Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

16.6.09

Veritas: Notas de rodapé (2)


“Noutro tempo comprazia-me em pedir perdão, precisamente quando nada praticara que o justificasse, e era essa a minha maior vileza. Enternecia-me, arrependia-me, vertia lágrimas, e com certeza me enganava a mim mesmo, por muito que não me entregasse a simulação; não seria capaz de dizer até que ponto o meu sentir me obrigava a isso. (...) Mas, passado um minuto, pouco mais ou menos, eu mesmo reparava, com a consequente raiva, que todos esses arrependimentos e ternuras e juramentos de emenda não passavam de embustes, patranhas tão habilidosas como vis. Mas hão-de perguntar-me porque me torturava eu até esse ponto, porque me dava a tantos requintes. Meus Deus, é que me aborrecia por não ter nada que fazer e entregava-me a essas tretas para distrair o meu tédio! Exactamente.” (p. 19)

Fiódor Dostoiévski, A Voz Subterrânea, Quasi Edições, 1.ª ed. Agosto de 2008, pp. 126, 1,50 €

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