Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

2.11.12

Bibliofilia: "Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina" (2003)

Mário de Carvalho, Fantasia para Dois Coronéis e Uma Piscina (2003), Caminho, 3.ª ed., Março 2004, (pp. 227). Na “artesania da escrita”, referido pelo próprio, existe para este autor o peculiar estilo de dialogar com as suas personagens, convocando-as não só para a história, por muito secundárias que elas sejam, como também convidando-as a assumirem-se ao leitor no registo confidente da primeira pessoa. Dois coronéis, Bernardes e Lencastre, veteranos de África, aposentados, ou jubilados, como agora se retomou dizer, disfrutam do Alentejo e cultivam mais cumplicidade da amizade entre si do que com as respectivas. Um jovem, de nome bíblico Emanuel, vedor e mestre xadrezista, safa-se à grande nas planícies alentejanas, não faltando a homenagem à fábula com um mocho e um melro a assistir e o típico empreendedor “tuga” que de espertalhão pretende contratar a custo zero quinhentos eslavos para produzirem energia para revenda à EDP, à força de pedalarem umas bicicletas adaptadas. O narrador da história jamais permitirá que se duvide do seu destino, pois as personagens são marionetas no seu aparo.

Etiquetas: