Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

16.8.09

Cinefilia: "O Estado das Coisas" (1982)

O realizador alemão Friedrich Munro (Patrick Bauchau) e a sua equipa interrompem as filmagens do remake Os Sobreviventes, o seu décimo primeiro filme, depois de dez anos em Hollywood, por falta de dinheiro e filme e enquanto aguardam pelo produtor, Gordon (Allen Garfield), que regressou a Los Angeles supostamente para recolha de fundos para o projecto, tentam descansar, embora angustiados pelo futuro, por Sintra e Lisboa. “Lisboa a cidade do amor. Está mesmo na ponta. O canto ocidental mais extremo da Europa, o mesmo oceano, esta água toda mesmo em frente da nossa janela. Até mete medo. E é aqui que se acaba a terra e o mar começa.” Discute-se a importância das histórias, que “só existem nas histórias. Enquanto que a vida corre, (para me citar a mim próprio) no seu tempo certo, sem necessidade de recorrer a histórias, ou de nos transformarmos em histórias.” Este é um filme sobre o filme que é fazer um filme. Um filme a preto e branco, porque “a vida é a cores, mas o preto e branco é mais realista, porque permite ver a forma das coisas.” Um filme que tinha de terminar com uma, ou mais mortes, porque, como o filme o diz, todas as histórias têm de ter mortes, a importância da morte nas histórias só é ultrapassada pelo amor. Também “a vida sem histórias, não vale a pena ser vivida.” Este é O Estado das Coisas (1982), do realizador alemão Wim Wenders, Der Stand der Dinge, no original. Mais uma incursão pelo cinema independente.

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