Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

15.5.10

Momentum: "Carpe diem" (281)


Ambas as personagens são, do meu e de muitos outros pontos-de-vista, fascinantes. Com as suas idiossincrasias, com os seus objectos pessoais: como o cachimbo de um e o pince-nez do outro; com as suas particularidades: o ar alienado de um e a delicadeza e a sensibilidade de outro; a impetuosidade e a arrogância de um e a gentileza e afabilidade do outro; o aspecto seguro e confiante de um e a imagem frágil e discreta do outro. A desarrumação pessoal de Sherlock Holmes contrasta com o extremo cuidado de Hercule Poirot. Também nesse aspecto, na organização pessoal, ambos têm a quem recorrer: Holmes a Miss Hudson e Poirot a Miss Lemon. O parceiro de Holmes é mais interventivo que o distraído capitão Hastings. Os casos de Holmes acabam por ser mais excêntricos, imprevisíveis, fantásticos que os mistérios de Poirot que obedecem ao padrão de múltiplos suspeitos e o assassino assume o disfarce de uma das personagens. Ambos inescrutáveis, é curioso o uso de bilhetes, recados, cartas imaculadas, sem manhas, sem estarem amarrotadas, sem nódoas, com um caligrafia absolutamente impecável, sem rasgões, a menos que sejam propositadamente cometidos para a trama. O momento de satisfação da descoberta da solução que desvenda o mistério e resolve o crime tem muito mais peso, e é encenado, nos casos de Poirot. Ambos obsessivos, Holmes com casos difíceis para resolver e Poirot com a higiene. Meticulosos. Para Holmes o mistério vai-se dissolvendo ao longo do evoluir da história, e, por isso mesmo, é menos monótono, menos previsível. Arthur Conan Doyle e Agatha Christie. E o inspector Maigret? Também não.

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