Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

26.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 297)

 

O Arlindo do talho vendeu 600 kg de carne do lombo a um restaurante, no valor de 5 500 euros. O restaurante já estava com dificuldades e abriu falência. O talho do Arlindo registou um prejuízo de 5 500 euros. Vai ter de compensar com vendas a melhores clientes. O banco onde o Arlindo tem conta também trabalhava com o restaurante falido e além de perder um empréstimo de 250 mil euros tem de constituir provisões no mesmo valor para o efeito, ou seja, pôr de lado mais capital para cobrir a perda. O esforço financeiro é a dobrar. E as exigências de capital também.

Etiquetas:

25.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 296)

 

Em Dezembro de 2015, o Banco de Portugal resolveu transferir quase dois mil milhões de euros de obrigações seniores de investidores institucionais no Novo Banco (banco bom) para o BES (banco mau), o que implicou a perda total para os investidores e um reforço do capital do NB. Agora, a BlackRock e a PIMCO, líderes desse grupo de investidores, amuaram e boicotam o investimento em Portugal. É isto racionalidade económica? As quebras de confiança numa instituição, mercado ou país costumam ser aferidas pelo risco e, quando esse aumenta, aumenta o prémio de risco. Sai mais caro à instituição ou país emitir dívida. As condições atractivas para investir em Portugal não se mantêm mesmo com o aumento do risco de perda total? Boicote? Tribunais não chega?

Etiquetas:

23.3.17

Momentum: "Carpe diem" (1 295)

 

O Presidente Marcelo estudou na Alemanha e gaba a qualidade desenrascada dos Portugueses, porque os Alemães ficam absolutamente bloqueados quando algo não corre como o previsto. Salvaguardando a extrema admiração que Marcelo Rebelo de Sousa nutre por todos os Portugueses em geral e por cada um dos Portugueses em particular. Isso só acontece porque os Portugueses não planeiam, não prevêem nada. É tudo ao acaso e logo se vê. Estão treinados na barafunda, desorientação e desorganização. Ao contrário dos Alemães, onde isso é muito raro. Não, ter de se desenrascar constantemente não é uma coisa boa. Muito antes pelo contrário.

Etiquetas:

25.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 294)

 

A psicologia tem campo fértil nos dias que correm. Naquela pessoa muito frustrada que dá constantes risadinhas histéricas numa demonstração ridícula de falsa felicidade ou naquele fanfarrão que procura disfarçar as tremendas fragilidades e a sua incompetência com uma péssima atitude.

Etiquetas:

24.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 293)

 

Quando é colocada a questão da escolha das damas-de-honor nos preparativos do casamento da rainha Vitória com Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, o camareiro-mor apresenta uma lista de doze raparigas adequadas. Ao que a rainha acrescenta que, por sugestão de Alberto, devem vir de famílias com uma reputação imaculada, gerando um desconforto no camareiro-mor que retorquiu que elas pertencem à aristocracia. Lorde Melbourne acaba por encontrar uma solução para facilitar a vida ao camareiro-mor ao sugerir que a lista seja reduzida de doze para seis raparigas. Mas o camareiro-mor, ainda deveras atrapalhado, acrescenta ser melhor reduzir para quatro. Apesar de Lorde Melbourne dizer constantemente que a verdade era sobrestimada.

Etiquetas:

5.2.17

Momentum: "Carpe diem" (1 292)


[ 11.º Aniversário ]

Muito mudou, das narrativas às fake news. Tudo se tornou efémero, descartável, impulsivo e precipitado. Os engraçadinhos têm mais adesão com a piada fácil. Há também grande interesse pela indignação prolixa, que sobejas vezes define os lados da trincheira, ou pela divulgação da vida privada. Quase sempre na primeira pessoa do singular. Não será nada disto. Menos pathos e mais logos. Sem edição ou mediação, mas com razoável ponderação. Eppur si muove. E tão depressa não cai. Onze anos a pensar alto, hidden in plain sight.

Etiquetas: ,

28.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 291)


O que choca na indignação desta semana sobre as declarações do director-geral daquele negócio ancestral de padarias, que se desenvolveu exponencialmente durante um período de profunda crise económica, a que se dá o nome de Padaria Portuguesa, não é o ele querer que os colaboradores colaborem 60 horas por semana, sem ser considerado trabalho extra, ou poder contratar e despedir de forma mais flexível. O que mais choca é o moralismo puritano de quem censura a compra de bens não essenciais como smartphones ou tablets de quem ganha mal. Podia ter aprendido com as consequências e o arrependimento do "viveram acima das possibilidades" de Pedro Passos Coelho e "os preguiçosos países do Sul" de Angela Merkel.

