Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

20.2.12

Momentum: "Carpe diem" (665)


O que entusiasma um admirador de jogos de estratégia ou de xadrez é a disposição das peças num jogo de futebol. Mais do que propriamente o jogo. E até poderia ser simples, caso o mercantilismo das transferências de jogadores, a racionalidade económica e os empresários não interferissem. Um plantel apenas necessita de vinte e dois jogadores, mais um guarda-redes (para perfazer três) e mais dois ou três jogadores polivalentes, que normalmente são pontas de lança ou médios defensivos, posições onde habitualmente dois nunca são demais para implementar diferentes tácticas ou modelos de jogo. Com vinte e seis ou vinte e sete jogadores está um plantel competitivamente equilibrado em duas equipas para participar em todas as provas envolvido e sólido quanto a lesões. Mas habitualmente todos os clubes têm plantéis desequilibrados pela contingência económica da gestão do clube com jogadores, pelo que herdou e pelas lacunas de planeamento de quem não começa do zero. Assim se explica quando Jorge Jesus justifica a contratação de Yannick Djaló pela sua velocidade que os restantes médios alas do plantel não possuem. E se Bruno César e Nolito não forem médios alas ou extremos, como o treinador parece crer, mas segundos avançados (jogam atrás do ponta de lança mais fixo) como Rodrigo e Saviola? Isso já revela um excessivo número de jogadores para essa posição (mesmo após a cedência por empréstimo de Rodrigo Mora), contratados mais pelo potencial de negócio do que pelo preenchimento da posição. Independentemente da qualidade individual, alguém consegue comparar Bruno César ou Nolito na posição de ala com, por exemplo, Angel Di María, Eduardo Salvio, Jose Antonio Reyes ou, o cedido ao Paços de Ferreira, Melgarejo? Só assim se explica que um óptimo médio defensivo como Ruben Amorim tenha sido sacrificado anos a fio à condição de suplente do único defesa direito do plantel, Maxi Pereira, quando também este veio adquirido como médio defensivo. O que não invalida que Fábio Coentrão ou Gareth Bale (Tottenham) não consigam fazer todo o corredor esquerdo, quer seja a defesa ou médio esquerdo, e Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, pela sua genialidade, consigam jogar em qualquer posição no ataque. É muito interessante pensar o futebol para além do pénalti mal assinalado.

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