Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

25.3.06

Incentivos


"A Economia é, na sua raiz, o estudo dos incentivos: como é que as pessoas conseguem o que querem, ou de que precisam, especialmente quando outras pessoas querem ou precisam da mesma coisa. Os economistas adoram incentivos. Eles adoram inventá-los e pô-los em prática, estudá-los e corrigi-los. O economista típico acredita que o mundo não foi ainda capaz de inventar um problema que ele não seja capaz de resolver se lhe for dada carta branca para conceber o esquema de incentivos adequado. A sua solução pode não ser sempre bonita - pode envolver coacção, penalidades exorbitantes ou a violação das liberdades individuais - mas o problema original será, com toda a certeza, resolvido. Um incentivo é uma bala, uma alavanca, uma chave: um objecto, muitas vezes minúsculo, com o poder surpreendente para mudar uma situação.
Todos nós aprendemos a responder a incentivos, negativos e positivos, desde que nascemos. Se formos, ainda titubeantes nos nossos primeiros passos, em direcção a um fogão quente e lhe tocarmos, queimamos um dedo. Mas se trazemos óptimas notas da escola, dão-nos, como prémio, uma bicicleta nova. Se formos apanhados a esgravatar no nariz nas aulas, somos ridicularizados. Mas se formos ases de basquetebol, subimos na escala social. Se não respeitarmos o toque de recolher, somos castigados. Mas se tivermos boas notas finais no secundário, conseguimos ir para o curso que queremos numa boa universidade. Se chumbamos no curso de Direito, somos obrigados a ir trabalhar na companhia de seguros do nosso pai. Mas se somos tão bons no nosso trabalho que uma empresa de rival nos vem convidar, somos nomeados administradores e já não temos de trabalhar para o nosso pai. Se ficamos tão entusiasmados com o novo lugar de administrador que voltamos para casa a 150 à hora, somos apanhados pela polícia e multados em cem dólares. Mas, se conseguimos ultrapassar as projecções de vendas e ganhamos um prémio no fim do ano, não só deixamos de ficar preocupados com os cem dólares como também podemos comprar aquele fogão espantoso topo de gama com que sempre sonhámos - e em que o nosso filho, ainda cambaleante nas suas primeiras tentativas de andar pelo seu pé, pode agora queimar o próprio dedo."

"Freakonomics - O Estranho Mundo da Economia", Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner