Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

11.3.11

Bibliofilia: "Jerusalém" (2004)

Gonçalo M. Tavares, Jerusalém, Caminho, 9.ª ed., Dezembro 2010 (pp. 251). Rico em personagens, como parece ser um sinal contemporâneo, com capítulos curtos, que entusiasmam a leitura, numa escrita torrencial cujo o enredo circular do desenlace é parcialmente desvendado no início. O médico Theodor Busbeck, que internou a mulher Mylia no Hospício Georg Rosenberg, onde esta viria a conceber um filho (Kaas Busbeck) com o companheiro louco Ernst Spengler, procura “estabelecer uma relação entre o horror e o tempo” (p. 50) e estudar o motivo e a intensidade de todas as formas de violência gratuita e de terror que originaram coisas tão terríveis como, por exemplo, o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, e, por fim, encontrar “uma fórmula que permita prever, que permita agir e não apenas contemplar ou lamentar. (…) Que resuma as causas da maldade que existe sem o medo, essa maldade terrível; quase não humana porque não justificada.” (p. 51) O que leva a Humanidade à crueldade, quando nem sequer se sente ameaçada, é desvendado na p. 214.

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