Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

20.1.12

Bibliofilia: "Pais e Filhos" (1862)

Ivan Turguéniev, Pais e Filhos (1862), Relógio D’Água, Maio 2007, (pp. 249). O niliista Evguéni Vassílitch Bazárov constitui umas das personagens mais fascinantes deste universo. Jovem médico que, não acredita em nada nem respeita ninguém, vai ceder à tentação do amor por Anna Serguéievna Odíntsova, culminando num fim trágico como é apanágio das grandes figuras que dão origem a mitos. Impõe-se com a sua forte personalidade, quer junto do seu jovem amigo Arkádi Nikoláevitch Kirsánov, quer entrando em conflito aberto com o tio do mesmo, Pável Petróvitch Kirsánov, a quem concede a honra de um duelo. O confronto entre a velha aristocracia russa do séc. XIX e as ideias progressistas dos jovens da época em que decorre a acção (1859) é latente ao longo de toda a trama, tal como acontece também com frequência nas obras do rival Dostoiévski e que torna tão característico o género. Repleto de “pontos de situação”, pausas no decorrer da história para a descrição do passado das personagens envolvidas – pausas essas que são criticadas no posfácio de Vladimir Nabokov, depois de reconhecer como estas biografias no intervalo da acção são tão característicos na obra de Turguénev –, e de recorrentes escutas de conversas para interligar a trama e fazer avançar a acção, revela também a relação entre pais, Nikolai Petróvitch Kirsánov, Vassili Ivánovitch Bazárov e Arina Vlassievna Bazárov, respectivamente pai de Arkádi e pai e mãe de Bazárov, e filhos num magistral romance de idiossincráticas personagens e, sobretudo, de soberbos diálogos que decorre entre três locais: a propriedade dos Kirsánov, Marino, dos pais Bazárov e de Odíntsova, Nikólskoie.

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