Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

5.3.12

Momentum: "Carpe diem" (674)


O meu jornal de referência, o Público, que me acompanha desde 5 de Março de 1990, está hoje diferente. O pressuposto para a mudança era pertinente: o jornal em papel para ser atractivo iria ter temas mais desenvolvidos, copiando a fórmula dos domingos, e menos curtas notícias que podiam ser lidas na plataforma em linha, evitando a duplicação. Genial. Só que ainda não se nota. É possível constatar que a mudança mais significativa neste primeiro dia foi a gratuitidade. Aumentou o lettering que continua sem serifa, como é razoável –, sobretudo nos cabeçalhos a bold, opção que esteticamente não foi a mais feliz, e está mais desarrumado, embora tenha aumentado da anterior média das quarenta páginas para setenta e sete. Era assim tão necessário dar protagonismo ao jornalista que assina a notícia com o aumento do triplo do tamanho do nome? Os interessantes temas desenvolvidos no P2, e que seriam o core business do novo formato na declaração de intenções, pura e simplesmente se evaporaram. De bom apenas o formato agrafado e mais reduzido em 2 cm de altura. Mais semelhante à concorrência, corre o risco de perder a sua identidade. A cedência a esta voragem moderna da mudança, de pronta adesão ao modelo Shumpeteriano de “destruição criativa” (como alguém também associa a ideia aos modelos de austeridade europeus tão em voga), ameaça as organizações a atirar fora a água do banho com o menino. Por norma, o contraditório defenderá que toda a gente é avessa à mudança, mas que depois se interiorizará. Mas também não é verdade que nunca há uma segunda oportunidade para criar uma boa primeira impressão?

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