Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

22.2.06

Coaching

É um relacionamento no qual uma pessoa se compromete a apoiar outra a atingir um determinado resultado: seja ele o de adquirir competências e/ou produzir uma mudança específica. Mas não significa um compromisso apenas com os resultados, mas sim com a pessoa como um todo, no seu desenvolvimento e na sua realização. Através do processo de Coaching, novas competências surgem, tanto para o coach quanto para o seu cliente.

Não só competências técnicas ou capacidades específicas, das quais um bom programa de treino poderia dar perfeitamente conta. Coaching é mais do que treino, o coach permanece com a pessoa até o momento em que ela atingir o resultado. É dar poder para que a pessoa produza, para que suas intenções se transformem em acções que, por sua vez, se traduzam em resultados.

A expressão anglo-saxónica coach tem origem no mundo do desporto e designa o papel de treinador, preparador, "o técnico" como conhecemos. É o coach que dá suporte ao "cliente", serve ao cliente e não o contrário. Mesmo que seja um líder apoiando pessoas da sua equipa, ele está a serviço da equipa e não o inverso. Não é a equipa que está ao serviço do "treinador".

Coach também é confundido com conselheiro, mentor e guru. Nenhum destes papéis requer o compromisso de apoiar pessoas a realizar metas. No papel de coach, este compromisso é fundamental na medida em que o coach actua no campo do desempenho - resultado e realização pessoal - e influencia no desenvolvimento de padrões éticos, comportamentais e de excelência.

Na relação com o cliente, o coach deve:
1. estimulá-lo a identificar seus valores essenciais e a expressá-los, desenvolvendo uma postura de integridade pessoal;
2. desafiá-lo a "sonhar acordado", a criar para si mesmo uma visão de futuro que o entusiasme e que utilize ao máximo a sua energia criadora.

Isto é particularmente importante porque não é raro as pessoas definirem suas metas para atender aos desejos e necessidades dos outros, chefes ou familiares. Às vezes, a visão que o cliente tem do problema é a própria fonte do problema. Por exemplo, um cliente muito viciado numa determinada estratégia de negócio pode não perceber novas e melhores estratégias. Coaching é uma relação dinâmica que permite romper antigos paradigmas e estabelecer novas fronteiras.

É necessário que a relação entre o coach e o cliente seja de muita confiança. Para isto é imprescindível que haja feedback constante entre os dois, facilitando a compreensão mútua dos valores e a troca de experiências. Esta prática de abertura, fulcral em Coaching, abre espaço para um alto padrão de desempenho. O coach incentiva o cliente a compreender todo feedback que a experiência proporciona e a analisar a situação sob novas perspectivas. Com o seu feedback, o cliente amplia a sua consciência e fortalece a sua auto-estima.

Vivemos vitórias e realizações, mas também conhecemos a dor, os fracassos e as frustrações. Tanto no sucesso como no fracasso, a auto-ilusão atrapalha o aproveitamento da experiência, porque ela protege o ego. No sucesso, a ilusão mais comum (porque doce) é a de que ele será eterno; no fracasso, é o medo de que isto se torne um padrão e que a derrota seja iminente. Os problemas de auto-estima são fatais para o desempenho porque favorecem a auto-ilusão. É mais confortável enganar-se do que enfrentar críticas. Um cliente com baixa auto-estima pode rejeitar o feedback do coach, dificultando o avanço do processo.

Por outro lado, se o coach tiver tido um fracasso recente, ele pode iludir-se e deixar que seus sentimentos de inveja em relação ao sucesso do cliente possam comprometer os resultados. Especialmente se o cliente for inexperiente ou pouco observador. Por isso, o coach precisa estar muito atento à sua visão da realidade e à consistência de sua própria auto-estima. Coaching é aprender e desaprender. Se não pudermos desaprender, é muito difícil sermos bons coachs ou clientes. Coaching é desenvolver um novo nível de consciência.

É extremamente importante que o coach e o cliente conheçam bem a trajetória de realização um do outro. Conhecer as atitudes do outro, seus valores, padrões de comportamento e principais sucessos e fracassos. Conhecendo o cliente, o coach poderá ajudá-lo a identificar o gap entre a visão de futuro dele e a sua situação e competências actuais. E, conhecendo o coach, o cliente saberá usar melhor a sua experiência.

A análise da trajetória não deve transformar o passado numa plataforma para a visão de futuro, isto limitaria o futuro a ser uma extensão do passado. Esta análise serve para identificar pontos fortes e fracos (de ambos) que possam influir no desempenho futuro e que devem ser considerados no plano de acção. Assim, facilita o sucesso do plano de acção e evita problemas decorrentes da falta de planeamento.

Coaching é determinação, é a coragem necessária quando se tem desafios a superar. As emoções são essenciais para construir uma relação vigorosa entre o coach e o seu cliente, que sustente o percurso desde a intenção até a realização. Sem emoção, não há envolvimento nem energia para a acção. Alegria, determinação e, principalmente, confiança são as bases para um relacionamento/projecto bem sucedido. Respeito, solidariedade e afecto tornam o caminho mais suportável.

Mas, é preciso construir um plano de acção previamente acordado entre coach e cliente para garantir o sucesso do projecto. Sem ele, o coach não tem onde apoiar o seu compromisso. No entanto, este plano de acção não deve ser limitador para os dois, antes deve funcionar como uma bússola que indique o caminho para ambos.

Coaching é liderança refinada. Coach é um líder, nem todo líder é um coach. Para ser coach, não precisa ser chefe do cliente, embora as hierarquias superiores sejam os coachs mais prováveis, em função da liderança que se espera que eles exerçam junto aos outros e não sobre os outros. Os coachs ganham uma escola prática de liderança e autoconhecimento que nenhuma formação académica dá, os clientes ganham suporte ao seu desenvolvimento e a organização ganha uma extraordinária rede de formação contínua e compromisso com resultados.