Etiquetas:

27.1.17

Cinefilia: "Grandes Esperanças" (2012)


[ 81 ] Adaptação da obra de Charles Dickens por Mike Newell, realizador que já tinha adaptado também Amor Em Tempos de Cólera (2007) do prémio Nobel da Literatura de 1982, Gabriel García Márquez. Conhecido também pela reprodução histórica de O Homem da Máscara de Ferro (1977), de Alexandre Dumas (1802 - 1870), e o conhecido Donnie Brasco (1997). À Dickens, as vastas e vincadas personagens vão confluir para um ponto em comum na história. Pip (interpretado por Jeremy Irvine, mas para quem tiver distraído pode vislumbrar o Mikael Carreira) é um rapaz pobre de província a quem lhe é destinado um futuro promissor como cavalheiro em Londres depois de ter ajudado um convicto. Daí Great Expectations/Grandes Esperanças (2012). Obviamente que a personagens mais marcantes para a caderneta de Dickens, pelos soundbites, são o tio Pumblechook, com aquele característico mantra das contas, e Wemmick com o valor que dá aos "bens portáteis" ("portable property").

Etiquetas:

26.1.17

Cinefilia: "Ela" (2016)


[ 80 ] Este Paul Verhoeven é mestre no deboche desde o primeiro Instinto Fatal/Basic Instinct (1992). Embora a história da Catherine Tramell tenha tido mais suspense como thriller erótico (ou lá o que é) — claro, muito antes da inauguração dos cruzeiros no Douro —, do que este drama numa família disfuncional. Michelle Lèblanc (Isabelle Hupert) é uma empresária de videojogos, ou de jogos para computador?, e filha de um serial killer condenado a prisão perpétua, ostracizada pelos media e pela polícia, o que a leva a não fazer queixa quando é violada durante um assalto a sua casa. Vem a nutrir um fétiche pelo novo vizinho, casado, que apesar de todos os esforços em contrário, é possível perceber que é ele o principal suspeito. Ela/Elle (2016), é uma produção franco-belga-alemã pouco conseguida, como, infelizmente, quase tudo onde agora os europeus se metem.

Etiquetas:

10.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 290)

 

Esta actual cultura, moderna, do frenesim, da pressa, da rapidez, do imediatismo, da falta de ponderação, da falta de sentido de oportunidade, que parece revelar falta de empenho de quem a não partilha, é que tem levado a uma sucessão de erros e absoluto descontrolo que jamais alguém conseguiu prever. Por falta de tempo, certamente.

Etiquetas:

8.1.17

Momentum: "Carpe diem" (1 289)

 

Há (assim em abstracto) quem se tenha empenhado bastante com tenra idade, aos dezasseis anos — sofrendo por ainda não ter direito a voto e carregando as agruras do, então na altura desconhecido, bullying dos betinhos de sobretudo loden verde na secundária, hoje proeminentes advogados nas redes sociais —, na primeira candidatura de Mário Soares a Presidente da República, em 1986, e depois, na primeira ocasião para o fazer, ainda por cima no auge do consenso, tenha votado, apenas cinco anos mais tarde, em 1991, em Basílio Horta. Imagine-se! O gosto por remar, não contra a maré, mas contra a carneirada, só é ultrapassado por esta simbólica e modesta homenagem a quem foi livre para entrar em contradição sempre que quis e que parte 92 anos e um mês depois de uma vida plena e intensa.

Etiquetas:

In Memoriam (17)

 
Mário Soares
(1924 - 2017)

Etiquetas:

11.12.16

Momentum: "Carpe diem" (1 288)


Os interesses e hábitos culturais do britânicos são variados e fascinantes — e não se reduzem à mais óbvia leitura de jornais e livros — vão desde o críquete, ao râguebi, boxe, passando pelo coleccionismo, desde soldadinhos de chumbo, a antiguidades, leilões, birdwatching, jardinagem. Apostam em corridas de cavalos, respeitam a memória, a tradição, e.g., com os autocarros double-decker Routemaster, e a História. É um contraste brutal com aqueles povos que frequentam todos em manada os mesmos sítios, Varadero ou Punta Caña, e disputam ambiciosamente o maior BMW ou o melhor iPhone entre si, enquanto esperam a vez para marcar presença no último Avillez e tirar a foto food porn que vai compor o já recheado portfólio do Facebook. Querem estar na vanguarda da última moda. Sentir-se modernos. Não é uma questão de dinheiro. É uma questão de bom gosto ou da falta dele e de critério.

