Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

18.4.14

Bibliofilia: "A Morte em Veneza" (1912)

[ 92 ] Thomas Mann, A Morte em Veneza (1912), Relógio D'Água, Junho 2004 (pp. 11). O escritor consagrado Aschenbach nutre uma paixão platónica pelo jovem polaco Tadzio durante umas férias de Verão em Veneza. Aquilo que para uns poderia ser um romance homossexual, acaba por ser uma homenagem ao belo e à arte. Sem enredo, toda a obra é resumida à introspecção do escritor que se confunde com o narrador, mas a quem os entendidos não lhe destacam o carácter autobiográfico. Aschenbach morre da praga de cólera indiana, que afecta naquela época Veneza. A doença manifesta-se quando este contempla Tadzio ao longe na praia, sem nunca ter trocado uma palavra com ele durante toda a novela. Thomas Mann escreveu, em 1911, esta magistral obra, brilhantemente escrita, que tem o mais belo e simples final: "Foi levado para o quarto. E nesse mesmo dia um mundo abalado e respeitoso recebeu a notícia da sua morte (p. 114)." O que vem provar que não são precisas as centenas de páginas de papel pintado dos actuais dias para ter sucesso literário. Muito apropriada a capa desta edição com a Gôndola em Veneza (1908) de Claude Monet.

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