Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

9.1.11

Bibliofilia: "As Velas Ardem Até ao Fim" (1942)

Sándor Márai, As Velas Ardem Até ao Fim, Publicações D. Quixote, 22.ª ed., Julho 2010 (pp. 153). Quarenta e um anos e quarenta e três dias depois, um velho general de setenta e três anos, Henrik, recebe o seu amigo de sempre, da mesma idade, no seu velho castelo, agora degradado, para jantar e discorre sobre o passado e o motivo que levou Konrád a abandonar tudo. Em 1900, Konrád foi embora para a Ásia depois de não ter tido coragem de matar o amigo, que era para ele como um irmão, durante uma caçada, culminando o adultério cometido com Krisztina, mulher deste. Oito anos depois de Konrád ter ido embora, morre Krisztina sem que, durante esse período, vivendo no mesmo local, Henrik, se tenha alguma vez cruzado com ela, sofrendo com a traição daqueles que tinha mais amado. Durante o jantar, e durante um grande monólogo onde velas enormes ardem nos candelabros até ao fim, Henrik revela não precisar de confirmar a tentativa de homicídio ou o adultério, mas apenas pretender saber se aquele acto do passado tinha sido premeditado. Vai encontrar o conforto da verdade em algo que também considera um crime: “Sobreviver a alguém, a quem amámos tanto que teríamos sido capazes de matar por ela, sobreviver a alguém, a quem estávamos ligados de tal maneira que quase morremos por isso, é um dos crimes mais misteriosos e inqualificáveis da vida.” (p. 151)

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