Etiquetas:

25.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 287)


O fenómeno da manada está muito bem representado na importada Black Friday. É dopamina para consumidores profissionais que não desperdiçam uma promoção ou um desconto para comprar algo de que não necessitam. Nem sequer é compra por impulso, é antes compra por influência da massa humana que recebe previamente e-mails e SMS e se sente obrigada a estar presente no evento. Negras foram a segunda-feira de 19 de Outubro de 1987 e a terça-feira de 29 de Outubro de 1929, onde também se perdeu muito dinheiro investido em fenómenos de manada, muito comuns na Gorongosa e no Serengeti.

Etiquetas:

20.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 286)


A definição de um charlatão pode ser a de um tipo casado com uma imigrante e apoiado na sua candidatura por uma equipa de judeus que consegue ser eleito com um discurso de ódio aos imigrantes e anti-semita. Nos livros do Lucky Luke havia muito.

Etiquetas:

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (101)

 

Inside a Tavern, Peder Severin Krøyer (1886)

Etiquetas:

19.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 285)


Já houve tempo suficiente para perceber que reduzir a oposição política ao sabor dos indicadores económicos não é estratégia. Ou origina a interpretação fraudulenta dos dados consoante a comparação temporal que mais favorece o argumento, ou cai absolutamente por terra quando a razão da crítica não se materializa.

Etiquetas:

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (100)

 

Unexpected Visitors, Ilya Repin (1888)

Etiquetas:

17.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 284)


No decorrer deste ano tem sido provado que o célebre there is no alternative (TINA) não tinha razão de ser. Como provam o Brexit e, mais recentemente, a eleição de Donald Trump. Concorde-se ou não com ambos, a realidade vem provar à narrativa que é sempre possível haver escolhas. Por muito más que elas sejam. E ter liberdade de escolha é tão importante como respeitar o primado da lei. Em ex-aequo.

Etiquetas:

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (99)

 

John Singer Sargent, A Street in Venice (1880 - 1881)

Etiquetas:

16.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 283)


Ontem foi divulgado pelo o INE um crescimento de 1,6% do PIB, no período homólogo, e de 0,8% do PIB em cadeia no terceiro trimestre de 2016. Resultados virtuosamente sustentados na procura externa e prejudicialmente muito dependentes de um só sector como o turismo. Hoje as yields sobem, anulando qualquer expectativa de optimismo, muito por culpa da instabilidade política internacional que a eleição de Trump provocou nos mercados. Enquanto o cinto de segurança do quantitative easing do BCE nos acompanhar, estamos salvaguardados. Enquanto a única agência de notação financeira — a canadiana DBRS — nos mantiver o rating fora do lixo, facilita essa tarefa ao BCE. A política de devolução de rendimentos do trabalho e pensões e o aumento de impostos indirectos do actual governo, bem ou mal, aplaudida ou criticável, mantém a esperança que as pessoas sobrevivam, ainda que para apreciar o tão propagado potencial falhanço desta política económica.

Etiquetas:

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (98)

 

The Rich Fool, Rembrandt (1627)

Etiquetas:

15.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 282)


Contra todas as expectativas e concretizando todos os receios, Donald Trump ganhou as eleições norte-americanas com uma agenda isolacionista. Como tantas vezes é dito ao pequenino, é altura dos grandes aproveitarem uma situação de crise para gerarem uma oportunidade. É o momento ideal para a União Europeia se unir e a Alemanha aproveitar para aumentar o investimento fundamentado na indústria de defesa que lhe permita comprar submarinos de fabrico português.

Etiquetas:

14.11.16

Quantum Satis: Vícios privados, públicas virtudes (97)

 

Old Woman Examining a Coin by a Lantern
Gerrit van Honthorst, c. 1620

Etiquetas:

9.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 281)

 
GPS™

Há alguns anos, António Vitorino referiu durante um comentário na televisão que não é bom colocar as pessoas "entre a espada e a parede". Porquê? Porque essas mesmas pessoas podem escolher a espada. Já deviam ter aprendido com o Brexit que a diabolização do adversário, o argumentum ad terrorem acarreta sempre maus resultados. Nem a União Europeia acaba com a saída do Reino Unido, nem vai ser necessário armazenar enlatados e comprar lanternas por causa da vitória de Donald Trump. É preciso uma terceira vez? E à terceira aprenderão de vez?

Etiquetas: ,

7.11.16

Momentum: "Carpe diem" (1 280)

 
GPS™

Ganhe quem ganhar, haverá sempre checks and balances e o primado da lei. O Senado, a Câmara dos Representantes, o Supremo Tribunal e Wall Street. Não é à toa que os Estados Unidos tem a maior abstenção eleitoral do mundo. It's showtime.

