Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

23.4.10

Bibliofilia: "O Terceiro Reich"

Roberto Bolaño, O Terceiro Reich, Quetzal, 2010 (pp. 346). Udo Berger, campeão alemão de jogos de guerra e estratégia, escritor frustrado, ao gozar férias no Hotel Del Mar, na Costa Brava, em Espanha, na companhia da namorada, Ingeborg, durante os últimos dez dias de Agosto e quase todo o mês de Setembro, na tentativa de se preparar para um importante torneio, vai conhecer outro casal alemão Karl, mais conhecido por Charly, e Hanna e três enigmáticos nativos: o Queimado, o Cordeiro e o Lobo. Após a súbita morte de Charly, desaparecido no mar ao praticar windsurf, e o regresso de Hanna e, mais tarde, Ingeborg à Alemanha, ensina e começa a jogar o III Reich com o leigo Queimado, um indigente que tem por actividade o aluguer de “gaivotas” na praia, gerando uma relação de sinistra competitividade quando julga que o sombrio e enigmático Queimado é ajudado pelo enfermo marido da bela e estranha Frau Else, proprietária do Hotel Del Mar que lhe povoava os sonhos de adolescente e com quem Udo Berger tenta ter um caso. À medida que o jogo avança e a estadia de Udo Berger em Espanha se perpetua, a decadência assola o Del Mar, a relação (agora distante) com Ingeborg deteriora-se e a amizade com o seu mentor na Alemanha, Conrad, também ele especialista em wargames, mais a sua habilidade no jogo, extingue-se, na proporção que aumenta o seu delírio ao sentir-se perseguido pelo detective Florian Linden que só existe nos romances policiais que Ingeborg lia. A crítica teceu rasgados elogios pela “progressão com a tensão em crescendo”, com as “situações propositadamente não aclaradas” através “das personagens que falam por meias palavras”. Eu diria numa palavra: bizarro. Quase tanto como Boris Vian ou Thomas Pynchon. Quase tanto. Hoje é Dia Mundial do Livro. Eu acabei este.

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