Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

11.6.11

Cinefilia: "Inside Job - A Verdade da Crise" (2010)

Uma companhia de seguros, AIG, dois conglomerados financeiros, Citigroup e JP Morgan Chase, cinco bancos de investimento norte-americanos, Goldman Sachs, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Bear Stearns e o malogrado Lehman Brothers, juntamente com a complacência de secretários do Tesouro dos períodos de Bill Clinton (1993 – 2001) e George W. Bush (2001 – 2009), como Robert Rubin (1995 – 1999), Larry Summers (1999 – 2001), Henry (“Hank”) Paulson (2006 – 2009) e Timothy Geithner (desde 2009, mas presidente da Reserva Federal de Nova Iorque até essa altura) e dos presidentes da Reserva Federal (“Fed”) Alan Greenspan (1987 – 2006) e o actual Ben Bernanke (2006), opuseram-se à regulação do mercado financeiro de produtos derivados (CDO’s e CDS’s) que promoveram com alavancagem e ajudaram a alastrar. A influência de Wall Street, e muito em particular do Goldman Sachs, e o conflito de interesses dos prestigiados professores de economia de Harvard, Columbia e outras faculdades de economia das universidades Ivy League, mais a promiscuidade da atribuição de ratings das agências de notação financeira S&P, Moody’s e Fitch é pornográfica. Já foi tempo em que os bancos se limitavam a emprestar dinheiro para comprar casa e zelavam para que o empréstimo concedido, por norma de longo prazo, corresse bem. Com a a moderna e sofisticada securitização, esses empréstimos são “embrulhados” em Collateralized Debt Obligation (CDO) e vendidos em pacote a outros investidores. Com a conivência de ratings AAA são adquiridos por importantes fundos de pensões excedentários em liquidez. Como o risco é disseminado por muitos outros investidores, quem concede o crédito torna-se menos rigoroso, mais permissivo, massificam-se os empréstimos subprime e os bancos pedem mais financiamento (alavancagem) para criar mais CDO’s. A “bolha” insufla. A seguradora AIG cria apólices de seguros Credit Default Swap (CDS) que seguram o risco de incumprimento dos CDO’s que coloca noutros investidores. O Goldman Sachs cria os CDO’s e, ao mesmo tempo, aposta no seu insucesso, no seu incumprimento, ao comprar CDS’s sobre os CDO’s que criou. No auge desta salganhada, o dinheiro propriamente dito só existe nos bónus/prémios chorudos pagos aos executivos, nas despesas com drogas e prostituição e na aquisição de jactos privados. A pensão média de um fundos de pensões ronda os dezoito mil e quinhentos dólares que compara com o salário anual de um executivo do Goldman Sachs de seiscentos mil dólares. O documentário Inside Job – A Verdade da Crise, do realizador Charles Ferguson, com narração do actor Matt Damon, está dividido em cinco partes, e ganhou um Óscar em 2011 na sua categoria. Tem um importante conjunto de entrevistas, umas que acabam mal, como a de Glenn Hubbard, reitor da Universidade de Columbia e ex-conselheiro económico de George W. Bush, e outras que são testemunhos dos avisos feitos por Nouriel Roubini, Charles Morris e Allan Sloan. Mas, em toda esta floresta ainda há árvores intactas, como George Soros e Warren Buffett que old fashioned continuam a fazer dinheiro investindo nas obsoletas acções e obrigações.

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