Etiquetas: ,

30.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 279)


Por um lado, há o orgulho de quem nunca dá o braço a torcer, não reconhece o erro, tem dificuldade em afirmar que não sabe, e se reveste de uma superioridade social. Por outro lado, há o orgulho de quem não cede a fretes, não se desonra por privilégios, não compactua com a injustiça, não altera a sua natureza consoante as circunstâncias, não abandona a sua autenticidade, não convive com a hipocrisia.

Etiquetas:

Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (211)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Se eu quisesse encomendar um anel para mim, escolhê-lo-ia com esta inscrição: 'nada passa'. Acredito que nada passa sem deixar vestígios e que cada passo nosso, por pequenino que seja, tem importância para o presente e para o futuro." (p. 290)

Anton Tchékhov, «A Minha Vida», Contos de TchékhovVolume V

Etiquetas:

15.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 278)


Rentrée. A Direita insurge-se contra a degradação dos serviços públicos acusando a Esquerda de só aumentar os salários dos funcionários públicos para fins eleitorais e não se preocupar com a qualidade desses serviços públicos, e.g., investindo neles. A Esquerda não reconhece que o modelo de crescimento económico que apostava no consumo interno falhou — quando o faz, atribui o fracasso às negociações que foi obrigada a fazer com a Esquerda mais à Esquerda para constituir governo —, embora o défice tenha sido controlado (muito por completa ausência de investimento público) e, pela primeira vez, há muitos anos, não haver necessidade de um Orçamento Rectificativo, nem constantes ameaças com a inconstitucionalidade das medidas. Os impostos indirectos sobre tabaco, refrigerantes com açúcar, bebidas alcoólicas (80 milhões), alojamento local, imobiliário (160 milhões) e combustíveis (70 milhões) permitem uma maior redistribuição da riqueza com a reposição de algum poder de compra dos salários públicos (-257 milhões), pensões (-187 milhões) e eliminação gradual da sobretaxa de IRS (-200 milhões), por redução dos impostos directos. Um dos poucos impostos indirectos que sofre um desagravamento é a promessa eleitoral de descida do IVA da restauração (-175 milhões). O habitual "perdão fiscal" anual fará o resto (100 milhões). Onde parece haver consenso entre Direita e Esquerda é nas previsões incertas e fraudulentas de crescimento económico que ambos sempre apresentam para suportar tudo o resto. Tal como a previsão de uma inflação anual de 1,5% (actual 0,7%) que parece nitidamente desajustada. Mérito à política que voltou a sobrepor-se à economia. Afinal tudo isto é contabilidade. E escolhas. Só nestas vinte linhas, por amostragem, há um défice de 409 milhões de euros por suprimir. Deliberado? Escolha tendenciosa? #OE2017

Etiquetas:

9.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 277)


O carácter mais transparente e mais escrutinado da eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU, no passado dia 5 de Outubro, tornou-a mais especulativa. Foi possível conspirar com as intenções de cada um dos quinze membros do Conselho de Segurança (CdS). Para a posteridade e memória futura, além do cinco permanentes, existiam estes dez não-permanentes: Angola, Uruguai, Nova Zelândia, Malásia, Japão, Venezuela, Senegal, Egipto, Ucrânia e Espanha. Garantido estava a oposição da Ucrânia a um candidato apoiado pela Rússia (a búlgara Irina Bokova) — pela anexação da Crimeia e tudo o mais —; a condenação do Reino Unido à candidata argentina — por causa das Malvinas/Falklands —; mas também e obviamente o apoio de Nova Zelândia à sua forte candidata, Helen Clark. O aparecimento tardio de uma candidatura apoiada por não membros do poderoso CdS, Alemanha e a Comissão Europeia, só teria tido sucesso se, primeiro, não tivesse havido Brexit e, segundo, não tivesse ocorrido aquela amistosa ofensiva a Paris nas comemorações do último 10 de Junho. Dos dois votos "sem opinião", um terá de ter sido da Nova Zelândia, o outro não será tão certo que tenha sido da Rússia, que, primeiro, preferia o melhor candidato, e segundo, uma mulher de Leste.

