Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

7.11.10

Cinefilia: "O Véu Pintado" / "The Painted Veil" (2006)

Demora-se menos tempo, parece que cerca de trinta e seis horas, a morrer de disenteria provocada pela cólera do que de amor. E assim se compreende que todo o filme seja atravessado por um desgosto, que culmina num desfecho rápido pela morte motivada por essa praga. A cólera representada ao longo de quase todo o filme pelo ressentimento da traição, pelo erro do adultério cometido e o consequente sentimento de culpa. Kitty (Naomi Watts), fútil e vivaça socialite, casa com Walter Fane (Edward Norton), médico, bacteriologista em Xangai, pelas razões erradas: fugir a uma mãe dominadora, e envolve-se com um diplomata casado, Charles Townsend (Liev Schreiber), para infeliz descoberta do marido que decide aceitar a missão de combater uma epidemia de cólera numa localidade remota da China, obrigando-a a acompanhá-lo depois dela perceber quais as verdadeiras intenções, que a desiludem, de Townsend. Há uma cena em que Kitty a propósito de um comentário sobre o que é ser um homem bom, questiona como se isso fosse uma virtude para a mulher se apaixonar, o que dá razão àqueles que cinicamente defendem que as mulheres amam os rebeldes antes de casarem com os certinhos. O Véu Pintado / The Painted Veil (2006), de John Curran, é a terceira, e mais recente, adaptação ao cinema da obra homónima de W. Somerset Maugham, autor de Servidão Humana (1915) e de O Fio da Navalha (1944).

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