Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

31.1.12

Bibiofilia: "À Espera no Centeio" (1951)

JD Salinger, À Espera no Centeio, Quetzal, ed. Outubro 2011 (pp. 233). O “amigo” Holden Caulfield começa por avisar-nos que não vai contar a história da sua infância, nem da família dele, mas apenas “(…) aquela história de loucos que [lhe] aconteceu o ano passado por volta do Natal (…)” e é assim, na primeira pessoa, em diálogo intimista com o leitor, que é narrada a crise existencial de um miúdo de dezasseis anos, contada um ano mais tarde. Miúdo que o abandona o conceituado colégio de Pencey, em Agerstown, na Pensilvânia, no sábado, mais cedo do que as férias de Natal previstas para começarem na quarta-feira seguinte, depois de ter sido expulso, e deambula pela cidade de Nova Iorque, onde residem os pais e a irmã, a “miúda” Phoebe, uma vez que o irmão mais velho, DB, é argumentista em Hollywood, o que o deixa profundamente chateado porque ele acha o cinema foleiro, e o irmão Allie faleceu há algum tempo. Essa é a “história de loucos”. Segundo o próprio, a poesia de Robert Burns “Se alguém encontra alguém que atravessa o centeio!” empresta nome ao título (o que remete para a dúvida de porquê chamar-lhe Uma Agulha no Palheiro?), desta história de um miúdo que procura encontrar-se e lida mal com as injustiças deste mundo, daí a sua dificuldade em integrar-se na sociedade e que justifica a acumulação de expulsões de quatro escolas diferentes. É suspeito o excessivo abuso de palavras em itálico por parte desta tradução, mas não é passível de ser confirmado sem observar o original ou tirar teimas com a tradução mais antiga editada pela Relógio D’Água.

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