Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

3.4.10

Bibliofilia: "Utopia"

(Releitura) Thomas Mora, Utopia, Rés-Editora, 2010 (pp. 141). O navegador português Rafael Hitlodeu conta ao conselheiro de Henrique VIII, Thomas More, como se organizava a sociedade da ilha em forma de crescente chamada de Utopia, a política, a economia, a religião, a guerra e as suas relações com o exterior. Como não davam tanto valor ao ouro e aos materiais preciosos que qualquer outra sociedade dá – bem pelo contrário, escarneciam daqueles que o ostentavam –, poderiam servir-se dele como incentivo para procurarem “os piores homens para serem maltratados” (p. 113) e fazerem a guerra por eles e lutarem pela sua defesa sem colocar em causa os seus. Têm sede de conhecimento, trabalham apenas o necessário e respeitam os idosos. Castigam os criminosos com a escravidão e nunca com a morte, porque entendem que mesmo o criminoso pode trabalhar, dessa forma, para o bem-estar da comunidade. E escolhem os seus juízes no estrangeiro para preservar a imparcialidade, pois que não sendo nativos, “não são influenciados por rivalidades e conflitos”. (p. 105) Thomas More ficou com dúvidas da existência duma sociedade tão perfeita com uma vida comunitária sem a majestade do dinheiro, mas lembrou-se que Rafael Hitlodeu “havia falado mal de determinados homens, que temia não serem considerados sensatos, a menos que encontrassem algo a criticar nas opiniões dos outros homens” (p. 137) e nada disse. Uma sociedade destas nem de um rei necessitaria. Uma sociedade utópica, como algo que não existe, fantasioso, imaginário. Uma quimera. Uma esperança irrealizável.

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