Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

20.2.06

Saga Energética

"José Maria Amusátegui, presidente do Banco Central Hispano, chegou ao Taguspark de helicóptero numa manhã fria, em Fevereiro de 1998. À sua espera estavam Jardim Gonçalves, presidente do BCP, Joaquim Pina Moura, ministro da Economia, e o seu chefe de gabinete, Fernando Castro, o presidente da EDP, António de Almeida. O almoço correu mal. Amusátegui queria vender os 22% que o banco - parceiro do BCP - tinha na Unión Fenosa, a terceira maior empresa de electricidade em Espanha. A EDP queria um parceiro internacional. Amusátegui garantia que quem representaria o banco na Fenosa seria Jardim Gonçalves e que a sede da empresa resultante da fusão ficaria em Lisboa. Os interesses pareciam conjugar-se, mas Pina Moura jogou um balde de água fria nos presentes ao dizer que o Governo não apoiava a compra da Fenosa pela EDP e ao indicar o nome do novo parceiro: Iberdrola. A tensão foi grande e António de Almeida ficou tão irritado que entrou em choque directo com Fernando Castro. Com esta atitude traçou o seu destino. Desde então, tudo mudou. O Central Hispano fundiu-se com o Santander e Amusátegui foi afastado, Jardim Gonçalves passou a «chairman» do BCP, António de Almeida é presidente do Omip e Pina Moura da Iberdrola Portugal, Fernando Castro desapareceu. Há sete anos, a capitalização bolsista da Fenosa era cerca de 40% da da EDP e a empresa portuguesa e a espanhola Iberdrola equivaliam-se em dimensão. Actualmente, a situação inverteu-se e a EDP não tem fôlego para avançar sobre a Fenosa nem acompanhou o vertiginoso crescimento da Iberdrola. A parceria entre a EDP e a Iberdrola teve vida curta, tendo sido rompida quando a empresa espanhola tentou unir-se à sua conterrânea Endesa, sem ter a amabilidade de avisar a EDP. Manuel Pinho queria que a Galp comprasse a Fenosa. Tarde demais: a empresa já está a ser negociada com galegos."

in "Público", 2005