Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

17.6.11

Bibliofilia: "Falling Man" (2007)

Don DeLillo, Falling Man, Picador, 2008 (pp. 246). A influência que os acontecimentos do 11 de Setembro tiveram nas vidas nova-iorquinas dos que viveram, directa ou indirectamente, a experiência. De Keith Neudecker (39 anos) e de Lianne (38 anos), na tentativa de reatar um casamento que se aproximava do final e do qual existia um filho, Justin, que brincava com os amigos olhando para o céu à espera do regresso do “Bill Lawton” dos noticiários (Bin Laden). Keith participa em diversos torneios de póquer hold’em mantendo uma curta relação, (...) "maybe four or five encounters over a period of fifteen days" (p. 228), com uma das sobreviventes da tragédia (dizem que as situações limite aproximam as pessoas), Florence Givens, de quem trouxe por engano uma pasta durante a fuga, enquanto Lianne realiza sessões de escrita num centro comunitário para doentes iniciais de Alzheimer. O pai de Lianne, Jack Glenn, suicidou-se para fugir à longa demência da senilidade (p. 40), e a mãe, professora jubilada da Universidade da Califórnia e de NY, vive com um coleccionador e comerciante de arte europeu, Martin Ridnour, que também já foi – ou pode ter sido – Ernst Hechinger, um terrorista alemão. Carol Shoup, amiga de Lianne, executiva duma grande editora de livros pondera entregar a tradução de um livro que antecipou o “nine eleven” à sua amiga Lianne, enquanto ao longo do enlace actua pela cidade o artista performativo conhecido como Falling Man em analogia à famosa fotografia de Richard Drew. Romance sobre identidade, com tudo o que caracteriza a obra de DeLillo: Nova Iorque (como Cosmópolis), arte (como em Ponto Ómega), literatura e as relações humanas. “She [Lianne] wanted to be safe in the world and he [Keith] did not.” (p. 216)

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