Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

23.4.07

Portugal por um "canudo"...

(Esperando o Sucesso, Henrique Pousão, 1882)

Sou licenciado, mas não me sinto superior por isso. Ao longo do tempo, conheci gente fantástica, pessoas inteligentíssimas e amigos extraordinários que, por vontade própria ou alheia, não acabaram os estudos. Por outro lado, também conheço pessoas que não consigo de forma alguma perceber como conseguiram concluir uma licenciatura. Como disse Pedro Mexia, no “Público” de sábado, uma licenciatura é nada mais, nada menos, que uma capacidade técnica. Há quem devore licenciaturas, pós-graduações e mestrados para constar no currículo, embora não se lembre de nada que tenha frequentado. Isso é o menos relevante... Por isso, os anglo-saxónicos valorizam tanto a componente prática e as entrevistas e os europeus a experiência profissional. É, também, por isso, que Daniel Oliveira, tem toda a razão quando diz que: “(...) o Governo acha que os ‘estudos’ não servem para saber mais. Servem apenas para alcançar o sucesso. Para ‘ser alguém na vida’. E qual é a medida do sucesso? Ser famoso. Um bom retrato do país: o trabalho não é respeitado se não trouxer com ele estatuto social; a fama vale mais do que a competência; e o prazer de aprender não chega como argumento. A própria ideia de ‘acabar os estudos’ é reveladora. Como se eles alguma vez acabassem. Talvez tudo isto explique porque temos um primeiro-ministro que não se achava preparado para o ser enquanto não tivesse o título de engenheiro. Uma curiosidade: Sophia de Mello Breyner, Herberto Helder, António Ramos Rosa, Alexandre O’Neill e José Saramago não acabaram os estudos. Loosers!” (in “Expresso”, 21Abr2007).