Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

5.2.10

4.º Aniversário


Um blogue é por natureza uma partilha pública de algo pessoal. Uns têm existência efémera, outros persistem ao longo do tempo. Os que vão envelhecendo com o tempo, que inexoravelmente e em simultâneo também corrói o seu autor, acabam por sofrer alterações que actualizam o seu conteúdo ou apenas o formato, ou ambos, de estilo, de estética – semelhante a um palimpsesto –, consoante a experiência e a dedicação do mesmo autor. Porque no fundo, (...) “é impossível definir os blogues através do seu conteúdo. Embora muitos tenham um enfoque preciso (geralmente ligado às competências ou às paixões do autor), contam-se pelos dedos da mão os casos em que a linha editorial é seguida de modo rigoroso. A simples observação da prática demonstra que podem ser catalogados deste modo os posts individuais, ou seja, as anotações pessoais, mas não todo o blogue, porque nunca existe uma coerência geral. (...) Além disso, os posts são muitas vezes diferentes também no tom e no estilo. Não existe uma regra geral, senão a de pôr online aquilo que se tem a dizer.” (Giuseppe Granieri, Geração Blogue, Editorial Presença, 1.ª ed. Agosto 2006, pp. 135)

Assim, neste universo há blogues tematizados em política, em desporto, de meninas que falam sobre as festas e o rímel, colectivos e particulares e ainda os que são usados para destilar veneno e dizer virtualmente o que se evita dizer frontalmente. Há os blogues, mais ou menos, intimistas e ainda há os blogues onde cinquenta por cento das frases vociferam um valente palavrão. O que origina ser (...) “muito mais fácil conhecer a fundo um bloguista que se lê todos os dias do que um colega de trabalho. As relações que se instauram são sólidas, visto que a profundidade da relação que se alcança através daquilo que se escreve e lê é nitidamente superior à que se pode obter em muitos casos (não todos, é claro) de relações pessoais fora da Rede.” (op. cit.) Porque “as audiências também são mais segmentadas e estilhaçadas. Daqui resulta uma cultura de inúmeros pequenos cultos, que não se intersecta entre si, dispersa por infindáveis pequenos nichos. (...) [Onde] o contexto é o de um mundo que se confronta com a circulação infinita de informação, onde há partilha e recriação generalizada de conhecimento.” (Ípsilon, 08 01 2010)

Todos estes, não só têm muitas visitas (Google) como têm também muitos visitantes (seguidores). E ainda bem que assim é. O Quem Ousa, Vence! faz hoje quatro anos e 989 posts. A este só se pode aplicar a introdução do post ou como Andy Warhol disse: “no futuro todos serão famosos por 15 minutos”, e que Momus recentemente actualizou: “no futuro todos serão famosos para 15 pessoas.” Para mim, o meu blogue é o meu rosebud (substantivo masculino, de língua inglesa, que significa "botão de rosa" e é uma metáfora no filme Citizen Kane): "esse pequeno nada que nos trai, revelando-nos aos outros" (Pierre Assouline).

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