Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

6.5.06

Sonhadores


(Joseph's Dream, Paula Rego, 1990)

"(...) Haverá entre nós, os russos, muita gente que disponha dos meios para fazer o seu trabalho como é devido, com amor? Porque qualquer trabalho necessita de ser feito com vontade, exige o amor do trabalhador, exige uma entrega total. Haverá, afinal, muita gente que encontrou a sua vocação? (...) Então, nos caracteres ansiosos de actividade, mas fracos, femininos, ternos, nasce a pouco e pouco aquilo a que se chama 'sonhadorismo', e o homem deixa de ser homem, torna-se numa espécie esquisita... - o sonhador. (...) A realidade produz no coração do sonhador uma impressão grave, hostil, e então apressa-se a meter-se no seu cantinho secreto e dourado, que na realidade é, não raro, poeirento, desmazelado, desarrumado e porco."

"Crónicas de Petersburgo", Fiódor Dostoiévski, 1847