Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

20.2.11

Bibliofilia: "Por Favor, Não Matem a Cotovia" (1960)

Harper Lee, Por Favor, Não Matem a Cotovia (1960), Difel, 3.ª ed. Junho 2010 (pp. 398). Narrado na primeira pessoa por uma rapariga de quase nove anos, destemida, irreverente, rebelde e “maria-rapaz” que gosta de lutar, Jean Louise Finch (“Scout”), durante a Grande Depressão, numa localidade sulista do Alabama, Maycomb, filha de um advogado viúvo de cinquenta e cinco anos, Atticus Fínch, pessoa ponderada e de fortes convicções, e irmã de Jeremy Atticus Finch (“Jem”) quatro anos mais velho, relata as histórias de infância, desde a escola primária e os atritos com a professora Caroline Fischer a quem estraga a preparação das lições pelo facto de já saber ler quando lá chega, até às aventuras de Verão vividas com o irmão e o grande amigo e “noivo” Charles Baker Harris (“Dill”), trespassadas pelo humor e irreverência da mentalidade das crianças, enquanto um assunto mais sério domina o seu pai, quando aceita defender o negro Tom Robinson injustamente acusado de violação duma jovem branca, numa conservadora região rural profundamente marcada pelo racismo. Pejado de deliciosos diálogos em calão sulista e situações divertidas e emotivas como a do cão raivoso, a da enferma Mrs. Henry Lafayette Dubose – cuja coragem leva-a a optar por preferir ter um fim doloroso ao abdicar de tomar morfina –, ou a tensão quando as crianças enfrentam o bando que pretendia o linchamento do réu na prisão. Reeditado em 2010, para comemorar o 50.º aniversário, é de facto uma obra-prima da literatura. Talvez o melhor romance da segunda metade do séc. XX, juntamente com a história de Macondo e do coronel José Arcadio Buendía. Um clássico que faz jus a todos os elogios.

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