Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

12.12.10

Ipsis dixit: A subtileza do pensamento (42)


“Há muito tempo resumi O Estrangeiro com uma frase que eu mesmo reconheço ser um pouco paradoxal: ‘Na nossa sociedade, todos os homens que não choram no enterro da mãe correm o risco de ser condenados à morte’. Com isso, o que queria dar a entender é que o herói do livro é condenado porque não segue as regras do jogo. É um estrangeiro na própria sociedade onde vive, vagueia de forma marginal pela periferia da vida privada, solitária e sensual. (…) Não obstante, (…) se nos perguntarmos em que é que Meursault não segue as regras do jogo. A resposta é bem simples: nega-se a mentir. Mentir não é só dizer aquilo que não é. É também, e sobretudo, dizer mais do que aquilo que é e, no que diz respeito ao coração humano, dizer mais do que se sente. É isso que fazemos todos, todos os dias, para simplificar a nossa vida. Meursault, contra as aparências, não quer simplificar a sua vida. Diz o que pensa, resiste a esconder os seus sentimentos e, ao fazê-lo, a sociedade sente-se ameaçada.”

Albert Camus (1913 – 1960).
Prémio Nobel da Literatura de 1957.
Prólogo de O Estrangeiro (1942)

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