Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

19.4.10

Momentum: "Carpe diem" (261)


Portugal vai participar na ajuda à Grécia, que terá uma dívida pública de 120% do PIB no final deste ano e que registou um défice de 12,9% em 2009, com um empréstimo bilateral de 770 milhões de euros a uma taxa de 5% – parte da fatia de 30 mil milhões de euros com que outros países europeus irão ajudar o Estado helénico. O ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, já começou a amortizar o empréstimo ao referir que tanto Portugal como Espanha sofrem do mesmo problema – embora o nosso défice em 2009 se tivesse fixado em 9,8% e não em 12,9% e o diferencial das taxas de juro das obrigações do tesouro nacionais a dez anos para as da Alemanha (benchmark) esteja em 1,36%, quando comparado com o diferencial de 4,35% da dívida pública grega, em resultado da especulação ou expectativa que não conseguirá honrar os seus compromissos –, e teimosamente procurando resistir recorrendo ao mercado para se financiar a uma taxa de 7%, em vez dos 5% dos empréstimos bilaterais dos Estados-membros europeus. A ajuda portuguesa à Grécia vai implicar um agravamento no défice de meio ponto percentual (ou cinquenta pontos base) quando, como a Alemanha faz questão de salientar, é expressamente proibido pelo Tratado da UE que os outros membros assumam a dívida de um Estado-membro. E para evitar situações análogas no futuro, já existe uma proposta da Comissão Europeia para analisar os orçamentos dos Estados-membros antes destes serem submetidos à apreciação dos respectivos parlamentos nacionais. Nem toda a lava e cinza na Europa provém de um vulcão em erupção. Ou então há mais que uma erupção.

Etiquetas: