Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

12.11.10

Bibliofilia: "Pastoral Americana" (1997)

Philip Roth, Pastoral Americana, Publicações D. Quixote, 2.ª ed., Junho 2010, (pp. 410). Seymour I. Levov, o “Sueco”, judeu, lendário capitão de futebol americano do liceu de Weequahic e da Universidade de Upsala, ex-fuzileiro, casado com uma beldade loura católica irlandesa (portanto, nenhum é WASP – White Anglo-Saxon Protestant), Miss New Jersey de 1949, filha de um canalizador, Mary Dawn Dwyer, e proprietário do negócio familiar, a fábrica de luvas Newark Maid Leatherware, vivia uma vida perfeita, na sua quinta do séc. XVIII de cinquenta hectares em Old Rimrock, ideal na cultura norte-americana até que nos anos sessenta a sua filha única adolescente, Merry (Meredith) Levov, chocada pelas imagens televisivas da imolação dos budas, vence o complexo da gaguez ao trabalhar a dinamite para detonar as bombas que utiliza na luta de protesto contra a guerra do Vietname. O mundo decoroso, cheio de pruridos, perfeito, decente e próspero do tolerante, complacente, moderado e sereno Sueco desmorona com a violência que lhe rebenta o “lar doce lar”. Prosperidade vs. violência. O amor à pátria, do pai que em jovem se emociona cada vez que cita os quarenta e oito estados norte-americanos, versus a revolta, da filha na exploração capitalista dos negros e no domínio imperialista do Vietname. Primeiro volume duma trilogia, contada pelo mesmo narrador, Nathan Zuckerman, esta carta do prelado aos diocesanos (pastoral) é sobre a identidade norte-americana – estão lá todos os estereótipos.

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