Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

1.5.06

Amor falsificado...


(Young Girl Combing Her Hair, Pierre-Auguste Renoir, 1894)

"Paulo era incontinente, e casado com uma Berliet estampada, mas não completamente estúpido. Muitos anos de desfaçatez junto da sua mulherzinha horrível tinham-no transformado num profissional da falsidade. Isso mesmo; tudo aquilo que Paulo oferecera à sua princesa era falso! Com excepção do PGO, que era verdadeiro mas não era um Porsche, tudo era falso. O Rolex, por exemplo, desde sempre tinha saltado os segundos de forma não contínua, evidenciando o seu movimento de quartzo e não de relógio automático.

Quanto aos activos imobiliários e financeiros, nem é preciso dizer que o papel do catálogo e das acções não passava disso mesmo: papel.

Só que Ana também não lhe tinha dito que era uma transexual recentemente operada.

Se lhe tivesse dito, Paulo iria sentir-se o tipo mais azarado do mundo. Primeiro casa com uma matrafona; depois, quando julgava ter encontrado a beleza, dá-se conta de que não passa de um turista ridículo rastejando sobre as terras de Cabo Carnaval (ou será Canaveral?), depois de uma penosa e caríssima viagem... Lá onde são lançados os foguetões!"

"Contos de Colarinho Branco", Paulo Morgado