Etiquetas:

8.10.16

Cinefilia: "As Brancas Montanhas da Morte" (1972)

[ 79 ] Um grande épico dos anos setenta com música a condizer, à época. Jeremiah Johnson volta da Guerra do México (1846 - 1848) decidido a viver isolado não inóspitas Montanhas Rochosas. Compra um cavalo, uma mula de carga, provisões e uma espingarda Hawking .30 que se vai revelar manifestamente fraca para caçar ursos grizzly e alces ou combater Blackfeets, Flatheads ou Crows. Vai ter ajuda inesperada do cadáver gelado de Hatchet Jack, de quem herda uma, mais poderosa, Hawking .50, e do caçador branco "Garras de Urso", coleccionador do artefacto. Aprende a sobreviver ao rigoroso inverno das Rocky Mountains dormindo numa cama de brasas colocadas num buraco que, se não tiver suficiente terra, pode queimá-lo. Recebe de presente uma squaw, filha de um chefe índio, e um malogrado miúdo cuja família tinha sido chacinada pelos Blackfeet, a que dá o nome de Caleb. As Brancas Montanhas da Morte / Jeremiah Johnson (1972), de Sidney Pollack conta com a interpretação de Robert Redford, num statement que se torna redutor elogiar num actor tão consagrado.

Etiquetas:

7.10.16

Momentum: "Carpe diem" (1 276)


Pacto de regime. Hoje a direita condena o perdão fiscal que a esquerda pretende implementar amanhã por ser igual ao perdão fiscal que a direita defendeu ontem e que era o perdão fiscal que a esquerda criticou no passado e que a direita aplicará também no futuro. Consenso.

Etiquetas:

5.10.16

Bibliofilia: "Contos de Tchékhov - Volume V"

[ 124 ] Anton Tchékhov, Contos de Tchékhov - Volume V, Relógio D'Água, Maio 2006 (pp. 292). Cinco contos, "O Pai de Família", "Na Noite Santa", "A Minha Mulher", "A Estepe - História de Uma Viagem" e, por fim, "A Minha Vida - História Contada por Um Provinciano". Os melhores contos são o terceiro e o último. Ambos envolvem uma relação, no "A Minha Mulher" um casal reconcilia-se colocando a fortuna pessoal ao serviço dos pobres mujiques. E em "A Minha Vida", um aristocrata, filho de um arquitecto, procura consolo numa actividade mais muscular, física, como trolha, em vez de prosseguir as mordomias do serviço público. Despertando a paixão de uma mulher que no início acha tudo extravagante e até exótico, mas, no final, acaba-o por abandonar. Vencendo as convenções sociais da altura que o tornam deserdado pelo pai, abandonado pela mulher, e obrigado a acompanhar a sua frágil e malograda irmã grávida de um emérito homem casado.

Etiquetas:

25.9.16

Momentum: "Carpe diem" (1 275)


A polícia norte-americana tem feito mais pelo combate ao uso e porte de arma do que qualquer medida do Congresso ou discurso político do POTUS. Actualmente, deve ser a maior oposição à National Rifle Association (NRA). Quem transporta uma arma no Estados Unidos está sujeito a um risco maior de ser abatido. Nem todos, porque aparentemente esse risco é maior em portadores de armas negros, afro-americanos. Estes são uma ameaça maior para a polícia, talvez porque tenham melhor pontaria.

Etiquetas:

Ipsis dixit: «Pro captu lectoris habent sua fata libelli»* (210)

 

*«Os livros têm o seu destino de acordo com o poder de compreensão do leitor»
Terentianus Maurus (séc II/III d.C.)

"Um homem que não se sente capaz de impor respeito por si mediante a dignidade interior, tem um medo instintivo de estreitar as suas relações com os subordinados e tenta afastar a crítica com manifestações exteriores de imponência. Os subordinados, vendo só este lado exterior, insultuoso para eles, não pressupõem, na maioria das vezes injustamente, que por trás dele talvez haja qualquer coisa melhor." (p. 112)

Lev Tolstói, "Sevastópol Em Agosto de 1855", Contos de Guerra

Etiquetas:

24.9.16

Momentum: "Carpe diem" (1 274)


Bela reportagem do Sixty Minutes. O submarino nuclear USS Kentucky transporta duzentas ogivas nucleares cada uma com poder trinta vezes superior ao da bomba de Hiroxima. Mas só podem ser espoletadas com autorização única e exclusiva do POTUS, sem qualquer intervenção do Congresso norte-americano, porque não há tempo em caso de um ataque nuclear. E, para não correrem riscos, ninguém conhece a localização do submarino, não vá este ser alvo de submarine-jacking. Uma aterradora arma de destruição massiva como esta tem de estar bem protegida com complexos protocolos de segurança em mãos bastante seguras e sensatas como Donald Trump.

