Cinefilia: “Gosford Park” (2001)
O argumentista Lorde Julian Fellowes brinda-nos como mais um retrato da sociedade elitista, snob e preconceituosa inglesa dos primeiros anos do séc. XX. Mais um porque, a seguir a este, veio a série Downton Abbey. Com um elenco de arrasar e os inevitáveis very british Maggie Smith, Charles Dance, Helen Mirren e Kristin Scott Thomas, acertam-se contas antigas durante um fim-de-semana de caça ao faisão, embora à raposa tivesse sido mais tradicional. Se em Downton Abbey aprendemos que, ao contrário do continente, são primeiro servidos os homens, em Gosford Park aprendemos que os ingleses da época comiam o peixe com dois garfos em vez de faca e garfo. Não era ainda tempo de fish and chips em cartucho à mão no Soho. O aristocrata anfitrião, William McCordle (Michael Gambon), acaba assassinado à facada pelo filho bastardo que desconhece, Robert Parks (Clive Owen), ou melhor, pela mãe deste, Miss Wilson (Helen Mirren), que se antecipa envenenando-o e assim protegendo o filho. Não é possível ser condenado por assassinar alguém já morto. A terminar, surge a tentativa frustrada duma réplica do inspector Columbo de Peter Falk, ou talvez de Peter Sellers, na figura do inspector Thomson (Stephen Fry). Gosford Park (2001) de Robert Altman, demasiadas personagens, demasiado longo, o cliché misterioso com os suspeitos do costume que se ausentam no momento do crime.
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