Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

23.2.12

Momentum: "Carpe diem" (667)


Que anda muita gente ocupada com a falta de ocupação, já o havia dito um contemporâneo e célebre cineasta português durante uma entrevista. Que há serviços onde tanta gente a trabalhar atrapalha, já o tinha verificado. E hoje voltei a constatar. Numa ida a uma consulta de rotina, duma especialidade num hospital privado, esperei duas horas e meia para ser consultado em dez minutos. Repito, “não sei se me ouviu bem”, hospital privado. Nas duas horas e meia de espera, consegui observar seis simpáticos recepcionistas que se revezaram nos disparates, trocaram nomes de pacientes, não passaram os assuntos uns aos outros cada vez que um se ausentava pelos mais variados motivos e culminou com a cereja em cima do bolo, quando o recepcionista do outro lado do balcão ligava para o telemóvel da doente que estava na sua frente acabada de sair da consulta para confirmar a sua presença na consulta onde ela havia estado. Os dois falavam e só quando o recepcionista literalmente vomitou a cartilha toda levantou a cabeça para constatar o óbvio, já com uma sala de espera inteira às gargalhadas. Bem sei que anteriormente bracejava-se, corria-se, arfava-se muito e batia-se com as socas no soalho para demonstrar o assoberbamento de trabalho para futuras candidaturas à próxima promoção, agora acontece o mesmo com a ligeira derivação do leitmotiv: manter um posto de trabalho que há muito se revela desnecessário. Enquanto noutros locais é escandaloso a falta que dois braços, ou sobretudo uma cabeça que pense, fazem. Este relato pode parecer hiperbólico, mas é bem real.

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