Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

2.3.11

Bibliofilia: "Última Paragem, Massamá" (2011)

Pedro Vieira, Última Paragem, Massamá, Quetzal, Fevereiro 2011 (pp. 207). Romance de estreia do blogger irmaolucia, personagens degeneradas, marginais, mais no sentido de à margem da sociedade do que propriamente de delinquência, imigrantes, africanos e brasileiros, em suposta terra de oportunidades. Prosa num ritmo rápido (à Saramago), parágrafos longos (à Saramago), capítulos curtos (à Dan Brown), o narrador em diálogo com o leitor (outra vez Saramago) – quando diz: “e um indivíduo escreve precisamente para isto, para ser citado, mesmo que no próprio texto, para ser apelidado de senhor, com letra pequena, as maiúsculas estão reservadas para outros poderes.” (p. 17) –, o discurso crítico e pessimista (Saramago, mais uma vez). Temas fracturantes: a homossexualidade (à Bloco de Esquerda), a SIDA e o emprego precário (à José Sócrates). Parágrafos separados por alusões à derrota das legiões romanas na batalha da floresta de Teutoburgo, onde Públio Quintílio Varo se suicida para concluir o fracasso, e aos costumes e decadência do Império Romano. Todo o enredo atravessado por um suicídio. Suicídio desesperado do elemento feminino do triângulo amoroso. Suicídio como culminar duma vida de decadência e do clímax de expectativas defraudadas. Há muito tempo que não tinha frescura mental para comprar e ler um livro no mesmo dia. (Mais aqui)

Etiquetas: