Momentum: "Carpe diem" (628)
Assim como na época dourada houve bancos que emprestaram para os seus clientes adquirirem acções suas, também a Alemanha, na época dourada do euro, emprestou aos países periféricos para não produzirem e limitarem-se a consumir produtos alemães importados.
Concordo com o princípio na génese da Constituição Americana "no taxation without representation” pelo que faz sentido, ainda que em estado de grande urgência e necessidade, submeter a referendo, que deveria de ser, antes de mais, à escala europeia, todas as alterações aos princípios políticos de soberania nacional.
É do conhecimento geral que os puritanos alemães, que agora rasgam as vestes, violaram os critérios de convergência de 3% do défice e de 60% de dívida pública por várias vezes nos idos da última década, pelo que isso torna verosímil a suspeita que isto configura mais um projecto de poder do que uma preocupação económico-financeira.
Dando como exemplo, os chineses também pela via económica, ao deterem grande parte das treasuries norte-americanas, ao manterem um yuan baixo para fomentar a competitividade das suas exportações, tentarem deter participações financeiras em empresas europeias e norte-americanas e controlarem economicamente centros logísticos nevrálgicos como o de Nápoles, o porto de Pireu, na Grécia, ou até Sines, para fácil escoamento das suas exportações, são olhados de soslaio.
Curiosa cronologia, ou melhor genealogia, de acontecimentos: um problema que sempre foi político começou com o descontrolo das contas públicas, dívidas públicas insustentáveis, depois medidas de austeridade, depois crescimento económico e já vai na revisão de tratados. Mas (também) como há males que vêm por bem, finalmente discute-se o projecto europeu, esperemos que até à exaustão.
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