Cinefilia: "American Splendor" (2003)
Filme sobre alguém que escreve sobre si próprio numa banda desenhada (BD) ou sobre uma personagem de BD? Esta é a interrogação da principal personagem Harvey Pekar (pelo próprio e também por Paul Giamatti), arquivista no hospital de Cleveland, Ohio, coleccionador de discos vinil, de livros de banda desenhada, leitor compulsivo, melómano de jazz e, segundo a sua (terceira e douradora) mulher Joyce Brabner (ela própria e também Hope Davis), obsessivo-compulsivo. Filme sobre nerds, como Toby Radloff (ele próprio e também Judah Friedlander), sobre a vida de todos os dias, sobre as atribulações mundanas, desde a desarrumação da casa, à solidão, passando pela vasectomia, até aos (dois) casamentos falhados e a vitória contra o câncro. Como um “Zé Ninguém”, ou um “John Doe”, pode ser alguém bastante interessante quando decide escrever argumentos de BD e transportar toda a sua vida para essa atmosfera pública. American Splendor (2003), realizado por Shari Springer Berman e Robert Pulcini, é mesmo um excelente filme autobiográfico e independente.
Adenda: houve 39 álbuns desta banda desenhada, desde 1976 até Setembro de 2008, tal como aqui pode ser confirmado.
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