Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

24.2.07

Guerra das Malvinas (1982)

(Painting, Francis Bacon, 1946)

A 19 de Março de 1982, 50 soldados argentinos invadiram a ilha da Geórgia do Sul e desfraldaram a bandeira nacional, provocando o conflito conhecido como a Guerra das Malvinas, em espanhol, para a Argentina, ou a Guerra das Falklands, em inglês, para o Reino Unido, sobre a soberania das referidas ilhas. A guerra não chegou a ser declarada por nenhuma das partes beligerantes. A Argentina vivia um período de contestação social e política contra a repressiva Junta Militar no poder, liderada pelo General Leopoldo Galtieri, e de crise económica. O conflito teve início, a 2 de Abril de 1982, com um assalto anfíbio britânico desencadeado pela Royal Air Force e a Royal Navy. O Reino Unido viria a retomar a soberania sobre as Ilhas Falklands, em 14 de Junho de 1982, depois de ter sofrido 258 baixas e 777 feridos contra 649 mortos e 1 068 feridos do lado argentino. A 2 de Maio, o submarino nuclear britânico “HMS Conqueror” afundaria o cruzador argentino “ARA General Belgrano” (ex-“USS Phoenix”, sobrevivente do ataque a Pearl Harbour, em 1941), com dois torpedos. Neste incidente, morreram 323 marinheiros, o equivalente a metade das vítimas argentinas durante todo o conflito. A perda do cruzador “ARA General Belgrano”, originou a retirada de toda a frota argentina liderada pelo porta-aviões “ARA Veinticinco de Mayo” e dois contratorpedeiros de escolta. Dois dias depois, a 4 de Maio, viria a ser fortemente danificado o contratorpedeiro “HMS Sheffield”, após um ataque com mísseis antinavios argentinos de fabrico francês “Exocet”, lançados por dois aviões de ataque ao solo argentinos, também de fabrico francês, “Dassault Super-Étendards”, voando a baixa altitude para fugir aos radares e sendo lançados a 30-50 km de distância. O “HMS Sheffield” viria a afundar a 10 de Maio depois de arder durante seis dias. Os argentinos conseguiriam ainda afundar os contratorpedeiros “HMS Ardent” e o “HMS Antelope”, a 21 de Maio, e o navio de apoio “MV Atlantic Conveyor”, em 25 de Maio, que representou um importante revés logístico, além do “HMS Coventry”. Ficaram ainda bastante danificados, pelos raides aéreos argentinos perpetuados por A-4 “Skyhawks” a baixa altitude, o “HMS Broadsword”, “HMS Argonaut” e o “HMS Brilliant”. Os aviões de combate britânicos “Sea Harrier”, que permitem a descolagem vertical, dos porta-aviões abateram 23 aviões inimigos, sem registo de perdas no confronto ar-ar, mas com seis perdas devido ao fogo antiaéreo e a acidentes. Segundo os analistas, isto deveu-se à superior capacidade de treino dos pilotos britânicos e ao facto dos aviões argentinos operarem no limite do seu raio de acção – as Ilhas Malvinas distam 483 km da costa -, originando constantes reabastecimentos, nem sempre possíveis. Este conflito é interessante, porque representa uma guerra convencional moderna, táctica e inteligente, travada de forma limitada com meios aéreos e navais, como os porta-aviões britânicos “HMS Invincible” – que tive oportunidade de visitar posteriormente em Lisboa – e “HMS Hermes” - posteriormente substituído pelo mais avançado “HMS Illustrious” - bastante desenvolvidos, e que foram essenciais como base dos aviões de combate da força britânica, e com a utilização de meios terrestres essencialmente constituídos por forças especiais, existindo muita informação extremamente bem documentada sobre o assunto.