Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

4.3.07

Princípios básicos da Cabala

(Musiciens Juifs de Mogador, Eugène Delacroix, 1847)

A Cabala é a vertente mística do judaísmo, é um sistema religioso-filosófico de origem hebraica que investiga a natureza divina. Um método de interpretação do mundo para conhecer Deus e o Universo. A chave para decifrar o mundo. A origem da Cabala vem do texto místico “Sefer Yetzirah” ou “Livro da Formação”, onde se defende que o mundo é a emanação divina. Segundo “O Codex 632”, (José Rodrigues dos Santos, Gradiva, ed. Dezembro 2006, 23.ª edição, 550 pp., 22 €), nesta obra é descrito “o modo como Deus fez o mundo usando números e palavras. (...) Defendia que era possível penetrar no divino poder criador através da compreensão dos números. É isso, no fundo, a guematria. Este sistema atribui poder criador à palavra e aos números e parte do princípio de que o hebraico foi o idioma usado por Deus no acto da Criação. Os números e o hebraico têm natureza divina. Através da guematria é possível transformar as letras em números e fazer descobertas muito interessantes (p. 400). (...) Esta técnica consiste na obtenção do valor numérico das palavras após fazer a correspondência entre as letras do alfabeto hebraico e os algarismos. Na guematria, as nove primeiras letras associam-se às nove unidades, as nove letras seguintes estão ligadas às nove dezenas e as quatro restantes representam as quatro primeiras centenas (p. 399). (...) Por exemplo, a palavra hebraica shanah, ano, soma 355, que é justamente o número de dias do ano lunar. E a palavra heraryon, gravidez, soma 271, ou seja, o equivalente, em dias, a nove meses, o período que dura a gravidez. (...) Na guematria, av, pai, soma 3, e em, mãe, soma 41. Ora, 3 mais 41 dá 44, que é justamente o número do ieled, filho. A soma do pai e da mãe dá o filho. Um dos nomes de Deus, Elohim, vale 86, e a palavra natureza, hateva, também vale 86. Ou seja, Deus equivale à natureza. (...) O ‘Génesis’ diz que Abraão levou 318 servos para uma batalha. Mas os cabalistas, ao estudarem o valor numérico do nome do seu servo Eliezer, descobriram que este era de 318. Logo, presume-se que Abraão, na verdade, só levou consigo o seu único servo (p. 401).”