Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

10.9.12

Bibliofilia: "Némesis" (2010)

Philip Roth, Némesis, Publicações D. Quixote, 1.ª ed., Outubro 2011 (pp. 206). A pretexto da exploração do ressentimento, da vingança (da deusa grega que dá título ao livro), mas também do remorso e do sentimento de culpa, Eugene (Bucky) Cantor, director do recinto de jogos, nas férias de Verão, da escola básica do bairro judeu de Weequahic, aos vinte e três anos, oferece-nos um retrato do quotidiano afectado pela epidemia de poliomielite que assolou a comunidade juvenil no Verão de 1944 e onde um simples aperto de mão, por exemplo, passou a ser um acto demasiado ousado (p. 92 – 95 e p. 110), face ao desconhecimento latente da causa da doença. Em permanente conflito com a sua consciência, de homem ultra responsável e íntegro, Bucky Cantor vai perder toda a sua vida por nunca abdicar das suas convicções moldadas pelo carácter do avô materno que o criou e a quem nunca quis desiludir. A história é narrada por Arnie Mesnikoff, um seu aluno que também contraiu a doença, mas só damos por ele no terceiro e último capítulo, apesar de ter levemente assomado na p. 86. Como sempre, historicamente bem documentado, com aflorações teológicas e referências aos portugueses do autor de Newark que já merecia o Nobel se o mundo fosse justo.

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