Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

27.3.09

Utopia: A República de Hermes (9)


Nesta complexa sociedade da República de Hermes, proíbe-se o mínimo, mas permite-se o máximo. Multa-se, a torto e a direito ou, por outras palavras, sem dó nem piedade, o estacionamento indevido, ou por tempo expirado, mas assobia-se para o ar e olha-se para o lado quando se trata de desrespeitar traços contínuos; ou conversas ao telemóvel com o joelho ao volante; ou acelerados avanços em semáforos vermelhos. Aprecia-se a inteligência não a de génese intelectual, mas aquela mais práctica que valoriza a falta de seriedade, carácter e integridade. Aquela que vive do expediente. A mentira piedosa para evitar chatice. A da “uma no cravo e outra na ferradura” para agradar a “gregos a troianos”. O melhor é apostar em mais do que um tabuleiro, em mais do que num cavalo, para melhorar as probabilidades do ganho. Porque bem lá no fundo, o que importa é mesmo ganhar, é o resultado imediato, o fim em si mesmo, não importa o meio como se lá chega. Sim, aqui fazem-se fretes e jeitinhos para não ficar mal na fotografia. Isto é que é gente de fortes convicções. Mas susceptível à crítica, não a mera crítica de opinião por comportamento ou atitude considerada desadequada, mas a crítica invejosa na variante “faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço”... Ah, esta utopia está cada vez mais parecida com uma distopia: continua a ser um lugar imaginário mas de características cada vez mais negativas. Não fosse isto apenas imaginação... In dubio pro reo...

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