Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

4.2.10

In Limine: Assim tudo começa (7)


“Em Moscovo tudo é silêncio. É raro, muito raro, o chiar das rodas pela calçada invernosa. Já não há luzes nas janelas, os lampiões também se apagaram. Das igrejas chega o badalar dos sinos, baloiça sobre a cidade dormente e lembra que a manhã está prestes a despontar. As ruas estão desertas. De vez em quando, um cocheiro nocturno esmaga com os estreitos patins do seu trenó a neve misturada com areia, pára noutra esquina e adormece, à espera de algum passageiro. Uma velha passa, dirigindo-se à igreja onde, reflectidas nos caixilhos dourados, as velas de cera dispostas de modo assimétrico já erguem as suas chamas vermelhas. Os operários já se levantam depois da longa noite invernal, vão trabalhar.”

Lev Tolstói, Cossacos – Novela do Cáucaso, Relógio D’Água, Janeiro 2010

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