Etiquetas:

23.9.16

Bibliofilia: "O Advogado Mafioso" (2015)


[ 123 ] John Grisham, O Advogado Mafioso (2015), Bertrand Editora, 1.ª edição, Julho 2016 (pp. 349). Talvez a personagem mais interessante criada pelo autor, decididamente a mais heterodoxa, ousada e extravagante; mas com um sentido de justiça dentro do método de quem não olha a meios para alcançar os fins. Se os métodos de Sebastian Rudd não são os mais legais, éticos e legítimos, os seus propósitos são imaculados. O resultado final é, ponderado os prós e contras, justo. Esta personagem permitiu a Grisham aproveitar-se das lacunas e da perversidade do sistema judicial norte-americano que é criticado ao longo de todas as sua obras de já quase trinta livros. Anualmente, aparece um "novo Grisham", em Portugal, do ano transacto, em meados de Outubro, na rentrée, com excepções — como neste caso, que surge em Julho. José Maria Martins seria mais apropriado para a tradução do título original Rogue Lawyer.

Etiquetas:

15.9.16

Momentum: "Carpe diem" (1 273)


Jorge Jesus é um excelente treinador, que falha noventa por cento das vezes no momento decisivo. Ontem, depois de uma dominadora exibição no Santiago Bernabéu contra o todo-poderoso Real Madrid, cometendo a proeza de estar a ganhar, por um a zero, até aos 89', acabou por claudicar nos descontos. Na flash interview queixou-se de, quando a equipa mais precisava dele, ele não estar lá. Pois não, tinha sido expulso aos 59'. Em Maio de 2013, perdeu a final da Liga Europa para o Chelsea aos 92' e a final da Taça de Portugal para o Vitória de Guimarães de Rui Vitória. Já depois de, no mesmo mês, ter perdido o dérbi decisivo contra o FCP com o célebre golo de Kelvin aos 92', que o obrigou a ajoelhar. Em Maio de 2014, perdeu a final da Liga Europa para o Sevilha nos pénaltis. Já no Sporting falhou o tão financeiramente necessitado apuramento para a Liga dos Campeões no decisivo play-off contra o CSKA de Moscovo — por demora nas substituições, à espera do prolongamento. Em 2015, depois de uma supremacia directa absoluta, ao ter ganho todos os dérbis contra o rival Benfica — que incluiu a conquista de uma Supertaça Cândido de Oliveira, logo em Agosto, ainda com a frescura da sua mediática transferência em Junho — perdeu o derradeiro e último dérbi por um zero, a 5 de Março de 2016, que permitiu a reviravolta dos rivais, a sua ascensão e a conquista do tri-campeonato. Ao contrário do que o próprio pensa, Jorge Jesus não é decisivo.

Etiquetas:

8.9.16

Bibliofilia: "A Herança" (2013)


[ 122 ] John Grisham, A Herança (2013), Bertrand Editora, 1.ª edição, Outubro 2014 (pp. 543). Regresso a Clanton e ao condado de Ford, no rural Mississippi, do advogado Jake Brigance, depois de Tempo de Matar (1989). Seth Hubbard, de 71 anos, enforca-se num sicómoro, no dia 2 de Outubro de 1988, depois de efectuar um testamento homólogo que deixa a sua fortuna, avaliada em vinte milhões de dólares, à empregada doméstica negra, Lettie Lang, de quarenta e sete anos, para grande revolta dos dois filhos e vários netos. Quando tudo parece perdido para Lettie e os queixosos estão quase vitoriosos depois de desacreditarem, como é óbvio, as capacidades de saúde e mentais de Seth na sala de tribunal, surge a justificação para o rico septuagenário branco deixar a fortuna à criada negra sobre a forma de recordação de um linchamento no passado longínquo. E o sicómoro é o mesmo.

Etiquetas:

7.9.16

Bibliofilia: "O Duelo" (1891)

[ 121] Anton Tchékhov, O Duelo (1891), Relógio D'Água, Fevereiro 2011 (pp. 118). Numa remota localidade do Cáucaso, o funcionário público Ivan Andréitch Laévski vive maritalmente com a ainda casada Nadejda Fiódorovna por quem o seu amor, outrora forte, se extinguiu e por piedade mantém essa relação que lhe provoca grande angústia e infelicidade. É o ódio visceral do zoólogo Nikolai Vassílitch von Koren, homem pragmático, realista e despido de emoções, que, por acaso do destino, o conduz a uma mudança de temperamento tornando-o mais responsável e aceitando a vida como esta se lhe oferece mesmo depois de descobrir a infidelidade de Nádia e já muito depois de tomarem conhecimento da morte do marido que podia obrigá-los ao casamento. Metáfora da vida, a novela assemelha-se àquelas descobertas de doenças graves cujo choque leva a apreciar as coisas simples e a dar muito mais valor ao que se tem. Com abundantes referências à literatura russa do seu tempo, desde Tolstói, a Turguénev e Lérmontov.

