Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

14.10.09

Momentum: "Carpe diem" (131)


Crítica/recensão literária: A “colaboração activa das circunstâncias [e] um consenso fortuito entre os contemporâneos e posteridade (...) de renunciar à perfeição formal que o apetite artístico contemporâneo se habituou a reconhecer e aspirar a uma inclusividade alarve, com todo o seu lastro de protótipos, patentes, rejeições e fiascos, (...) [e] a vitalidade imaginativa e a fluência acidental, (...) antes de a disciplina formal transbordar e se tornar simples logorreia (...) [tão] densa e coerente, tão repleta de cruzamentos de personagens e interpretações simbólicas e temáticas (...) [de] caótica meditação (...) [e de] afirmação de centralidade (...) da capacidade digressiva de um dos seus modelos implícitos (...) [e] mais do que um avatar (...), que vão confluindo numa rota inexorável para o mesmo ponto (...), com a sua promessa apenas parcialmente de resolução, a textura volta a modificar-se; a narrativa, apesar da profusão de tangentes e digressões, ganha um fio condutor, e a prosa torna-se mais expansiva. (...) Parece ter sido escolhida como confluência apocalíptica por não aderir estritamente às explicações sociológicas da violência (...) [e) desapareça como foco de introspecção: torna-se uma cifra, a eminência reclusa estudada e perseguida pelos críticos da primeira parte, absorvida pela memória colectiva (...) [e] transforma-se numa reputação autónoma, um verdete depositado pela História na sua individualidade, uma reputação que em nada representa a sua tumultosa biografia (...) [e] incorpora a ideia do desejo crítico obsessivo, mas fá-lo através de experiências demasiado viscerais e dolorosas para pertencerem ao domínio abstracto da Teoria. Neste sentido, dá forma a um profundo cepticismo ético (...) sobre a prática a que se dedicou: uma suspeição, (...) apesar da sua centralidade na experiência humana, seja apenas um santuário amnésico onde se faz pouco mais do que ignorar o Apocalipse. (...) [Porque] a sabotagem é suportada por uma estranha técnica narrativa e descritiva, que não pretende transportar ou propulsionar, mas atordoar; não apresenta um trilho, ou sequer uma sucessão de padrões, mas sim um caleidoscópio amnésico, uma panóplia de referências pictóricas (...) cuja capacidade para a evocação visual deve menos à memória e à precisão do que às vacilações do temperamento.” Não é? Vou ali e já venho.

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