Quem Ousa, Vence!

"Como se se pudesse matar o tempo sem lesar a eternidade" Henry Thoreau (1817 - 1862) Ano XI

18.5.14

Momentum: "Carpe diem" (1 065)


Philippe Legrain, ex-conselheiro do presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, deu uma extraordinária entrevista ao jornal Público, no passado domingo, 11 de Maio, onde acusou o lobby da troika francesa: Jean-Claude Trichet (BCE), Dominique Strauss-Khan (FMI) e Nicolas Sarkozy de pressionarem Angela Merkel para violar a regra de no bailout prestando a assistência inicial à Grécia de 110 mil milhões de euros. O interesse da troika francesa seria salvar os bancos franceses (que também beneficiou os bancos alemães), carregados de dívida pública helénica, com a justificação de que seria irresponsável deixar cair a Grécia. A partir daí, os contribuintes alemães sentiram-se responsáveis pelas dívidas de todos os restantes países periféricos e a solidariedade cedeu lugar a uma relação hierárquica entre devedores vs. credores. Abona a favor de Merkel a demora, na altura mal interpretada, na decisão de assistir financeiramente a Grécia. A Portugal releva o foco da questão na dívida privada astronómica (superior a 200% do PIB) e não tanto na dívida pública que, antes da crise, era equivalente à da Alemanha (68% do PIB) e a mesma receita que foi aplicada para salvar os bancos espanhóis, credores de dívida pública portuguesa, que por sua vez tinham como credores destes os bancos franceses e alemães numa situação em cadeia. E avisa que, com ausência de inflação, não há outra solução senão reestruturar a dívida. E basta os Estados Unidos aliviarem o quantitative easing ou subirem as taxas de juro, ou o BCE desiludir os mercados não cumprindo a promessa do seu quantitative easing, para o desastre. E prefere o default dos Estados ao moderno Tratado Orçamental. Ressabiado ou avisado? Ressentimento ou sabedoria? Ignorância ou conhecimento de causa?

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