo provocar, com um original que, para alguns, está muito associado ao regime de Salazar esta versão moderna tenta combinar gays e lésbicas com hostels e tuk-tuks. O problema é que nada daquilo está cadenciado e saltam cenas da cartola com muito pouco sentido. Há um excelente actor como o Miguel Guilherme que faz uma aproximação muito vincada ao Antonio Silva, mas depois todos os outros se esforçam por não imitar ninguém, o que deixa o primeiro deslocado do figurino. Só por engano, para quem pensa e ainda adora o original, é que este é o filme português mais visto de todos os tempos. A Gaiola Dourada (2013) de Rúben Alves, ao pé disto, é uma masterpiece.  (E pensar que a escolha foi entre isto e o Homem Irracional de Woody Allen estreado na véspera.) Tirando a piada de trazer Shakespeare para o pátio, tudo o resto são piadinhas de chichi-cocó. Se era para ser provocador e chocante, choca e provoca pela mediocridade. Aparentemente há uma nova oportunidade para redenção com o Leão da Estrela a estrear em Dezembro. Também será o mais visto de sempre?

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16.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 244)


Muito poucos respeitam a tradição e a sua História como os anglo-saxónicos. Ontem, nas comemorações dos setenta e cinco anos da Batalha de Inglaterra, trinta e seis caças Spitfire sobrevoaram os céus da Gra-Bretanha num remake do que se passou há 3/4 de século. A liderar o grupo aéreo estava um dos últimos treze pilotos sobreviventes desse tempo, agora com 96 anos de idade, como co-piloto do Spitfire bilugar. O príncipe Harry, que, by the way, fazia anos nesse dia, acompanhou as cerimónias em terra depois de ter cedido o seu lugar quando o segundo bilugar teve uma varia mecânica. Em terra estiveram também presentes os restantes sobreviventes na cerimónia junto à Catedral de S. Paulo. The Few, como são conhecidos, tiveram um papel decisivo ao não permitir que a Luftwaffe dominasse os céus britânicos na ante-câmara duma invasão alemã ã ilha. Eram 2 946 pilotos, 537 morreram durante a batalha e mais 731 até final da II Guerra Mundial. "Nunca tantos deveram a tão poucos."

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15.9.15

Efeméride: Espuma dos dias (32)


Agatha Christie (1890 - 1976)


Harry (n. 1984)


Battle of Britain (15th September 1940)
Supermarine Spitfire


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14.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 243)


Oito cartuchos de tinta para caneta de aparo Waterman Hémisphère custavam 280 escudos, ou seja 1,40 €, em 1998. Dezassete anos depois, os mesmos oitos cartuchos custam 4,40 €, um aumento de 214,3%. O que dá uma média anual de inflação de 12,61%. Mas o que é público é que a Europa está em deflação há bastante tempo.

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12.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 242)


Bendito escaravelho-vermelho que obriga a alteração da paisagem, digna de Miami, Acapulco ou do Rio de Janeiro, e permite dar lugar às espécies autóctones com pinheiros-mansos, bravos, sobreiros, azinheiras, oliveiras, castanheiros e, se for preciso, plátanos.

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Bibliofilia: "As Vítimas do Furacão Espírito Santo" (2014)

[ 116 ] Filipe S. Fernandes, As Vítimas do Furacão Espírito Santo, Oficina do Livro, 1.ª ed., Novembro 2014 (pp. 213). Não se pode dizer que seja grande literatura, mas é um relato bastante objectivo e cronologicamente ordenado dos factos, não fosse o autor um experiente jornalista especializado na informação económica. Entre as vítimas não estão apenas os mais óbvios, mas muitos daqueles que têm personalidade jurídica como a extinta Portugal Telecom, a Ongoing ou o Benfica. Como em tudo na vida, há vítimas em maior ou menor grau, assim como a responsabilidade também deve ser partilhada em escala. Em tudo o que tem sido dito, reflectido e publicado, parece haver esquecimento ou pouca preocupação com, talvez as maiores vítimas, os trabalhadores da instituição que fazem parte daquele bonito, moderno e sofisticado conceito que são os stakeholders.

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11.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 241)


#Legislativas2015. A questão da governabilidade, talvez a mais premente, tem sido olimpicamente omitida do debate político, quase todas as sondagens parecem indicar que essa será a grande questão do day-after de 5 de Outubro, a que todas as facções recusam responder. No entanto, há pontos de contacto quando no acampamento de Verão do Partido Socialista se proíbem os piropos como o Bloco de Esquerda um dia tentou criminalizar ou quando António Costa se refere ao plafonamento com uma expressão desde sempre usada por Jerónimo de Sousa: "especulação financeira".

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10.9.15

Bibliofilia: "The Murder on the Links" (1923)

[ 115 ] Agatha Christie, The Murder on the Links (1923), Harper, 2001 (pp. 319). Como diz Hercule Poirot, o maior dos crimes é sempre o mais simples. Em toda a sua obra há sempre alguém com um passado que pretende ocultar dos outros e é aproveitando esse passado que alguém que chantageia a vítima principal se serve desta para livrar-se da chantagem - no caso simulando a sua própria morte - consumando o assassinato com o motivo de herdar metade da fortuna através do casamento com o filho com quem já namorava e o pai malogrado pretendia afastar. Pelo meio, há sempre paixões trocadas e amores exacerbados que levam à assunção da culpa de inocentes quando se pressente em risco o amor das suas vidas. Como em quase todos os casos de Poirot, há sempre uma segunda vítima - que este raramente consegue evitar, não sendo assim cem por cento eficaz - que vem clarificar as deduções das celulazinhas cinzentas, embora, neste caso, tenha sido apenas um isco para a criminosa se revelar. Este foi o segundo romance da obra de Agatha Christie com a personagem do detective belga.

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9.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 240)


#Legislativas2015. A gestão da ADSE revela muito do modus operandi da última governação. A pretexto da sua autonomia do Orçamento de Estado, foram além do razoável e aumentaram as contribuições dos 2,25% necessários, segundo o Tribunal de Contas, para 3,50%, o que provocou um excedente de duzentos milhões de euros (com suspeitas, por confirmar, que sirva agora para financiar o OE) e uma redução significativa dos beneficiários, eventualmente dos que auferem maior salário por que há alternativas em seguros de saúde que compensarão mais.

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8.9.15

Momentum: "Carpe diem" (1 239)


Não se percebe como a venda de um activo à pressa pode ser um meio eficaz de maximizar o preço. A menos que esse activo se chame Nicolás Gaitán e tenha sido adquirido há cinco anos por 8,4 milhões de euros com vinte e dois anos e agora já tenha vinte sete.

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