Momentum: "Carpe diem" (145)
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Três dias e 332 páginas depois. Curiosa ajuda a do taxista árabe Omar Amirana à equipa da CIA e o receio que Langdon e Katherine Solomon transportassem uma bomba na mochila que levaram para o interior do táxi. Extraordinário esse colosso personagem, Andros, o génio do mal da história, que personifica o anjo Moloch da obra de John Milton, Paraíso Perdido/Paradise Lost (1667), agora Mal
’akh, com todo o corpo coberto de tatuagens – o peito com uma fénix bicéfala – à excepção da fontanela, castrado e em jejum há vários dias. Rico, fruto do assassinato na prisão turca e posterior roubo da fortuna herdada pelo filho de Peter Solomon. Luta-se por uma pirâmide de trinta centímetros e uma pedra de fecho de cinco. Ambas agregadas representam um mapa, um portal, uma porta, apontam para o local onde estão escondidos os Mistérios Antigos, o segredo mais bem guardado da humanidade: a “sabedoria das eras”. Já sobre as personagens femininas, Inoue Sato não podia de facto ser a heroína e parceira de Langdon nesta aventura, mas enganam-se aqueles que não apostavam na bela Katherine Solomon por causa dos seus cinquenta anos. Também há um pouco de Saramago nesta história: “Porque os cristãos, na sua maioria, querem ter tudo. Querem poder declarar orgulhosamente que acreditam na Bíblia e ao mesmo tempo ignorar simplesmente aquelas partes que acham demasiado difíceis ou demasiado inconvenientes para se acreditar nelas (p. 230).”
E há a uma soberba descrição da obra de Albrecht Dürer (1471-1528), Melancolia I (1514) que “consistia numa figura pensativa, com asas imensas, sentada à frente de um edifício de pedra, rodeada pela mais diversa e bizarra colecção de objectos imaginável – instrumentos de medida, um cão esquelético, ferramentas de carpintaria, uma ampulheta, vários sólidos geométricos, um sino pendurado, um putto, uma espada, uma escada. (...) Uma representação do ‘génio humano’ – um grande pensador de queixo na mão, parecendo deprimido, ainda incapaz de alcançar a iluminação. O génio está rodeado por todos os símbolos do seu intelecto humano – objectos de ciência, matemática, filosofia, natureza, geometria, até de carpintaria – e, no entanto, não é ainda capaz de subir a escada para a verdadeira iluminação. (...) Simbolicamente, (...) representa a tentativa falhada da humanidade de transformar o intelecto humano em poder divino. Em termos alquímicos, representa a nossa incapacidade de transformar chumbo em ouro (p. 298).”Etiquetas: carpe diem
