Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

20.1.10

Bibliofilia: "A Conspiração Contra a América"

Philip Roth, A Conspiração Contra a América, Biblioteca Sábado, 2009 (pp. 378). Se o famoso piloto aviador Charles Lindbergh (1902-1974) se tivesse tornado o 33.º Presidente dos Estados Unidos derrotando o recandidato (1932 e 1936) democrata Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) para um terceiro mandato, em 1940, a infância de Philip Roth (n. 1933) seria marcada pelas perseguições (Pogroms) à sua família e aos quatro milhões e meio de judeus norte-americanos na tentativa de abalar e enfraquecer a estrutura social da comunidade judaica. Misturando ficção com factos e personalidades reais, esta obra, originalmente de 2004, relata os acontecimentos políticos ocorridos no período de 1940 a 1942 que afectaram na Summit Avenue, Newark, New Jersey, a família Roth – e a infância do próprio Philip com sete anos e o irmão, três anos mais velho, Sandy – marcada pela presidência republicana do simpatizante nazi Charles Lindbergh e pautada pelo anti-semitismo da sua Administração desde o vice-presidente Burton Wheeler (1882–1975) ao secretário do Interior Henry Ford (1863–1947) e culminando no misterioso desaparecimento de Lindbergh, (na história) na quarta-feira, 7 de Outubro de 1942, cuja ausência viria a revelar a chantagem de que era alvo por parte da nomenklatura – entre eles de Heinrich Himmler (1900-1945) e Joachim von Ribbentrop (1893-1946) – do III Reich que estaria por detrás do desaparecimento do filho bebé do casal Lindbergh. Rico em personagens históricas, em detalhes da cultura judaica e da sociedade norte-americana e recheado de humor inteligente: “O meu pai acabara de sair para o mercado na camioneta do tio Monty, a minha mãe tinha saído poucos minutos antes para ir à Chancellor Avenue comprar qualquer coisa para o jantar e o meu decidido irmão também tinha saído à procura de um local de encontro para procurar conseguir que uma das suas raparigas de depois das aulas lhe concedesse acesso ao peito.” (p. 257) Ou ainda repleto de factos simples e sobejamente conhecidos, mas já esquecidos, do quotidiano, como uma simples jogada de abertura duma contenda de xadrez: “Avanço com o peão que está logo defronte do rei, lembras-te? Depois movo o bispo, depois o cavalo e depois o outro cavalo... E lembras-te como é quando não há peças entre o rei e uma das torres? Quando movo o rei por cima de dois espaços para o proteger? (p. 262) Percebe-se assim porque tanta gente justamente reclama o Nobel da Literatura ao eterno candidato Philip Roth, não se percebe porque ainda não lhe foi concedido.

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