Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

23.3.10

Momentum: "Carpe diem" (243)


PECado é salientar estudos que comprovam que em Portugal tem sido feito muito pouco na redução das desigualdades sociais, sobretudo nos rendimentos do trabalho: em 2005, o rendimento auferido pelos vinte por cento mais ricos era 6,1% maior que o auferido pelos vinte por cento mais pobres. Portugal é o terceiro país europeu onde a distribuição de rendimentos é mais desigual, próximo da Letónia, Bulgária e da Roménia. Consequência das políticas sociais, tem-se notado um aumento dos recursos das famílias mais pobres, mas essas políticas de apoio social têm uma capacidade limitada na redução das desigualdades sociais. Têm pouca sustentabilidade no tempo. Eu, por mim, posso confidenciar que, ao final de vinte anos de trabalho, alcancei o break-even. No entanto, se investisse o salário mensal na aquisição de acções e posterior alienação com uma mais-valia ao final de um ano estaria isento de imposto. Se fosse antes de um ano pagaria dez por cento de imposto sobre a mais-valia. Como limito-me a receber o salário mensal proveniente do meu trabalho, pago dezasseis por cento de IRS. Com contribuições sociais sobe para vinte e quatro por cento. Não basta argumentar com a criação de mais riqueza e crescimento económico, pois isso não é garantia de que a distribuição de rendimentos é feita de uma forma equilibrada quando se tributa mais os rendimentos do trabalho do que do património. Deter uma participação financeira (e não estratégica) no capital social duma grande empresa e depois vendê-la ao final de um ano encaixando uma mais-valia isenta de imposto quantos postos de trabalho gera? Porque “carga de água” haveria de me lembrar disto hoje dia 23?

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