Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

30.4.06

A síndrome do Tollan!


(A Church Porch, John Constable, 1809)

"(...) O que dizem as notícias? Pelo lado dos factos, isto: que há dez anos que estamos a divergir da UE e continuaremos assim, pelo menos, mais quatro; que o crescimento do PIB (0,5%) é o mais baixo de toda a zona europeia; que, em 2005, a produtividade cresceu 0,4% e os salários 2,8; que a despesa pública cresceu 7% e o número de funcionários públicos continuou a aumentar; que o sector exportador está a perder consistentemente a batalha da globalização; e que o que evitou um crescimento negativo foi, afinal, o aumento do consumo público e privado - nem a poupança, nem o investimento, nem a produtividade. Do lado das conclusões, disseram-nos isto: que a despesa pública é de tal maneira fixa (salários, pensões, subsídios, transferências para as autarquias, serviço da dívida), que os governos não conseguem reduzir o défice público e apenas travam o seu crescimento através do aumento das receitas e não da diminuição das despesas; que algumas tentativas de reformar o Estado e a estrutura dos seus gastos têm apontado para o bom caminho, mas, pura e simplesmente, não conseguem passar do papel e da fase das intenções; e, finalmente, que os brutais investimentos na Educação, ao longo de décadas e fazendo de Portugal um dos países do mundo que mais gasta com o sector em percentagem do PIB, produziram e continuam a produzir resultados nulos para a qualificação profissional, o desenvolvimento económico e a competitividade do país. (...)"

in "Expresso", Miguel Sousa Tavares, 29Abr2006

"Há exactamente dois anos, o país foi alvoroçado por uma operação policial em Gondomar com um nome patusco - 'apito dourado' - e muito apropriado ao fim que a determinara: a averiguação de suspeitas de corrupção e tráfico de influências na arbitragem. (...) A operação revelava uma saudável curiosidade da polícia pelo que se passa no mundo do futebol, esse poder com leis próprias que, ao longo das últimas décadas, se foi cruzando com outros poderes e engordando de tal modo que se estabeleceu como uma espécie de 'estado' dentro do Estado. Por isto mesmo e por se ter instalado a ideia de que esse universo jamais seria investigado a sério, dada a projecção pública e a influência de muitas figuras que o dominam ou frequentam, a operação em causa foi recebida com enorme expectativa. (...) Dois anos depois, o que se verifica? O mesmo que se tem visto noutras situações similares, em que o balão enche até parecer rebentar e depois vai minguando a ponto de quase esvaziar.

(...) O país regista, sem surpresa mas obviamente desconfiado, o desmoronamento de mais um grande caso de Justiça. E a imagem da Justiça, essa, afunda-se um pouco mais. Paulatinamente."

in "Expresso", Fernando Madrinha, 29Abr2006

"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar"

Gaius Julius Caesar (100 a.C. - 44 a.C.)