Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

16.4.06

Electrónica transparente


(A Virgem com o Menino e Santa Ana, Leonardo da Vinci, 1508-1513)

"Imagine que o vidro da sua banheira, o pára-brisas do seu automóvel ou a folha transparente de acetato que usa regularmente são ecrãs. Não estamos a falar de sítios onde se projectam imagens, mas verdadeiros ecrãs que, uma vez desligados da corrente eléctrica, mantém as propriedades de transparência a que está habituado. Por mais que olhe para os vidros não vê fios, nem percebe como é possível que eles acendam com o simples ligar e desligar de um botão.

A tecnologia por trás destes ecrãs chama-se electrónica transparente e, apesar de estarmos a falar dela com se de um sonho se tratasse, há uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que acabou de assinar um contrato com a Samsung para desenvolver estes novos dispositivos.

Há, aliás, um protótipo a funcionar actualmente no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa, onde uma pequena luz (um LED) se acende no centro de um vidro, sem que, aparentemente, haja quaisquer fios a ligá-la.

A electrónica transparente é um campo relativamente recente. A ideia é conseguir produzir circuitos electrónicos com a qualidade dos actuais circuitos de silício, mas invisíveis ao olho humano, usando tecnologias limpas, capazes de satisfazer a necessidade de criação de computadores e ecrãs flexíveis.

(...) [Os investigadores] conseguiram pela primeira vez produzir dispositivos semicondutores à temperatura ambiente, usando óxido de zinco como material condutor, (...) o que significa que, pelo menos teoricamente, pode ser usado em quase todos os tipos de material, incluindo o plástico ou um simples acetato. Este facto faz com que os circuitos impressos possam vir a ser usados em dispositivos flexíveis, como ecrãs que se enrolam ou quaisquer outros plásticos transparentes "

in "Público", 15Abr2006