Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

27.9.09

Ipsis dixit: A subtileza do pensamento (6)


“Portugal está alagado pela onda da corrupção, que subverteu a Roma imperial! Os costumes de nossos maiores são metidos a riso! As leis antigas, que eram o baluarte das antigas virtudes, dizem os sicofantas modernos que já não servem a humanidade, a qual, em consequência de ter mais sete séculos, se emancipou da tutela das leis. (...) Estes democratas, se acontece de caírem nas presas da justiça, gritam pelo código das igualdades, e então experimentam o que vai da bonita redacção da lei à execução dela. (...) É a indústria agrícola de Portugal devorada pelas fábricas do estrangeiro; é o braço do artífice nacional alugado à escravidão do Brasil, porque a Pátria não lhe dá fábricas; é o funcionário público prevaricado, corrupto e ladrão, porque os ordenados lhe não bastam ao luxo em que se desbarata; é o julgador dos vícios e crimes sociais transigindo com os criminosos ricos, para poder correr parelhas com eles em regalias; é a mulher de baixa condição prostituída, para poder realçar pelos ornatos sua beleza; é a aluvião de homens inábeis, que rompe contra os reposteiros das secretarias pedindo empregos, e conjurando nas revoluções, se lhos não dão. (...) Ai da Pátria, quando os talentos parlamentares se encanzinam e escamam nestas pugnas inglórias!”

Camilo Castelo Branco, A Queda de Um Anjo

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