Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

27.2.09

Bibliofilia: "O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual"

O prémio Nobel da Economia de 2008, Paul Krugman, demonstra, numa linguagem simples e acessível aos leigos, sem equações, nem “diagramas insondáveis”, não terem sido tiradas as devidas ilações das crises do México (1995), Sudeste Asiático (1998), Argentina (2002) e o estado deflacionário da economia nipónica há mais de uma década para prevenir a actual crise. Soluções como a redução das taxas de juro para estimular uma economia deprimida, aumento dos défices orçamentais através do investimento em obras públicas, injecção de liquidez nos Bancos ou redução dos impostos, devem ser aplicados em casos específicos e nunca como medida padrão. Porque há que considerar a “psicologia do mercado”, “comprar quando toda a gente está a fugir talvez não seja, afinal, uma boa ideia; talvez seja melhor fugirmos também em direcção à saída” (p. 113). “A reconhecida necessidade de entrar no jogo da confiança substitui as preocupações normais da política económica” (p. 117), exacerbando assim as recessões em vez de as conter. Por outro lado, as intervenções do FMI no sentido de combater o “capitalismo de compadrio” (crony capitalism) e a corrupção, seja da Indonésia de Suharto, dos keiretsu nipónicos ou dos chaebol sul-coreanos, para restabelecer a confiança nos países e a seriedade dos respectivos governos, exigindo austeridade orçamental e reformas estruturais, provoca mais danos do que efeitos benéficos. Uma inflação moderada (ou esperada) pode ser mais virtuosa que a estabilidade de preços para combater a estagnação económica, tendo presente o caso do Japão cujas consequências vão além da economia ao ter uma sociedade demasiadamente envelhecida que poupa muito mais do que consome e cuja grande massa de população reformada origina maiores gastos do orçamento do Estado no pagamento de pensões. Mas, a essência do problema nipónico está na demora na recapitalização do seu sistema bancário. Por isso, as soluções actuais passarão por empréstimos directos dos Bancos Centrais a empresas não financeiras; pela nacionalização temporária duma parte significativa do sistema financeiro; o aumento das despesas do Estado em obras públicas com razoável celeridade – apesar da controvérsia desse estímulo económico ter efeitos demasiado tarde e também porque a redução dos impostos pode conduzir a poupança em vez de estímulo ao consumo – ou aguardar que surja uma nova e inesperada bolha especulativa como a do imobiliário que colocou um fim nos danos causados pelo rebentar da bolha especulativa das acções tecnológicas, em 2000. O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual, Paul Krugman, Editorial Presença, 1.ª edição (Fevereiro 2009), pp. 190, 15 €. Quarta leitura de 2009. Lido em dois dias (26 e 27 Fev).

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