Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

31.10.10

Bibliofilia: "As Vidas dos Outros" (2010)

Pedro Mexia, As Vidas dos Outros, Tinta-da-China, Outubro 2010 (pp. 206). Esta é para mim a “dinamite cerebral” com o maior pavio. Em cinquenta e oito crónicas, publicadas de Agosto de 2007 a Setembro de 2010 no jornal Público, sob o nome de “Mais por menos”, Pedro Mexia fala sobre a vida dos outros. E quem são esses “outros”? São artistas ready-made (Marcel Duchamp, 1887 – 1968) pintores surrealistas (René Magritte, 1898 – 1967), do abstracto (Mark Rothko, 1903 – 1970), renascentistas (Ticiano 1490 – 1576; Antoon Van Dyck, 1599 – 1641). Reis (D. Duarte, 1391 – 1438; D. Afonso VI, 1643 – 1683; Luís XV, 1710 – 1774; D. Pedro V, 1837 – 1861). Compositores (Händel, 1685 – 1759; Haydn, 1732 – 1809; Mendelssohn, 1809 – 1847). E as “vidas” de Emilio Salgari (1862 – 1911) que, sem nunca ter viajado além do Adriático, descreveu o mundo de aventuras que povoou (e continua a povoar) o sonho de tantos com o príncipe malaio Sandokan, ou da genialidade do general do Afrika Korps Erwin Rommel (1891 – 1944), soldado “brilhante e impoluto, que se opôs à aristocracia militar prussiana e conquistou mais o respeito de Churchill e Montgomery do que o de Hitler, quando teve de pôr fim à vida sob suspeita do atentando perpetrado na Operação Valquíria. Ou ainda a vida de outro general de origem alemã. O bravo, insensato, audaz, impulsivo Custer (1839 – 1876), cujo o exemplo demonstra “que um herói não é apenas aquele que vence, é alguém com convicção e coragem, que arrisca tudo e que os outros consideram um louco.” Segue com Sigmund Freud (1856 – 1939), Henri-Cartier Bresson (1908 – 2004), malogradas princesas (Grace Kelly, 1929 – 1982; Diana Spencer 1961 – 1997) e escritores (Nikolai Gógol, 1809 – 1847; Albert Camus 1913 – 1960; John Updike, 1932 – 2009), mas também Raul Solnado, 1929 – 2009) e João Bénard da Costa (1935 – 2009) entre muitos “outros”. Ensaio erudito, melhor que uma enciclopédia, porque mais interpretativo. Livro de permanente consulta. Sobretudo para quem já coleccionava as crónicas. No prefácio de Rui Ramos diz-se que “a erudição é um desperdício de tempo”. Por isso é tão hedonista, neste mundo onde se tem a obrigação moral de estudar para ter sucesso e ganhar bem.

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