Etiquetas:

6.9.16

Bibliofilia: "Os Segredos de Gray Mountain" (2014)

[ 120 ] John Grisham, Os Segredos de Gray Mountain (2014), Bertrand Editora, 1.ª edição, Outubro 2015 (pp. 397). A acção desenrola-se na região carbonífera dos Apalaches durante a crise do sistema financeiro que começa com o colapso do Lehman Brothers e precede a eleição de Barack Obama, em 2008. Samantha Kofer é uma jovem advogada da Scully & Pershing, uma grande firma de direito comercial de Manhattan, que é abruptamente dispensada como tantos outros jovens cheios de ambição. Candidata-se a várias instituições sem fins lucrativos para exercer advocacia pro bono por sugestão da Scully & Pershing, na esperança que a tempestade passe e possa regressar. A rapariga de vinte e nove anos acaba por se apaixonar pelo trabalho de litigância, de barra de tribunal, contra advogados poderosos de grandes empresas, defendendo gente pobre do mundo rural, quase todos trabalhadores das minas de carvão, que provocam consideráveis danos ambientais e à saúde dos mineiros, enquanto mantém um relacionamento íntimo com um rapaz da zona — que dá nome à montanha do título — que envolve sexo, mas não comprometimento. O sonho de qualquer mulher moderna dos dias de hoje. A personagem principal é uma mulher e lá naquela associação trabalham só mulheres, mais quatro, além da Samantha, como convém em tempos de feminismo exacerbado. Como muitos Grisham, dava um bom filme. Uma boa história, embora no registo habitual, que pode ser enfadonho ou entediante quando lido em sequência.

Etiquetas:

3.9.16

Momentum: "Carpe diem" (1 272)


O ser humano é tricromático, a luz reflectida como espelho pelos objectos nos cones sensoriais dos olhos são as cores primárias do RGB informático, encarnado, verde e azul. Sendo que os daltónicos só detectam duas cores, com o encarnado a ser a mais penalizada. O daltonismo, descoberto por John Dalton — como se sabe, os outros eram: Joe, William e Averell, e vestiam-se muitas vezes de amarelo com riscas horizontais pretas — incide muito menos nas mulheres, apenas 1/200 e mais 1/12 nos homens. Destes, 1/100 homens não reconhece o encarnado. É o caso do Bruno de Carvalho.

Etiquetas:

1.9.16

Bibliofilia: " A Most Wanted Man" (2008)


[ 119 ] John le Carré, A Most Wanted Man (2008), Sceptre, ed. 2011 (paperback), Londres (pp. 374). O banqueiro Tommy Brue é contactado pela advogada activista Annabel Richter por causa de um imigrante ilegal, muçulmano checheno, que é herdeiro de uma fortuna originada pela máfias russas aquando da desintegração da URSS. A partir desta ideia inicial os serviços secretos ocidentais vão disputar a manipulação conjunta de Issa para alcançar um célebre financiador do terrorismo, Abdullah, conhecido pelo código SIGNPOST. Interessante por abordar temas actuais sobre como os bancos podem financiar o terrorismo islâmico — ainda não é conhecido o FACTA — ao mesmo tempo que aborda também a questão dos refugiados políticos/imigrantes. Com um grand finale abrupto mas nada surpreendente. Ridley Scott fez muito melhor com Body of Lies, também em 2008.

Etiquetas:

19.8.16

Momentum: "Carpe diem" (1 271)


A cada quatro anos a história repete-se. As expectativas criadas pelas medalhas conquistadas nos campeonatos da Europa e do Mundo pelos atletas são mitigadas com diplomas e pontuações recorde. Os atletas queixam-se da ausência de apoios e os portugueses — tão lestos a criticar prestações e resultados menos bons dos bem sucedidos Cristiano Ronaldo e José Mourinho — insurgem-se contra as críticas às vítimas desportivas deste país pequeno. No fim, há quatro anos para planear e preparar os próximos Jogos Olímpicos. Impossível é esquecer a medalha de Ag de Francis Obikwelu, no hectómetro, no meio dos norte-americanos Justin Gatlin (Au) e Maurice Green, em Atenas 2004. Foram 9"86 de superlativa glória.

