Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

13.3.11

Cinefilia: "Há Dias de Azar" (2006)

Há filmes (e livros) com excelentes ideias mas que conceptualmente são grandes falhanços e depois há quem consiga alcançar o pleno. Com um início fulgurante de violentos assassinatos, constantes flash-backs, revelações surpreendentes e inesperadas num enredo circular a um ritmo bastante elevado, este é daqueles filmes que qualquer pessoa começa a ver cansadíssimo à uma da manhã e já não consegue parar. O personagem principal Slevin Kelevra (Josh Hartnett) sofre uma espantosa mutação a meio do filme que não é assim tão previsível como os mais atentos e experientes cinéfilos possam pensar, muito bem disfarçada pela alusão à ataraxia (serenidade de ânimo, ausência de preocupação) do protagonista. As pistas estão bem escondidas pela torrencial intriga (ao estilo de um filme, curiosamente do mesmo ano, Departed - Entre Inimigos, Martin Scorsese, 2006) e o denso confronto entre os dois principais chefes do crime organizado de Nova Iorque: o “Chefe” (Morgan Freeman) e o “Rabi” (Sir Ben Kingsley). Bruce Willis consegue emprestar toda a áurea misteriosa ao assassino profissional internacional GoodKat/Mr. Smith, mesmo depois da sua associação mais histriónica ao detective John McClane, à semelhança do interessante papel que já tinha desempenhado como o pedopsiquiatra Dr. Malcolm Crowe, em The Sixth Sense / O Sexto Sentido (M. Night Shyamalan, 1999), outro filme com twist ending. Em Lucky Number Slevin / Há Dias de Azar (2006), de Paul McGuigan, é possível partilhar uma compaixão por todas as personagens corrompidas.

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