Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

28.4.11

Bibliofilia: "Ponto Ómega" (2010)

Don DeLillo, Ponto Ómega, Sextante Editora, 1.ª ed., Março 2011 (pp. 120). O pretexto da vídeo-instalação 24 Hour Psyco de Douglas Gordon, que esteve patente no MoMA no Verão de 2006, serve de introdução e conclusão a um excelente livro, conciso, com uma escrita depurada, preservando apenas a sua essência, tal como o estratega septuagenário e conselheiro militar jubilado Richard Elster pretendia da guerra no Iraque. Não é displicente a alusão ao haiku (p. 33), aos três versos e dezassete sílabas. Algures no deserto, em Anza-Borrego, Califórnia, o jovem cineasta Jim Finley pretende gravar um filme num grande plano-sequência, “um único take contínuo” (p. 26), sem qualquer fragmentação do real, inspirado na projecção do filme de Hitchcock ao ritmo de dois fotogramas por segundo que arrasta o filme para a duração de um dia. Durante doze ou mais dias, conversam demoradamente sobre a relação espaço-tempo até ao aparecimento e desaparecimento da terceira e última personagem Jessie Elster, a filha. Não sei porque Anthony Perkins é Norman Bates, mas Janet Leigh não é Marion Crane. Porque “à vítima exige-se que partilhe o nome da actriz que a interpreta.” (p. 10) Então e o detective Arbogats que cai pelas escadas? Os livros vão (quase) sempre parar ao cinema. É bom saber, que de vez em quando, os filmes também podem vir para os livros para que a “transcendência, [o] paroxismo, o fim da consciência humana”. (p. 102) Não passe de um “eco morto”. “O ponto ómega”.

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