Etiquetas:

13.8.16

Momentum: "Carpe diem" (1 270)


O momento da saída para alguém que atingiu o topo do sucesso de uma brilhante carreira, e ali permaneceu durante muitos anos, é sempre a escolha mais difícil. Muitas imagens endeusadas têm sido arruinadas por essa última decisão em perder o momento certo. Essa decisão é o seu rosebud, aquele pequeno nada que os trai revelando-o aos outros. Michael Phelps talvez não tenha melhor oportunidade de terminar a sua vida de deus olímpico do que com uma derrota frente a um adorado discípulo. Nadar a estafeta depois desta passagem de testemunho torna-se redutor. Acabar com uma vitória, seria banal. A última derrota torna-o humano.

Etiquetas:

24.7.16

Momentum: "Carpe diem" (1 269)



Enquanto se procura uma solução política para fugir à ameaça de sanções europeias, por uma derrapagem no défice de duas décimas, numa Europa completamente dominada por atentados terroristas, e uma solução financeira para recapitalizar o sistema bancário, saiu uma sondagem da Aximage que dá uma confortável vantagem ao partido do Governo. A esquerda já fez o aproveitamento político da mesma defendendo ser este o motivo para tanta crispação na oposição. A direita já veio dizer que é por isto que começa a existir dissensões com os partidos políticos que apoiam o governo, já não precisa deles, quer eleições. Muito pathos e pouco logos. Nenhum ethos.

Etiquetas:

Cinefilia: "O Segredo dos Seus Olhos" (2009)

[ 78 ] El Secreto de Sus Ojos (2009), filme argentino, do realizador Juan José Campanella, baseado no livro de Eduardo Sacheri, prova que o país das Pampas tem muito mais do que excelentes extremos como Nicolás Gaitán, Eduardo Salvio e, quiçá, esperemos que sim, Franco Cervi. Partindo de um crime de violação seguido do assassínio duma jovem mulher casada, em 1999, o ex-funcionário judicial, Benjamim Esposito, procura escrever um livro sobre esse caso de há vinte e cinco anos, ocorrido mais precisamente a 21 de Junho de 1974, que tão grandes marcas provocou, enquanto tenta declarar o seu amor pela procuradora Irene Hastings, sua chefe na altura, e por quem nutre uma paixão latente. O drama policial do caso está muito bem construído, com constantes flash-backs, mas o desenlace amoroso, que se desenrola em paralelo, é excessivamente prolongado para a realidade. Belo serviço público da RTP.

Etiquetas:

22.7.16

Momentum: "Carpe diem" (1 268)


A banca portuguesa tem um grave problema de rentabilidade motivado por empréstimos de longo prazo, nomeadamente crédito habitação, rígidos, porque indexados a taxas Euribor a níveis historicamente baixos, ou até mesmo negativas, e um conjunto significativo de activos que consomem capital e não geram rendimento, como agora tecnicamente se chama o malparado de non-performing loans (NPL).

Etiquetas:

20.7.16

Momentum: "Carpe diem" (1 267)


É interessante constatar a ausência ou a redução de notícias sobre Israel desde o aparecimento do Daesh e o agravamento do terrorismo. Terá sido negociado e outorgado algum novo tratado de paz entre Israel e a Autoridade Palestiniana que colocou em ordem, e.g., os colonatos? Já há segurança absoluta na densamente povoada Faixa de Gaza? E estabilidade na Cisjordânia?

Etiquetas:

19.7.16

Bibliofilia: "Putinlândia" (2016)

[ 118 ] Bernardo Pires de Lima, Putinlândia, Tinta-da-china, Junho 2016 (pp. 167). Adquirido em plena Feira do Livro, aquando do seu lançamento, com dedicatória do autor, o livro está dividido em quatro partes com dezoito crónicas e um fecho. A compra de um livro de crónicas é quase sempre motivo de dupla tributação do que já se pode ter lido aquando da publicação original. Retrato analítico do que tem sido a realpolitik de Vladimir Putin, quer no apoio político, mas também financeiro, a movimentos (Brexit) e partidos (Front National e UKIP) que fomentam a desintegração dos rivais ou convulsão interna, quer na perigosa política expansionista que permitiu a anexação da Península da Crimeia, sob a passividade europeia e norte-americana, e o secessionismo na Ucrânia, quer ainda na influência que exerce sobre a sustentação de novos partidos tanto radicais de esquerda (Syriza da Grécia),  como de direita (Fidesz de Viktor Órban na Hungria). O uso de expressões adolescentes, por exemplo, "abram alas", ou populares, embora possam ter surgido para desdramatizar, revela-se desadequado em assuntos tão sérios e a roçar o dramático. O autor já provou, nomeadamente no Twitter, que consegue fazer melhor em ironia, sobretudo em assuntos de bola.

Etiquetas: